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Cannabrava | Juros estrangulam empresas e famílias

O Brasil vive um momento de estrangulamento financeiro que atinge empresas e famílias. A política de juros elevados, com a taxa Selic em torno de 15% ao ano — uma das mais altas do mundo em termos reais — está sufocando a atividade econômica. O resultado aparece de forma dramática nas estatísticas de recuperação judicial e no crescimento acelerado da inadimplência.

Os números falam por si. Em 2025 foram registrados 1.987 pedidos de recuperação judicial e 112 de recuperação extrajudicial no país. No ano anterior, 2024, haviam sido 2.146 pedidos de recuperação judicial e 95 extrajudiciais. Entre as empresas afetadas estão gigantes da economia nacional, como o Grupo Pão de Açúcar, a Raízen, além de companhias como Ambipar, CSN, InterCement e Braskem. Mesmo grandes grupos, com forte presença no mercado, não conseguem gerar caixa suficiente para sustentar o custo do endividamento.

A explicação é direta: com juros nesse patamar, o custo do crédito torna-se proibitivo. Empresas que dependem de financiamento para capital de giro, investimento ou reestruturação simplesmente não conseguem faturar o suficiente para pagar os encargos financeiros. O resultado é o aumento das renegociações de dívida e a corrida para os mecanismos de recuperação judicial.

O problema não se limita ao setor empresarial. Entre os cidadãos, o quadro também é alarmante. Estima-se que entre 73 e 81 milhões de brasileiros estejam inadimplentes, dependendo da metodologia dos levantamentos de SPC e Serasa. Trata-se de quase metade da população adulta do país. Famílias inteiras passam a viver sob o peso de dívidas que se multiplicam justamente por causa dos juros elevados.

Esse cenário revela uma contradição profunda. Enquanto a economia precisa de crédito para produzir, investir e gerar empregos, a política monetária transforma o financiamento em um fardo quase impossível de suportar. O resultado é um círculo vicioso: empresas entram em recuperação, o consumo cai, a inadimplência cresce e a economia patina.

Mas a discussão sobre juros não é apenas um debate técnico. Trata-se de uma questão de soberania nacional. É legítimo perguntar: a quem interessa manter os juros nesse patamar? O país produtivo, que precisa investir e gerar empregos, certamente não se beneficia dessa política.

Cannabrava | Crescimento econômico em marcha lenta

Recuperar a capacidade de decidir sobre os rumos da economia — inclusive sobre os juros e a política industrial — exige romper com a ditadura do pensamento único imposta pelo capital financeiro. Sem isso, o Brasil continuará preso a um modelo que privilegia a renda financeira enquanto sufoca a produção, o trabalho e o desenvolvimento.

As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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