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Trumpaço não era apenas comercial, era político: Casa Branca exige não barrar “dissidentes” nas eleições

O tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil foi apresentado como medida de defesa comercial. Mas as negociações abertas depois revelaram outra coisa. A pressão não surtiu o efeito devastador esperado. Ao contrário, em agosto de 2026, o Brasil registrou exportações recordes para o mês e manteve superávit comercial.

Enquanto as vendas para os Estados Unidos caíram, outros mercados absorveram parte desse espaço. Mas o dado mais explosivo surgiu depois.

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O Presidente Donald J. Trump – Flickr

Veio à tona que a Casa Branca apresentou 21 exigências, entre elas o compromisso de não barrar “dissidentes políticos” nas eleições de 2026. Traduzindo: a eleição brasileira entrou na pauta comercial.

Fica inevitável perguntar, ainda que sem resposta definitiva: essa pressão externa tem algum peso no fato de Flávio Bolsonaro seguir livre, sem condenação ou inelegibilidade?

Não há prova de relação direta, mas a pergunta se impõe.

Cannabrava | Trumpaço nas tarifas e a reação do Brasil

Em encontro com pastores evangélicos na quarta-feira (16), Lula chamou Trump de amigo, mas disse ter dado um alerta claro: não interfira na eleição brasileira. Não é detalhe que esse recado tenha sido dado justamente a pastores.

Boa parte das igrejas pentecostais e neopentecostais construiu estratégia de poder com bancadas, partidos e meios de comunicação. Uma parte expressiva desse segmento se mantém alinhada ao bolsonarismo.

Agora, os Estados Unidos adicionam outro elemento de pressão: a segurança pública. Num documento enviado ao Congresso, Donald Trump acusou o Brasil de falhar no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho, afirmando que essas facções teriam transformado o país em centro dos fluxos internacionais de cocaína.

O Ministério da Justiça reagiu afirmando que o Brasil refuta quaisquer alegações de omissão. São temas diferentes, mas que convergem para uma questão central: até onde pode ir a pressão estrangeira sobre decisões que pertencem exclusivamente ao povo brasileiro?

Relações comerciais se negociam. Soberania, não.

O Brasil precisa diversificar seus laços, fortalecer sua autonomia e afirmar, sem ambiguidades: as eleições de outubro pertencem aos brasileiros.

As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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