Apoiadores de María Corina Machado exigiram uma data para as eleições e seu retorno ao país; sindicatos e aposentados denunciaram salários de US$ 0,16 e cobraram que a renda do petróleo chegue à população
Em Caracas Duas manifestações de rua ocorreram simultaneamente nesta terça-feira em Caracas, apenas um dia depois do discurso da presidenta Delcy Rodríguez na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, para exigir uma data para as eleições presidenciais e aumentos de salários e aposentadorias.

Várias centenas de militantes do partido Vente Venezuela, de María Corina Machado, caminharam da Plaza Venezuela, no centro de Caracas, até a autoestrada Cacique Guaicaipuro, bloqueando durante meia hora o trânsito na principal via da capital.
Segundo os dirigentes da manifestação, a reivindicação é que o governo de Delcy Rodríguez permita a entrada de Machado no país, uma vez que denunciam que isso lhe foi impedido alguns dias antes, quando teria tentado viajar de avião a partir do Panamá.
O voo privado que deveria levar a dirigente oposicionista do Panamá na terça-feira, como parte de um itinerário para regressar à Venezuela, segundo sua equipe, “nem sequer decolou”, porque três países — Bonaire, Aruba e Curaçao — não concederam a autorização solicitada para o pouso.
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“María Corina conta com um país mobilizado. Aqui vamos esperá-la e vamos levá-la à Presidência da República. Não vão nos deter, que isso fique claro”, declarou Carlos Fernández, coordenador nacional da juventude do Vente Venezuela.
Os manifestantes também se dirigiram a uma sede auxiliar do Conselho Nacional Eleitoral, onde exigiram uma data clara para as eleições, depois da promessa feita por Delcy Rodríguez na véspera perante a Assembleia Geral da ONU.
Pedem salários e aposentadorias
Em outra manifestação, sem ligação com a primeira, dezenas de ativistas sindicais e aposentados marcharam da praça Parque Carabobo até a Plaza Caracas para se concentrar diante da sede do Ministério do Trabalho.
Um cordão policial impediu sua passagem quando tentaram entrar no edifício, o que provocou confrontos e empurrões.
Os manifestantes denunciam que o salário nominal representa apenas 0,16 dólar, enquanto a cesta básica familiar chega a US$ 700.
O secretário-geral da Central Unitária dos Trabalhadores da Venezuela, Pedro Eusse, afirmou que a mobilização é “parte de um plano de luta que continua” e que se reproduz em todos os estados do país.
Exigem que se “reverta a política entreguista deste governo”, e Eusse denunciou que “estão entregando a uma potência estrangeira” os recursos do país, em referência aos recentes acordos petrolíferos assinados com os Estados Unidos.
As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.
