Em sua apresentação do relatório anual ao Congresso sobre os principais países de trânsito e produção de drogas ilícitas, o presidente Donald Trump escreveu que “reconhecemos os esforços” antidrogas do governo de Claudia Sheinbaum, sobretudo no envio de forças de segurança pública e militares para a fronteira norte, mas ressaltou que “o México precisa fazer muito mais para conter o fluxo de drogas mortais para o nosso país”, incluindo o combate à “narcocorrupção”.

Ao tratar do México em sua introdução, o mandatário escreveu que, enquanto “protegemos nossas fronteiras contra a invasão”, México — juntamente com o Canadá — “precisa fazer muito mais” contra o fluxo de drogas.
“Reconhecemos o governo da presidenta mexicana Sheinbaum por apreender volumes maiores de drogas, desmantelar laboratórios de drogas” e mobilizar forças de segurança para a fronteira com os Estados Unidos.
Elogiou ainda o fato de que a cooperação do México com os Estados Unidos “ajudou a eliminar alguns dos chefes de cartel mais notórios do mundo, incluindo El Mencho”.
Mas o México “tem de tomar medidas adicionais contra as organizações narcoterroristas que dominam vastas áreas de seu território e continuam ameaçando o povo estadunidense”, afirmou.
Entre essas medidas, ressaltou que o México precisa “desmascarar, prender e processar muitos dos funcionários públicos corruptos que ajudaram e instigaram os cartéis e traíram a segurança e a soberania de seu próprio país”.
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Outras sugestões, ou talvez exigências, para o México enumeradas por Trump incluem maior participação do setor privado, aumento das inspeções em seus pontos de entrada e elevação dos gastos públicos nessa luta, já que “os atuais investimentos do México em suas forças de segurança são insuficientes para sustentar e ampliar suas campanhas contra os narcoterroristas, suas finanças e suas redes criminosas”.
O relatório, elaborado pelo Departamento de Estado e apresentado anualmente ao Congresso, identifica os principais países de trânsito e produção de drogas.
Nesta edição, são relacionados 23 países do mundo — a maioria na América Latina e no Caribe —, entre eles o México. Dos 23, o presidente designou quatro — Afeganistão, Bolívia, Myanmar e Colômbia — como países que, durante os últimos 12 meses, “fracassaram […] em fazer esforços substanciais para cumprir suas obrigações” previstas em acordos internacionais e nas leis estadunidenses.
O mandatário elogiou a si próprio por suas realizações: “Meu governo fez progressos históricos na proteção do povo estadunidense contra drogas mortais e organizações narcoterroristas implacáveis”. Acrescentou que, sob seu governo, “a fronteira sul é a mais fechada e segura da história de nossa nação” e que “salvamos dezenas de milhares de vidas estadunidenses”.
Ressaltou que “os narcoterroristas responsáveis por esta invasão estão mortos, presos ou vivendo com medo de serem os próximos a enfrentar a Justiça estadunidense”, tudo isso, segundo ele, como resultado do emprego de forças militares contra “narcoterroristas” onde quer que estejam no mundo. Também destacou o papel da Coalizão Anticartel das Américas, aliança de uma dúzia de países do Hemisfério Ocidental que teria alcançado, mais uma vez, resultados “históricos”.
De fato, enfatizou que “mudanças políticas dramáticas na América do Sul durante o último ano criaram oportunidades históricas para a cooperação dos Estados Unidos com governos da região”.
“Na Venezuela, graças à prisão e remoção do ex-ditador ilegítimo e narcotraficante Nicolás Maduro [realizada] por meu governo, já estamos vendo os resultados de uma crescente cooperação com o governo interino do país contra os cartéis…”, afirmou.
Na Bolívia, depois de “décadas de governos socialistas ineptos”, abre-se, segundo Trump, um novo capítulo de cooperação. “O povo da Colômbia tomou a decisão corajosa” de eleger Abelardo de la Espriella depois das “políticas socialistas fracassadas” de seu antecessor e, com isso, “a Colômbia está prestes a retomar seu lugar como nosso principal parceiro de segurança no hemisfério”.
Da mesma forma, deu as boas-vindas ao novo governo do Peru e destacou “os grandes aliados dos Estados Unidos” na região — Argentina, Equador e El Salvador — em suas lutas contra o “narcoterrorismo”. Ao mesmo tempo, acusou o governo do Brasil de ter “fracassado” no enfrentamento a grupos “narcoterroristas” e também condenou a “ditadura socialista” da Nicarágua.
Em relação a outros países, destacou que a China continua sendo o maior produtor mundial de precursores químicos empregados na fabricação de fentanil e outras drogas sintéticas e instou o governo chinês a adotar medidas “mais agressivas”.
A lista apresentada pelo presidente dos principais países de trânsito ou produção de drogas para o ano fiscal de 2027 é a seguinte: Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, Myanmar, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela.
O Grito nos Estados Unidos
“Aqui estamos, viva o México” foi uma das palavras de ordem tanto da celebração da Independência do México como um grito de desafio dentro de um país que promove agressivas medidas antimigratórias e cujo presidente divulgou uma imagem do México — junto com o Canadá e a Groenlândia — sob a bandeira estadunidense.
Em Nova York, Chicago, Los Angeles, Minneapolis, Boston e outras cidades, prefeitos e governadores se somaram à celebração e transmitiram a mensagem de que “esta é a sua casa”. Mas o Grito foi mais um sussurro em algumas localidades e chegou a ser sufocado em outras, como em Passaic, Nova Jersey, onde a tradicional celebração do dia 15 foi suspensa diante do temor da “migra” e para evitar expor a comunidade a agentes federais mascarados e às ameaças retóricas que diariamente partem do governo federal.
Mas o Grito foi celebrado como sempre na maior metrópole dos Estados Unidos, Nova York, onde, na cerimônia oficial no bairro mexicano (que também inclui um bairro chinês) de Sunset Park, realizou-se o ato oficial com a presença do cônsul-geral Marcos Bucio, do embaixador do México junto à Organização das Nações Unidas, Héctor Vasconcelos, de alguns políticos latinos locais e do prefeito imigrante de Nova York, Zohran Mamdani.
“Mamdani, irmão, agora você é mexicano”, entoaram milhares de pessoas, felizes porque o prefeito decidiu voltar para estar com elas depois de ter participado do desfile no domingo. A mensagem do ainda novo prefeito foi: “Isto é PueblaYork”.
“É uma grande alegria estar aqui para celebrar os mexicanos em Nova York”, declarou. Recordou Miguel Hidalgo e como seu grito foi apenas o início de uma longa luta; lembrou Benito Juárez e sua estátua no centro desta cidade; e afirmou que “há mais de 160 anos, os mexicanos ajudam a construir esta cidade… Em cada distrito e em cada bairro, o México está costurado no tecido de Nova York.
Vemos isso nos sapateiros de Corona [bairro do Queens], consertando as botas de longas jornadas de trabalho e de longas marchas pela justiça; nos médicos de Kingsbridge, curando os enfermos; vemos isso nos músicos das bandas de Sunset Park, que enchem quarteirões inteiros com ritmo e metais”.
Mamdani referiu-se ao orgulho e à luta da comunidade e afirmou: “Sabemos que há muitos mexicanos nova-iorquinos se perguntando se esta cidade é um lar para eles, e eu venho como prefeito de nossa cidade para dizer que vocês estão em casa em PueblaYork, sempre estarão em casa aqui.
Manteremos abertas nossas clínicas, nossas escolas e nossos abrigos, independentemente da situação migratória de qualquer pessoa, e faremos isso porque, quando olho para vocês aqui, o que vejo é um público de nova-iorquinos”. E concluiu em espanhol: “Que vivam os mexicanos”.
O cônsul Bucio proferiu o Grito e tocou o sino, declarando que “celebramos a identidade, a história e a força de uma comunidade que fez de Nova York seu lar”, e lembrou que o consulado está comemorando 200 anos de presença nesta cidade. Um mar de bandeiras mexicanas, agitadas por famílias, acompanhou os discursos e a música da noite, incluindo um mariachi com a cantora Rosy Arango, a Banda Unión de Chinantla e a dupla pop Ha*Ash, enquanto aromas e sabores de espigas de milho, churros, taquitos dourados, raspadinhas e todo tipo de nozes e amendoins eram oferecidos, juntamente com camisetas da seleção nacional.
Em Washington, DC, a cerimônia do Grito foi presidida pela primeira vez pelo novo embaixador Roberto Lazzeri Montaño, que incluiu entre os “vivas” a comunidade imigrante e uma “América do Norte unida e humanista”, durante a celebração realizada no Instituto Cultural Mexicano.
De longe, ao anoitecer, podia-se ver o icônico arranha-céu Empire State Building iluminado com as cores da bandeira mexicana na noite do dia 15.
Em outras cidades — algumas das quais realizaram a celebração nacional no fim de semana passado — ocorreram eventos culturais de diversos tipos. Em Chicago, o governador democrata de Illinois, JB Pritzker, e o prefeito Brandon Johnson participaram das comemorações, e o governador chegou inclusive a dançar na rua.
A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, também dançou na rua ao acompanhar a festa nas escadarias da prefeitura, onde se apresentaram Los Ángeles Azules. Também houve grandes atos em Las Vegas, Phoenix, Arizona, Houston, Miami, San Francisco, Filadélfia, San Diego e El Paso, entre outras cidades e localidades.
Por sua vez, em nome do governo dos Estados Unidos, o secretário de Estado Marco Rubio felicitou o povo mexicano pelo 216º aniversário de sua independência, em um comunicado.
Acrescentou que, no governo de Donald Trump, abriu-se “um novo capítulo de nossa relação com o México, no qual ambas as nossas nações se beneficiam de um comércio mais justo, de uma cooperação muito mais profunda em questões de segurança e de economias prósperas orientadas para o mercado”.
Rubio afirmou que o “narcoterrorismo” afetou os dois povos e declarou que Trump realizou “esforços históricos” para enfrentar os “narcoterroristas” no México, acrescentando que há “muito mais trabalho” a fazer para que o México seja um “parceiro” nas próximas décadas. Enquanto isso, soma-se ao “povo mexicano na celebração de sua independência”.
