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Crise migratória em Ceuta: Parlamento Europeu fala em “guerra híbrida” enquanto migrantes denunciam espancamentos Diálogos do Sul Global

Enquanto o Parlamento Europeu atribui à entrada em massa de migrantes uma estratégia de desestabilização, Pedro Sánchez promete criar até 10 mil vagas de acolhimento em Ceuta; investigação também reúne denúncias de agressões e humilhações cometidas por militares espanhóis

A Audiência Nacional espanhola decidiu suspender cautelarmente a transferência de migrantes para o acampamento humanitário construído no porto marítimo de Ceuta, onde o governo presidido pelo socialista Pedro Sánchez pretendia alojar mil pessoas que se encontram em situação de desamparo.

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Pedro Sánchez – wikipedia

A medida foi solicitada pelo Sindicato Unificado de Polícia (SUP), majoritário na categoria, que alegou não estarem sendo cumpridas as condições de segurança necessárias para abrigar os migrantes, que atualmente vivem em moradias improvisadas com restos de lixo na praia do Trampolín.

A Sala do Contencioso Administrativo decidiu adotar a medida em caráter “cautelaríssimo”, ou seja, sem esperar pelos relatórios das partes envolvidas, determinando a suspensão das transferências que o governo pretendia realizar nas próximas horas.

Agora, o Ministério dos Transportes, que decidiu assumir o controle do porto, terá de apresentar, no prazo de 12 horas, a resolução administrativa obrigatória e os relatórios de solvência.

Incêndio destrói acampamento com 42 moradias de migrantes em Ceuta, onde milhares vivem ao relento

O governo espanhol, presidido pelo socialista Pedro Sánchez, comprometeu-se a alojar dignamente 10 mil migrantes em Ceuta nos próximos dias, para o que é fundamental o acampamento humanitário do porto.

Enquanto isso, em Estrasburgo, o Parlamento Europeu classificou como “guerra híbrida”, destinada a “desestabilizar” a região, o que ocorreu na cidade espanhola de Ceuta no final de julho, quando cerca de 72 mil pessoas entraram simultaneamente no território, das quais mais de 10 mil ainda permanecem em suas ruas.

A iniciativa, promovida pela direita e pela extrema direita, foi aprovada por 435 deputados, rejeitada por 209, com 13 abstenções.

O bloco da esquerda e os social-democratas rejeitaram a iniciativa por considerarem que ela contém uma linguagem belicosa, compromete a estratégia de aproximação diplomática com o Marrocos e utiliza a crise para fomentar o ódio contra a população estrangeira na Europa.

A presidente da Comissão Europeia, a alemã conservadora Ursula von der Leyen, compareceu perante o Parlamento para prestar contas de sua gestão no último ano, e parte de seu discurso concentrou-se na crise migratória de Ceuta, que se tornou uma prioridade no debate europeu.

Von der Leyen afirmou: “Todas as nossas fronteiras externas são fronteiras europeias. Por isso, gostaria de me dirigir diretamente ao povo espanhol. A fronteira de Ceuta é uma fronteira europeia. Porque Ceuta é Espanha. Ceuta é Europa. E a Europa estará aí para vocês.”

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, comprometeu-se a criar até 10 mil vagas para acolher migrantes em Ceuta. Nas próximas semanas serão construídas até quatro mil novas vagas, que se somarão às seis mil já em funcionamento ou em fase final de construção, como ocorre com o acampamento humanitário no porto de Ceuta, que deverá começar a funcionar em breve para oferecer abrigo e alimentação a mil pessoas.

Sánchez também foi questionado pelos meios de comunicação sobre a situação dos migrantes menores de idade em Ceuta, estimados em mais de dois mil. Respondeu: “Isso perguntem a Vivas”, em referência a Juan Jesús Vivas, presidente da cidade autônoma, do conservador Partido Popular, que defende a expulsão imediata de todos os migrantes que permanecem na cidade.

Vivas respondeu algumas horas depois ao chefe do governo: “Parece-me inaudito que a pessoa que tem a obrigação constitucional de proteger nossa integridade territorial tente se eximir dessa responsabilidade culpando o governo de Ceuta, além do fato de que o registro dos menores e sua entrega aos serviços de acolhimento são de competência da Administração Geral do Estado.”

Por fim, o portal informativo elDiario.es publicou uma investigação na qual duas dezenas de migrantes em Ceuta denunciam ter sofrido espancamentos e humilhações por parte dos militares mobilizados na região. A denúncia é acompanhada de numerosas fotografias nas quais aparecem migrantes com os rostos cobertos de hematomas ou ensanguentados. Há poucos dias, duas patrulhas militares também foram denunciadas pela organização humanitária No Name Kitchen por bloquear a distribuição de alimentos aos migrantes e insultar as voluntárias, chamando-as de “cadelas”.

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