delcy-rodriguez-vai-a-onu-e-pode-se-reunir-com-trump-apos-acordo-que-entrega-petroleo-venezuelano-aos-eua-dialogos-do-sul-global

Delcy Rodríguez vai à ONU e pode se reunir com Trump após acordo que entrega petróleo venezuelano aos EUA Diálogos do Sul Global

Após acordos petrolíferos com empresas dos EUA, possível encontro com Trump amplia as dúvidas sobre os rumos da política de Delcy Rodríguez, enquanto movimentos chavistas denunciam o que chamam de “saque imperialista”

A presidente Delcy Rodríguez pretende viajar a Nova York na próxima semana para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), informou uma fonte ligada aos preparativos da viagem.

File:Delcy Rodríguez portrait (alt crop).jpg - Wikimedia Commons
Delcy Rodríguez – Wikimedia

Caso se concretize, esta será a viagem de mais alto nível realizada até agora pela sucessora de Nicolás Maduro, depois da agressão militar perpetrada pelos Estados Unidos em 3 de janeiro e da mudança de rumo nas relações entre os dois países.

Embora a participação na Assembleia sirva para reforçar sua imagem institucional, tanto interna quanto externamente, a presença de Rodríguez em Nova York desperta interesse pelas possibilidades que abre à margem das Nações Unidas. A agenda em preparação incluiria um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo a mesma fonte.

Empresário acusado de corrupção vira ponte entre Trump e Delcy Rodríguez pelo petróleo da Venezuela

De acordo com o veículo Axios, porém, a reunião também está prevista na agenda de Donald Trump para a próxima semana, à margem das atividades da ONU. O governo de Trinidad e Tobago também informou sobre um encontro da primeira-ministra Kamla Persad-Bissessar com Delcy Rodríguez em Nova York.

Também não estão descartadas outras reuniões bilaterais com líderes da China, Rússia ou Irã, que estariam interessados em esclarecer a situação de seus interesses na Venezuela depois das recentes assinaturas de acordos e contratos no setor petrolífero com empresas estadunidenses, alguns dos quais envolvem projetos anteriormente administrados por esses países.

Da mesma forma, a presença da mandatária em Nova York gera expectativas sobre como ela abordará a situação de Nicolás Maduro, atualmente confinado em uma prisão dessa mesma cidade após seu sequestro no início do ano. Analistas locais perguntam se Rodríguez solicitará a Washington as autorizações necessárias para uma visita formal ou se, ao contrário, passará pela cidade ignorando essa possibilidade.

Movimentos chavistas rejeitam acordo com os EUA

Na manhã de quinta-feira, várias organizações de esquerda, juntamente com grupos sindicais, manifestaram-se contra os acordos petrolíferos assinados entre Venezuela e Estados Unidos. Representantes do Partido Comunista criticaram a abertura às empresas transnacionais e exigiram o aumento do salário mínimo para um patamar digno. Os manifestantes marcharam da Universidade Central até a Plaza Venezuela, carregando cartazes nos quais se lia: “Trump fora da Venezuela” e “Não ao saque imperialista”.

Segunda rodada de diálogo

Ontem foi instalada, no Hotel Meliá Caracas, a segunda rodada do diálogo entre o governo e a oposição apoiada por Washington. Jorge Rodríguez, chefe da equipe negociadora governamental, publicou fotos da reunião, mas não houve informações sobre as conversações. Por sua vez, Dinorah Figuera, que lidera a delegação da oposição apoiada por Washington, havia antecipado que, desta vez, haveria avanços no processo que conduzirá à renovação do Tribunal Supremo de Justiça, acordado na primeira rodada de conversações realizada no início de agosto, e que seriam abordadas questões relacionadas aos “direitos civis e políticos”.

Meios de comunicação desbloqueados

A Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) ordenou nesta quinta-feira aos provedores de internet que desbloqueassem o acesso às páginas de diversos meios de comunicação nacionais e internacionais que haviam sido restringidos no país. Até o fechamento desta edição, 14 sites de notícias haviam sido liberados. A secretária-geral do Colégio Nacional de Jornalistas, Del Valle Canelón, alertou que ainda permanecem 50 portais aos quais não é possível ter acesso.

As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *