Militares do Comando Sul atuaram com a Polícia Nacional em operações contra uma estrutura que o governo de Daniel Noboa atribui ao Cartel Jalisco Nova Geração, enquanto oito províncias permanecem sob estado de exceção
Por meio das contas nas redes sociais do presidente do Equador, Daniel Noboa, foi informada a participação ativa de militares dos EUA em operações policiais no Equador que resultaram, até a última quarta-feira, em 30 detidos e três execuções extrajudiciais de integrantes de um grupo criminoso supostamente relacionado ao mexicano Cartel Jalisco Nova Geração.

O mandatário equatoriano escreveu: “Ontem, perante a ONU (Organização das Nações Unidas), falei de uma realidade: nenhum Estado pode enfrentar sozinho um inimigo que atravessa fronteiras.
E hoje, sob a direção da Polícia Nacional e com o apoio da DEA (agência antidrogas dos Estados Unidos) e do Comando Sul, desarticulamos uma estrutura vinculada ao Cartel Jalisco Nova Geração e detivemos mais de 30 pessoas. Grande trabalho em nossa missão de recuperar o Equador e a região”.
E, horas antes, mostrando imagens de três corpos abatidos em uma estrada da província de Manabí, afirmou: “Este é o resultado para aqueles que procuram ameaçar os equatorianos e para aqueles que acreditam que podem financiar o crime de qualquer parte do mundo.
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Nossas Forças Armadas, em cooperação com o Comando Sul, executaram uma operação na qual foi abatido o alvo militar conhecido como Charlie, operador logístico e financeiro de redes internacionais de narcotráfico”.
De acordo com os informes policiais, a investigação conjunta com os Estados Unidos “permitiu identificar uma estrutura dedicada ao armazenamento, intermediação, distribuição, transporte e comercialização de grandes quantidades de drogas provenientes da Colômbia, que pretendiam ser enviadas por via marítima, a partir dos portos de Guayaquil e Machala, para a América Central, os Estados Unidos e a Europa”.
Todas essas operações ocorrem, além disso, enquanto vigora o estado de exceção em oito províncias do país sul-americano e, em quatro delas, um toque de recolher que proíbe a movimentação e a livre circulação de pessoas da meia-noite às cinco da manhã.
Segundo o ministro do Interior, John Reimberg, na província de Guayas ocorreu “um dos golpes mais contundentes”, pois foram detidos o suposto chefe da estrutura criminosa e seu presumido financiador. Além disso, nos vídeos divulgados pelo ministro, podem ser vistos policiais equatorianos e militares estadunidenses entrando em um luxuoso condomínio privado de Isla Mocolí e em outro de Samborondón para deter os dois suspeitos.
Nos informes oficiais, consta que, durante essas operações de busca, foram encontrados vários relógios de luxo, joias, celulares, veículos de alto padrão e armas de fogo.
“Em vez de se matarem entre si [em disputas por território], dedicavam-se a enviar drogas. Não têm vínculos com nenhum grupo do Equador, pois o grupo trabalha diretamente para o Cartel Jalisco Nova Geração”, disse Reimberg.
E explicou que, com o emprego de 320 integrantes da Polícia Nacional e 50 membros do Comando Sul, foi possível desmantelar a estrutura criminosa, desde seus comandos superiores até seus membros operacionais.
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