Após acordos petrolíferos com empresas dos EUA, possível encontro com Trump amplia as dúvidas sobre os rumos da política de Delcy Rodríguez, enquanto movimentos chavistas denunciam o que chamam de “saque imperialista”
A presidente Delcy Rodríguez pretende viajar a Nova York na próxima semana para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), informou uma fonte ligada aos preparativos da viagem.

Caso se concretize, esta será a viagem de mais alto nível realizada até agora pela sucessora de Nicolás Maduro, depois da agressão militar perpetrada pelos Estados Unidos em 3 de janeiro e da mudança de rumo nas relações entre os dois países.
Embora a participação na Assembleia sirva para reforçar sua imagem institucional, tanto interna quanto externamente, a presença de Rodríguez em Nova York desperta interesse pelas possibilidades que abre à margem das Nações Unidas. A agenda em preparação incluiria um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo a mesma fonte.
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De acordo com o veículo Axios, porém, a reunião também está prevista na agenda de Donald Trump para a próxima semana, à margem das atividades da ONU. O governo de Trinidad e Tobago também informou sobre um encontro da primeira-ministra Kamla Persad-Bissessar com Delcy Rodríguez em Nova York.
Também não estão descartadas outras reuniões bilaterais com líderes da China, Rússia ou Irã, que estariam interessados em esclarecer a situação de seus interesses na Venezuela depois das recentes assinaturas de acordos e contratos no setor petrolífero com empresas estadunidenses, alguns dos quais envolvem projetos anteriormente administrados por esses países.
Da mesma forma, a presença da mandatária em Nova York gera expectativas sobre como ela abordará a situação de Nicolás Maduro, atualmente confinado em uma prisão dessa mesma cidade após seu sequestro no início do ano. Analistas locais perguntam se Rodríguez solicitará a Washington as autorizações necessárias para uma visita formal ou se, ao contrário, passará pela cidade ignorando essa possibilidade.
Movimentos chavistas rejeitam acordo com os EUA
Na manhã de quinta-feira, várias organizações de esquerda, juntamente com grupos sindicais, manifestaram-se contra os acordos petrolíferos assinados entre Venezuela e Estados Unidos. Representantes do Partido Comunista criticaram a abertura às empresas transnacionais e exigiram o aumento do salário mínimo para um patamar digno. Os manifestantes marcharam da Universidade Central até a Plaza Venezuela, carregando cartazes nos quais se lia: “Trump fora da Venezuela” e “Não ao saque imperialista”.
Segunda rodada de diálogo
Ontem foi instalada, no Hotel Meliá Caracas, a segunda rodada do diálogo entre o governo e a oposição apoiada por Washington. Jorge Rodríguez, chefe da equipe negociadora governamental, publicou fotos da reunião, mas não houve informações sobre as conversações. Por sua vez, Dinorah Figuera, que lidera a delegação da oposição apoiada por Washington, havia antecipado que, desta vez, haveria avanços no processo que conduzirá à renovação do Tribunal Supremo de Justiça, acordado na primeira rodada de conversações realizada no início de agosto, e que seriam abordadas questões relacionadas aos “direitos civis e políticos”.
Meios de comunicação desbloqueados
A Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) ordenou nesta quinta-feira aos provedores de internet que desbloqueassem o acesso às páginas de diversos meios de comunicação nacionais e internacionais que haviam sido restringidos no país. Até o fechamento desta edição, 14 sites de notícias haviam sido liberados. A secretária-geral do Colégio Nacional de Jornalistas, Del Valle Canelón, alertou que ainda permanecem 50 portais aos quais não é possível ter acesso.
As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.
