O veículo do senador colombiano Alexander López, do Pacto Histórico, foi crivado de balas nesta terça-feira (20) por mais de dez homens fortemente armados, no departamento do Cauca. Na região sudoeste, a extrema-direita e o narcotráfico se negam a cumprir os Acordos de Paz assinados em 2016 para pôr fim a mais de 50 anos de conflito. Mancomunados, continuam o banho de sangue e fazem o jogo do imperialismo estadunidense, tentando desestabilizar o país e encerrar o ciclo de mudanças iniciado em 2022 com o presidente Gustavo Petro.

Com Cepeda, candidato do governo muito à frente nas pesquisas e com possibilidades reais de vencer no primeiro turno, só resta aos grupos terroristas afetar o processo eleitoral com bombas, dando uma sobrevida ao fascismo. Assim, emboscaram o carro do senador Alexander López logo após ele participar de um comício em apoio à candidatura do Pacto Histórico, quando se deslocava da cidade de Popayán para Cali.
“Eles começaram a atirar, meu veículo foi atacado, eles o pararam e entraram”, relatou Alexander López. A partir de então, disse, “perguntaram ao motorista: ‘Onde está o chefe?’”, relatando como levaram seu carro e um de seus guarda-costas, que conseguiu escapar no meio do trajeto “quando tomou uma decisão muito corajosa e saltou do veículo em movimento para dentro da mata”.
“Eles pararam o carro e começaram uma perseguição, atirando com fuzis contra ele, mas ele conseguiu escapar do ataque”, salientou. “Esta é uma situação extremamente grave, porque exatamente no local onde atacaram meu veículo e onde aparentemente pretendiam me sequestrar ou matar, 21 agricultores do Cauca foram assassinados há 20 dias”, disse.
Conforme o presidente Gustavo Petro, o carro foi atingido por projéteis disparados “pelo grupo armado do narcotráfico liderado por Iván Mordisco”. Segundo esclareceu, outro veículo, pertencente a um prefeito de Santander de Quilichao, também “foi atacado”. A investida ocorreu “a um quilômetro” do local onde outro atentado a bomba deixou 21 civis mortos e 35 feridos no fim de abril, observou o presidente.
Também no Cauca, a candidata à vice-presidência Aida Quilcué, liderança indígena, defensora dos direitos humanos e companheira de chapa de Cepeda, foi sequestrada por algumas horas em fevereiro.
Campanha marcada por truculência, assassinatos e sequestros na Colômbia
Desta forma, a campanha presidencial tem sido marcada por forte truculência, assassinatos e sequestros de lideranças dos movimentos sociais, com a violência se somando a um tsunami de abusos por parte dos fascistas, que encontram na segurança pública um ponto forte do atual governo, ao lado da geração de empregos e do fortalecimento do salário mínimo.
Apesar de ser amplamente favorito nas eleições do próximo 31 de maio, Cepeda — reconhecido por seu papel à frente dos acordos de paz — enfrenta oposição de grupos terroristas patrocinados pelo governo Trump e pelos cartéis midiáticos.

Os principais candidatos da extrema-direita, o multimilionário Abelardo de la Espriella e a senadora uribista Paloma Valencia, condenam abertamente a política de paz defendida pelo Pacto Histórico e prometem reprimir ilegalmente quem se insurgir contra suas arbitrariedades — a mesma política que importou armas e agentes dos EUA — e fracassou.
Para o jornalista e cientista social Oscar Daniel Sotelo Ortiz, “a candidatura de Iván Cepeda deixou claro que não irá mais atacar o camponês que cultiva, mas o patronato narco, que arranca lucros exorbitantes das economias ilegais”. “Ao atacar o senador Alexander López, um sindicalista, um peso-pesado da esquerda”, analisa Ortiz, “buscam confrontar abertamente a autoridade de Petro em uma região em ebulição”, “controlada pelos latifundiários tradicionais, por famílias conservadoras de extrema-direita”.
A jogada de Gustavo Petro para fortalecer a esquerda na Colômbia
“Na região do Cauca, assim como na do Catatumbo, está concentrada a maior parte da produção de coca. É um corredor estratégico de saída para o Pacífico, onde há muitas comunidades camponesas, negras, indígenas e ancestrais, com uma pressão social latente”, acrescentou, descrevendo a efervescência local.
De acordo com Luisa Fernanda Montaño Buitrago, liderança social da Associação Camponesa Magdalena do Meio, é pelo fracasso desta receita ultrapassada do uribismo que os colombianos estão respondendo com Iván Cepeda e Aida Quilcué.
“Todos lembramos muito bem o que significaram os tempos de Álvaro Uribe (2002-2010). Foram os tristes tempos dos falsos positivos, quando o Exército assassinou milhares de civis inocentes e os vestia de guerrilheiros. Foram tempos em que se massacraram famílias inteiras no campo para concentrar ainda mais poder em mãos como as do general Palomino, dos filhos de Álvaro Uribe — Tomás e Jerónimo — e do primo de Paloma Valencia, Nicolás Laserna Serna, recentemente obrigado a devolver 6.182 hectares no departamento de Vichada”.
Esta cobertura da Agência ComunicaSul de Comunicação Colaborativa só foi possível graças ao apoio do Sindicato dos Bancários de São Paulo; Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo; jornal Hora do Povo; Vermelho; Diálogos do Sul Global (DSG); Correio da Cidadania; Barão de Itararé; vereador Werner Rempel (PCdoB-RS), de Santa Maria; professor Azuaite, de São Carlos (SP); Instituto Angelim; além de vários colaboradores anônimos.

