O Ministério da Educação (MEC) divulgou, no dia 20, dados estarrecedores sobre o desempenho dos professores da educação básica, aquela que abriga nossas crianças, ou seja, o futuro do país.

Mais de um terço dos professores não alcança nível básico para dar aulas. Foram avaliados 760.118 professores, e mais de 266 mil não alcançaram proficiência. A maior deficiência foi em matemática, área em que mais da metade não atingiu o nível básico. Artes também apresentou resultados alarmantes.
Os números revelam uma tragédia silenciosa que compromete o presente e ameaça o futuro do país. Uma nação que não consegue formar adequadamente seus próprios professores, dificilmente conseguirá oferecer educação de qualidade às novas gerações.
A matemática dessa crise é simples e brutal. Quanto menor a presença do Estado na educação, maior o espaço ocupado pela violência, pelo crime organizado, pela desestruturação familiar e pela barbárie social. Um país que abandona suas escolas abandona também o próprio futuro.
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Os números da violência sexual são igualmente assustadores. Crianças violentadas diariamente, mulheres vítimas permanentes de agressão e abuso, famílias destruídas pelo trauma e pelo medo. Não se trata apenas de criminalidade comum. Trata-se do resultado acumulado de décadas de abandono social, desigualdade extrema e destruição dos mecanismos de proteção e formação cidadã.
O Brasil desmontou progressivamente sua educação pública. Faltam investimentos, faltam escolas adequadas, faltam professores valorizados e falta, sobretudo, um projeto nacional de formação humana. O professor deixou de ser tratado como elemento estratégico do desenvolvimento nacional e passou a sobreviver em condições cada vez mais precárias.
Sem educação forte desaparece também a capacidade crítica da sociedade. Crescem a violência doméstica, o abuso infantil, a intolerância e a cultura da brutalidade disseminada diariamente pelas redes sociais, pela miséria e pela ausência de perspectivas para milhões de jovens.
A presença do Estado não pode se limitar ao aparato repressivo. Segurança pública não se resolve apenas com polícia, prisões ou endurecimento penal. Segurança pública começa na escola, na formação cidadã, no acesso à cultura, ao esporte, à convivência humana e ao trabalho digno.
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É preciso reconstruir a educação pública brasileira como eixo central de um projeto de salvação nacional. Isso exige prioridade absoluta para a formação de professores, valorização salarial, expansão das universidades públicas, fortalecimento da pesquisa e democratização do acesso ao conhecimento.
Nenhuma sociedade consegue enfrentar a violência estrutural abandonando suas crianças e seus jovens à ignorância, ao desemprego e ao desespero. O abandono educacional produz, inevitavelmente, uma sociedade adoecida.
O que está em jogo não é apenas a qualidade do ensino. O que está em jogo é o futuro civilizatório do país.
As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

