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Por que os áudios exclusivos, o indulto de Trump e o lobby de Netanyahu pariram o novo enclave em Honduras?

Áudios de WhatsApp, Signal e Telegram publicados com exclusividade pelo canal RED e Hondurasgate revelam uma operação de corrupção e ingerência política em Honduras, com a participação direta de Donald Trump e Benjamin Netanyahu, que, por meio do ex-presidente indultado Juan Orlando Hernández, negociam a expansão das Zonas de Emprego e Desenvolvimento Econômico, a construção de uma nova base militar e uma lei para incentivar o investimento em Inteligência Artificial.

Donald Trump e Benjamin Netanyahu se preparam para ampliar suas zonas de controle na América Central. Sua porta de entrada, desta vez, é Honduras, onde o ex-presidente Juan Orlando Hernández — condenado por narcotráfico a 45 anos de prisão em uma corte dos Estados Unidos e posteriormente indultado por Trump — tece afanosamente uma rede de corrupção para eliminar qualquer resistência.

A trama também envolve o atual presidente, Nasry Asfura, o presidente do Congresso Nacional, Tomás Zambrano, a conselheira eleitoral Cossette López-Osorio e a vice-presidente María Antonieta Mejía.

Todos eles aparecem em uma série de áudios de WhatsApp, Signal e Telegram obtidos com exclusividade pelo Canal RED e Hondurasgate, que revelam uma operação de ingerência política e corrupção desenfreada, que inclui o retorno de Hernández à presidência de Honduras com o apoio de Trump e financiamento israelense. O plano é simples: ceder ao binômio Estados Unidos-Israel as zonas de desenvolvimento, uma base militar e espaços para a inteligência artificial.

As conversas ocorreram entre janeiro e abril de 2026. Nelas, as sombras que pairavam sobre o processo eleitoral hondurenho — e que foram documentadas e denunciadas pelo Diario Red durante a campanha — deixaram de ser suspeitas.

A teia do poder: a operação de Trump, Netanyahu e Juan Orlando Hernández para controlar Honduras

A trama revelada pelos áudios tem um objetivo final: garantir o retorno de Juan Orlando Hernández à presidência de Honduras nas próximas eleições. Segundo o que se escuta nas conversas vazadas, o ex-mandatário não apenas planeja seu retorno físico ao país assim que todos os processos judiciais contra ele forem anulados, como também já negocia com Nasry Asfura uma sucessão pactuada. Nesse esquema, Asfura seria um presidente de transição que abriria caminho para que Hernández voltasse a se candidatar no próximo ciclo eleitoral. Se isso se concretizar, Hernández se converteria no principal operador político de Trump e do lobby israelense ligado ao governo de Benjamin Netanyahu na região, encarregado de transformar Honduras em uma zona estratégica de operações militares, logísticas e econômicas para os Estados Unidos, replicando o modelo das bases de Palmerola e das ZEDES, mas com um poder ainda mais concentrado. Não se trataria apenas de uma restauração pessoal do poder, mas da conversão do território hondurenho em um enclave geopolítico fundamental para os interesses estadunidenses diante da China e de outras potências na América Latina.

O indulto como pagamento político

As eleições presidenciais de 30 de novembro de 2026 em Honduras estiveram contaminadas por uma série de irregularidades: a contagem de votos, os resultados tardios, as campanhas sujas e as dúvidas sobre a legitimidade do processo.

Horas antes das eleições de 30 de novembro de 2026, o presidente Donald Trump anunciou por meio de sua rede social Truth Social que concederia indulto a Juan Orlando Hernández, condenado em 2024 a 45 anos de prisão por conspirar para importar cocaína para os Estados Unidos e por ter recebido dinheiro de Joaquín ‘El Chapo’ Guzmán para financiar fraudes eleitorais. Os promotores de Nova York haviam classificado Honduras como um narcoestado durante seu mandato, enquanto Juan Orlando era acusado de aceitar milhões em propinas de cartéis para protegê-los da lei.

Nesse mesmo anúncio, Trump apoiava explicitamente o candidato do Partido Nacional de Honduras, Nasry Asfura, ameaçando cortar a ajuda caso ele não fosse eleito. O que parecia um apoio político escondia um acordo mais sinistro: o retorno de Juan Orlando para o controle econômico e militar de Honduras.

A Operação Retorno

Os áudios vazados ao Canal RED revelam que o indulto foi articulado mediante um intenso lobby liderado por Roger Stone e pela bancada republicana nos Estados Unidos, com o apoio do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Segundo as conversas vazadas, o retorno do ex-mandatário a Honduras, a operação logística e sua próxima candidatura presidencial estariam sendo financiados integralmente por Israel.

Nesses áudios, o ex-presidente é ouvido coordenando diretamente com a conselheira eleitoral Cossette López-Osorio, o presidente do Congresso Nacional Tomás Zambrano e a ex-vice-presidente María Antonieta Mejía um plano para eliminar qualquer obstáculo judicial contra ele e aniquilar a oposição dos espaços de representação.

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A presidência de fumaça de Asfura

Embora Nasry Asfura tenha declarado durante a campanha não ter nenhuma ligação com Juan Orlando Hernández, os áudios demonstram que sua chegada à presidência fez parte de um plano desenhado por Donald Trump e Hernández. Após as controversas eleições de 30 de novembro, Asfura foi declarado vencedor com 40,27% dos votos sem que a contagem total tivesse sido concluída.

Funcionários eleitorais e o governo de saída de Xiomara Castro denunciaram irregularidades, enquanto os Estados Unidos restringiam vistos aos magistrados que impulsionavam a recontagem, incluindo Mario Morazán e Marlon Ochoa. Assim que tomou posse, Asfura viajou para Mar-a-Lago para se reunir com Trump, onde teriam negociado uma agenda de interesses estrangeiros.

O espólio de guerra: ZEDES, nova base militar e IA

Os áudios confirmam que Donald Trump e Benjamin Netanyahu buscam uma compensação milionária em troca da designação de presidentes. A negociação na residência da Flórida incluiu a expansão das Zonas de Emprego e Desenvolvimento Econômico (ZEDES), a construção de uma nova base militar, um tratado de livre comércio e uma lei para incentivar o investimento em Inteligência Artificial (IA), cujos contratos seriam entregues diretamente a empresas privadas estadunidenses, como a General Electric.

As ZEDES, conhecidas como estados privados ou cidades-modelo, foram apontadas por permitirem tribunais autônomos e sistemas jurídicos estrangeiros em território nacional, algo que organizações civis denunciam como uma cessão de soberania.

O Lawfare contra a democracia hondurenha

O principal operador dessa rede é Juan Orlando Hernández. Os áudios evidenciam como ele dá ordens diretas a Tomás Zambrano, presidente do Congresso Nacional, para que anule a coordenação com o presidente eleito Asfura e acelere os julgamentos de atores políticos que denunciaram as irregularidades eleitorais, mas também daqueles que teriam poder para manter os processos contra JOH.

A coordenação política para a implementação do lawfare fica evidente quando, sob pressão da conselheira Cossette López-Osorio, o Congresso atuou para a destituição dos políticos. No último 16 de abril, com 88 votos a favor, o plenário destituiu Marlon Ochoa (CNE), Mario Morazán, Lourdes Maribel Mejía e Gabriel Gutiérrez do Tribunal de Justiça Eleitoral (TJE). Anteriormente, em 25 de março, a purga havia alcançado o procurador-geral Johel Zelaya e provocado a renúncia sob coação da presidente da Suprema Corte, Rebeca Ráquel Obando.

O que as autoridades classificaram como atos legais, os áudios revelam como uma operação política de lawfare: um uso das instituições judiciais para eliminar adversários políticos. Após o vazamento dos áudios, o presidente do Congresso declarou que agiam com estrito apego à legalidade, embora as provas indiquem o contrário.

Este caso, que abala os alicerces da democracia hondurenha, expõe uma perigosa trama em que o poder econômico e político transnacional se impõe sobre a vontade popular. Honduras enfrenta agora a urgência de investigar esses vazamentos e impedir que o retorno de Juan Orlando Hernández consolide uma ditadura, financiada por interesses estrangeiros que buscam transformar o país em um enclave de controle geopolítico.

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