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Marco Rubio na Colômbia: EUA ampliam cooperação militar e negociam minerais críticos Diálogos do Sul Global

Acordo discutido em Barranquilla prevê cooperação em segurança, energia nuclear e minerais críticos, enquanto a presença de comandos estadunidenses enfrenta questionamentos legais e políticos na Colômbia

A “Doutrina Donroe” desembarcou na Colômbia no dia 8 de setembro com a visita oficial do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que colocou sobre a mesa uma agenda baseada no combate ao narcoterrorismo (segurança) e aos recursos naturais de interesse de Washington.

Rubio chegou a Barranquilla, cidade caribenha situada aproximadamente 900 quilômetros ao norte de Bogotá, onde o ultradireitista Abelardo de la Espriella instalou sua sede alternativa de governo, que serviu de cenário para uma reunião de 120 minutos.

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Abelardo de la Espriella – wikipedia

“Avançamos em uma agenda conjunta para fortalecer a segurança regional, combater formalmente o narcoterrorismo, cumprir e colaborar nos assuntos fronteiriços e abrir novas oportunidades de investimento, desenvolvimento e prosperidade para nossos povos”, resumiu o ultradireitista De la Espriella após a reunião.

Ao que Rubio acrescentou: “Este governo herdou uma série de desastres, decisões ruins que foram tomadas. Tem que corrigir erros de quatro anos, além de um desastre natural. Existem novas oportunidades de criar prosperidade para o povo colombiano”.

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“Reconstruir a pátria, recuperar a economia e blindar o hemisfério”, sintetizou o ultradireitista, ao denominar a reunião de “Acordo de Barranquilla”, sem revelar mais detalhes.

A chancelaria colombiana antecipou a assinatura de um acordo de entendimento sobre dois temas específicos relacionados à energia nuclear e aos minerais críticos, e incluiu na agenda a presença de comandos estadunidenses em território colombiano para o combate ao narcoterrorismo.

Este último ponto, a presença de tropas estadunidenses em território colombiano, não está isento de polêmica, pois o contencioso administrativo, ao qual o governo deve, por lei, encaminhar uma consulta, confirmou que não foi solicitado nenhum parecer, assim como o Congresso, autorizado pela Constituição a aprovar a presença militar estrangeira no país. O tema será objeto de controle político por parte do Pacto Histórico.

“Se vocês lerem nossa Estratégia de Segurança Nacional, tenho certeza de que todos a leram com muita atenção, página por página, verão que ela destaca que uma de nossas prioridades é fortalecer nossa presença no Hemisfério Ocidental”, antecipou Rubio, antes de iniciar sua viagem pela Colômbia, pelo Equador e pelo Peru, os três países sul-americanos que visitará neste giro.

“A grande pergunta diante da visita de Marco Rubio à Colômbia é se a política externa de De la Espriella tem como objetivo preservar a relativa autonomia que a política externa do país teve ao longo das últimas décadas ou se será convertida em um simples satélite de (Donald) Trump”, antecipou o historiador e comentarista Juan Carlos Flórez, em diálogo com La Jornada.

A julgar pelos elogios mútuos entre os dois representantes da ultradireita hemisférica, a reflexão do historiador sobre a possibilidade de nos tornarmos “um simples satélite de Trump” foi corroborada pela declaração complacente de De la Espriella: “Este encontro de alto nível ratifica, com fatos e absoluta determinação, que a aliança estratégica entre a Colômbia e os Estados Unidos está mais firme do que nunca”.

“Com uma Venezuela convertida em um protetorado neocolonial que tem de entregar sua riqueza petrolífera aos Estados Unidos, isso deveria servir de alerta à Colômbia”, comentou Flórez, antes de serem conhecidas as declarações de ambos.

Mas isso não aconteceu. Nenhum sinal de independência resultou desta cúpula que, ao contrário, segundo o ultradireitista, será o começo da consolidação de uma relação com “o principal parceiro de segurança hemisférica dos Estados Unidos”.

Como era previsível, a agenda de Rubio, não apenas para a Colômbia, mas também para o Equador e o Peru, seus próximos destinos, está definida na Estratégia de Segurança Nacional — capítulo sobre o Hemisfério Ocidental —, na qual o combate ao narcoterrorismo e os recursos naturais — como as terras raras — são cruciais para a economia estadunidense, agora que a guerra com o Irã os colocou em sérias dificuldades.

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