Rixi Moncada, ex-candidata presidencial do Libre, cobra perícia independente nos áudios e investigação sobre quem contratou e financiou Cerimedo, com quem ele se reuniu e que estrutura digital operou nas eleições de 2025
“Depreende-se, pelas palavras do tristemente célebre delinquente argentino, o ex-assessor de Javier Milei, Fernando Cerimedo, que em Honduras não houve eleições em 30 de novembro, mas sim um Golpe de Estado Eleitoral, que marcou o início da ofensiva de Marco Rubio contra a esquerda continental”, afirmou o ex-ministro de Planificação Estratégica de Honduras, Ricardo Arturo Salgado Bonilla.
Segundo o dirigente do Partido Liberdade e Refundação (Libre), “o homem-chave da ‘onda’ fascista em todo o continente, Cerimedo — que acabou preso na Bolívia após ordenar o assassinato de sua companheira” — agora fornece os elementos para explicar como “abarrotaram de votos contrários as urnas ao partido” e dar a vitória a Nasry Asfura.
Os 19% de Cerimedo: operação golpe eleitoral em Honduras
Em 1º de dezembro de 2025, poucas horas após o fechamento das urnas, visitei um grupo de companheiros de coletivos que haviam atuado nas mesas eleitorais. O relato era estarrecedor, e os rostos estampavam raiva e frustração.
Um deles me disse: “nunca tínhamos perdido sequer uma urna no meu local de votação, mas ontem perdemos todas”; outro afirmou: “não conseguimos explicar o que aconteceu”. Esse fenômeno se repetiu por todo o país.
Bolsonaro, Bukele, Milei e Washington: a rede que Fernando Cerimedo conectou por dentro do poder
O resultado parecia indicar uma enorme rejeição da população ao governo da presidente Xiomara Castro, que foi a administração com maior investimento social na história nacional.
Obviamente, os resultados que os companheiros viam eram aqueles que chegavam em massa à central de apuração do Conselho Nacional Eleitoral.
Assim começou a se criar o mito de que havíamos sido derrotados com apenas 19% de aprovação — um número ainda repetido por deputados governistas, jornalistas e especialistas a serviço do golpe fascista em Honduras.
Os números não batiam, mas a velocidade de ação da ultradireita desmantelou a Procuradoria-Geral da República e, em menos de dois meses, já havia substituído a Suprema Corte de Justiça e aberto processos de impeachment contra o conselheiro Marlon Ochoa, o magistrado Mario Morazán (do Tribunal de Justiça Eleitoral) e o procurador-geral Johel Zelaya. Além disso, pressionou pela renúncia da presidente da Suprema Corte de Justiça. Foi uma celeridade que desestabilizou as instituições democráticas do país.
Mas a explicação nos foi enviada pelo homem-chave da “onda” fascista em todo o continente, o ex-assessor de Javier Milei, Fernando Cerimedo — que acabou preso na Bolívia após ordenar o assassinato de sua companheira; ela não apenas sobreviveu, como parece guardar a chave para revelar as perversidades cometidas por Cerimedo e aquelas que ele estava prestes a cometer. Hoje, muitas verdades circulam nas redes sociais, entre elas um áudio do próprio Cerimedo conversando com hondurenhos, no qual pede calma e explica: “nós já tínhamos identificado as urnas onde eles obtêm mais votos, e foi lá que inserimos os votos [contra eles]”.
Nesse mesmo áudio, Cerimedo, em tom de comando, instrui que “não podem contar voto por voto”. Nessas poucas linhas, descreve-se o que fizeram: abarrotaram de votos contrários as urnas do Partido Liberdade e Refundação (Libre), tirando-o assim da contagem; além disso, isso marcou o início da operação para destruir o Libre, baseada na premissa de que a grande maioria do povo nos odeia. Depreende-se, pelas palavras do tristemente célebre delinquente argentino, que em Honduras não houve eleições em 30 de novembro, mas sim um Golpe de Estado Eleitoral, que marcou o início da ofensiva de Marco Rubio contra a esquerda continental.
De fato, o golpe em Honduras é tão importante que Cerimedo teria viajado ao país com um funcionário público argentino próximo a Milei, portando uma grande quantia em dinheiro, para conversar com Nasry Asfura — já na condição de “presidente” — e combinar a ingerência no México, bem como a desestabilização da Colômbia e do governo da presidente Claudia Sheinbaum.
Honduras seria o epicentro de toda a estratégia de destruição dos projetos populares na América Latina, incluindo a Venezuela e o atual sufocamento de Cuba. No entanto, parece que o grande prêmio é a pátria de Morelos, Zapata e Villa, no que é, a todas as luzes, uma nova forma de guerra do imperialismo na região — não apenas para reimpor a Doutrina Monroe, mas para desarticular a existência de vários países frágeis, como Honduras, onde as sociedades anônimas estão ganhando força em detrimento do Estado-nação.
Para o Libre, é importante explicar a toda a sua militância a falácia dos 19% e reformular a estratégia de combate, a qual deve passar, necessariamente, pela eliminação de uma série de movimentos desideologizados que pretendem negociar com a direita, dando-lhe razão nesta grande infâmia perpetrada em 30 de novembro de 2025.
