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Enquanto faz espetáculo, Trump ameaça críticos e governo prepara medidas para até anular eleição Diálogos do Sul Global

Casa Branca ameaça a licença da ABC, pune universidades e ataca opositores enquanto especialistas alertam para medidas oficiais capazes de manipular ou até anular as eleições legislativas de novembro, nas quais republicanos enfrentam projeções desfavoráveis

O governo Trump é um circo sem intervalos e, às vezes, há tantos atos simultâneos que nem se sabe para onde olhar. Bombas caem, são anunciadas novas sanções contra povos inteiros, mais crianças são enjauladas, direitos civis são anulados, a liberdade de expressão é cada vez mais limitada, opositores e dissidentes são publicamente ameaçados e… há uma corrida de carros na capital do país. Esse é o resumo do circo desta e de tantas outras semanas.

O espetáculo continua, com consequências cada vez mais graves dentro e fora do país.

No exterior: o estreito de Ormuz foi declarado “território estadunidense” pelo mandatário. Continuou-se acusando Cuba de ser o país mais perigoso não pelo poderio de suas armas, mas pelo de suas ideias e ideais, que aparentemente convencem estadunidenses inocentes demais.

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O estreito de Ormuz visto do espaço – NASA

São anunciadas operações militares conjuntas de forças estadunidenses dentro de países latino-americanos contra aqueles que “envenenam” estadunidenses, novamente aparentemente inocentes, com drogas.

E continuam sendo impostas sanções contra quase todos, desde povos inteiros até o Tribunal Penal Internacional.

Mas talvez a notícia mais importante da semana tenha sido a retirada do Canadá da negociação comercial com Washington, com o primeiro-ministro declarando que “avisei que os Estados Unidos estão tentando nos destruir para poder se apoderar de nós. E prometi que isso nunca, jamais, acontecerá. Estamos cumprindo essa promessa”.

Imprensa corporativa legitima loucura oficial dos EUA ao tratar delírios da Casa Branca como política

Dentro do país: o Executivo ameaçou processar criminalmente um centro de análise política por divulgar um relatório concluindo que o envio da Guarda Nacional não teve efeito sobre o crime, como afirmava a Casa Branca.

Em Nevada, só foi possível identificar 185 eleitores potencialmente não cidadãos, e não os quase 16 mil que a Casa Branca havia denunciado. Dissidentes que antes eram trumpistas foram novamente atacados pelo presidente como “perdedores” com “QI baixo”.

Harvard e outras universidades continuam sendo punidas pelo governo federal, acusadas de permitir o “antissemitismo” — ou seja, críticas a Israel. A rede nacional de televisão ABC está se defendendo contra a ameaça da Casa Branca de anular sua licença de transmissão; enquanto o diretor e o editor-chefe da revista das Forças Armadas, Stars & Stripes, foram demitidos pelo Pentágono por ousarem publicar reportagens sobre as condições deterioradas e os problemas de saúde mental de 5 mil marinheiros no porta-aviões Lincoln, mobilizado durante nove meses como parte da guerra contra o Irã.

Todas as semanas são documentadas as condições insalubres e cruéis dentro dos centros de detenção para imigrantes. No Texas, Liam, uma criança de 5 anos que caminhava para ir jogar futebol e estava prestes a entrar no jardim de infância, foi detido pelo ICE e agora está em uma dessas instalações carcerárias.

Supremacistas brancos marcharam em Michigan com palavras de ordem anti-muçulmanas e cartazes pela “deportação de 100 milhões” deste país. Em Washington, a nova era macartista agora alerta sobre a maior ameaça interna ao país, o comunismo, e até tenta fundir dois “inimigos” em um só: “os islamocomunistas”.

Neste fim de semana, carros de corrida competiram em uma pista no centro de Washington, DC, mais um espetáculo “patriótico” que, assim como o de artes marciais mistas (literalmente o equivalente a um circo de gladiadores) realizado nos jardins da Casa Branca há algumas semanas, foi promovido como ato oficial — e, como sempre, como negócio — para celebrar o 250º aniversário dos Estados Unidos.

Enquanto prosseguem os espetáculos e a grandiloquência tão incrivelmente medíocre que prevalece em Washington, especialistas alertam sobre preparativos e medidas oficiais para manipular e até anular as próximas eleições de meio de mandato, em novembro, que, segundo as previsões, serão adversas ao partido no poder.

O circo, com seus atos incessantes, suas acrobacias de engano e ameaça e suas palhaçadas, continuará até que o público — dentro e fora do país — decida não participar mais desse espetáculo.

Johnny Cash. Man in Black.

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