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Enquanto Colômbia enterra mortos do terremoto, De la Espriella abre território para tropas dos EUA e Israel Diálogos do Sul Global

Enquanto equipes de resgate removem escombros e buscam desaparecidos, o presidente colombiano autoriza manobras militares dos EUA e permite a entrada de soldados israelenses sob o argumento de ajuda humanitária, decisões questionadas por congressistas do Pacto Histórico

Em meio à incerteza e à tragédia após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o sudoeste colombiano, deixando cerca de 300 mortos, o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, camuflou duas decisões polêmicas que afetam a soberania nacional.

A primeira: autorizou que tropas dos Estados Unidos realizassem manobras contra o narcoterrorismo em território colombiano.

330px Official Presidential Portrait of President Donald J. Trump %282025%29.jpg?utm source=pt.wikipediaEm um ato de entrega de sua própria soberania, a decisão não foi anunciada por De la Espriella nem por seu ministro da Defesa, que se encontrava na cúpula, mas pelo secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Heseght, no âmbito da reunião do Escudo das Américas, no Panamá, nos dias 11 e 12 de agosto.

Camuflado no desastre provocado pelo terremoto e nas manifestações de solidariedade de todo o povo colombiano, que se mobilizou para apoiar as centenas de milhares de pessoas afetadas, De la Espriella não deu ao país uma explicação detalhada sobre o que pressupõe o plano de operações militares conjuntas pactuado com o governo do presidente Donald Trump.

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A segunda: permitiu que soldados das Forças de Defesa de Israel (FDI), exército acusado pela Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU de cometer genocídio contra o povo palestino na Faixa de Gaza, se apresentassem como uma “missão humanitária”, com funções de resgate em meio ao devastador terremoto.

As duas decisões, segundo congressistas do Pacto Histórico, de esquerda, violam flagrantemente a Constituição Política, que estabelece que o Congresso é o único poder do Estado autorizado a permitir a presença de tropas estrangeiras em território nacional.

Nada disso parece preocupar o presidente De la Espriella, que hoje, em sua conta no X, revelou detalhes de uma conversa telefônica que teve com o primeiro-ministro de Israel e foragido da Corte Penal Internacional, Benjamin Netanyahu. “Tive uma conversa muito calorosa e enriquecedora com o primeiro-ministro”, afirmou.

E, mais adiante, especificou que “agradeci profundamente por toda a ajuda humanitária e pelos socorristas que Israel enviou à Colômbia nestes momentos tão difíceis”.

Como se tudo estivesse coordenado, uma hora depois o líder dos supostos socorristas israelenses, Roni Kaplan, escreveu no X: “Sr. Presidente, com sua permissão, informo que somos 82 socorristas, engenheiros e tecnólogos a serviço de seu povo aqui na Colômbia. A esperança, para o judaísmo e para o Estado de Israel, não é esperar que as coisas melhorem; é trabalhar para que melhorem”.

Abelardo de la Espriella – Wikipédia, a enciclopédia livre
Abelardo de la Espriella – Wikipédia

Kaplan foi porta-voz das Forças de Defesa de Israel e sempre atuou como militar ativo do exército daquele país, que continua com o genocídio na Faixa de Gaza e invade e bombardeia o sul do Líbano.

Tudo é muito estranho, porque os supostos socorristas israelenses chegam a Cali, sim, cidade afetada pelo terremoto, mas, ao mesmo tempo, ela é a “capital da resistência”, como foi batizada depois da eclosão social de 2021, e se tornou o reduto político da esquerda que votou majoritariamente em Iván Cepeda, do Pacto Histórico, que perdeu por 1% dos votos para o advogado de ultradireita.

A catástrofe continua

Cinco dias depois de concluídas as tarefas de busca e resgate de sobreviventes, a Unidade Nacional para a Gestão de Riscos e Desastres (UNGRD) divulgou o último relatório sobre o terremoto ocorrido em 10 de agosto.

O número de pessoas mortas subiu para 294, enquanto o número de feridos chegou a 3.935. No fechamento desta edição, os desaparecidos somavam 320; os cidadãos resgatados totalizavam 353. Os departamentos afetados pelo desastre natural foram 15 dos 32 que compõem o território colombiano; os municípios atingidos somam 448 dos 1.200 existentes no país.

As famílias afetadas pelo tremor de terra são estimadas em 54.008, e a população atingida pelo desastre chegou a 115.461 pessoas.

Desde ontem, começou a etapa de remoção de enormes montanhas de escombros, sobretudo nos centros urbanos mais afetados e com maior número de habitantes, como Cali e Pereira, onde também foi registrado o maior número de mortos.

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