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Cubanos em situação degradante no Brasil: 7,6 mil solicitam refúgio em Roraima

Crise econômica, bloqueio, desastres climáticos e redes de coiotes impulsionam o crescimento da migração pela fronteira de Roraima

São imigrantes cubanos trazidos por coiotes pela rota da Amazônia, chegando ao Brasil pela fronteira entre a Guiana e o estado de Roraima. No dia 8 de junho, a Polícia Rodoviária Federal resgatou 108 cidadãos cubanos, entre adultos, idosos e crianças, submetidos a condições degradantes de transporte e sobrevivência. Alguns estavam havia até dois dias sem se alimentar.

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A Polícia do Estado de Roraima, resgatou 108 migrantes cubanos Reprodução: Twitter X @Altosnoticiasp1

Na operação, 16 suspeitos de integrar redes de tráfico de migrantes foram presos. Segundo as investigações, os coiotes cobram cerca de 10 mil dólares por pessoa. O pacote inclui transporte aéreo de Havana até a Guiana, hospedagem, transporte terrestre e a travessia clandestina da fronteira. O lucro é ampliado pela superlotação dos veículos utilizados no trajeto.

Segundo o ministro da Justiça, automóveis fabricados para transportar no máximo cinco pessoas chegam a levar dez passageiros. Em alguns trechos, os transportadores cobram até 300 dólares por pessoa.

O crescimento da migração cubana para o Brasil é expressivo. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, houve 41,9 mil solicitações de refúgio em 2025, quase o dobro das 22,3 mil registradas no ano anterior. Em 2026, já foram contabilizados 13,4 mil pedidos.

A situação na ilha é periclitante. A população enfrenta frequentes interrupções no fornecimento de energia elétrica, escassez de alimentos e dificuldades crescentes para garantir condições mínimas de sobrevivência. O quadro se agravou com o endurecimento das sanções e do bloqueio econômico impostos pelos Estados Unidos após o retorno de Donald Trump à presidência.

Segundo o Observatório das Migrações Internacionais e a Polícia Federal, mais de 7,6 mil cubanos solicitaram refúgio por Roraima entre janeiro e abril de 2026, mais que o dobro dos 3.017 venezuelanos que pediram proteção internacional no estado. Em 2025, foram 20.860 cubanos, ante 14.898 venezuelanos.

A situação econômica de Cuba é extremamente grave. Mas não é o único fator que impulsiona a migração. Um elemento igualmente importante é a crise climática, que vem afetando diretamente a produção agrícola e as atividades econômicas que sustentam boa parte da população.

A ilha tem sido atingida por sucessivos ciclones que destroem infraestrutura, plantações e sistemas de abastecimento. Ao mesmo tempo, secas prolongadas e regimes irregulares de chuva comprometem a produção de alimentos.

Médicos cubanos demonstraram ao mundo que, apesar do bloqueio, resposta está na solidariedade

Como explica a professora e socióloga Marcia Maria Oliveira, da Universidade Federal de Roraima, a combinação entre crise econômica e eventos climáticos extremos tornou-se decisiva na expulsão de trabalhadores e camponeses de suas regiões de origem.

O drama vivido pelos cubanos que chegam ao Brasil revela uma realidade frequentemente ignorada. Por trás dos números das migrações existem famílias inteiras que abandonam suas casas, vendem seus bens e enfrentam longas jornadas em busca de sobrevivência.

Enquanto persistirem o bloqueio econômico, a deterioração das condições de vida e os impactos cada vez mais severos das mudanças climáticas, a tendência é que o fluxo migratório continue crescendo, alimentando um mercado clandestino que lucra com o desespero humano.

A solidariedade com Cuba não pode se limitar às palavras ou às declarações diplomáticas. Ela precisa se traduzir em ações concretas. A acolhida humanitária aos imigrantes cubanos que chegam ao Brasil em situação desesperadora é uma obrigação moral e um gesto de fraternidade entre povos que compartilham a mesma história de resistência. Diante do sofrimento humano, a resposta deve ser a solidariedade, a proteção e o respeito à dignidade das pessoas.

As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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