Após atacar a mobilização estudantil, mandatário reconhece o esgotamento social do país enquanto enfrenta queixa-crime na Justiça por acobertamento de suborno empresarial
O presidente Javier Milei desqualificou a recente marcha multitudinária em defesa da Universidade Pública ao mesmo tempo em que reconheceu a grave deterioração social no país, assim como ter causado uma “enorme frustração” às pessoas, em uma entrevista na semana de 10 de maio.
O mandatário atribuiu a mobilização à oposição política (peronismo). Ao mesmo tempo, assegurou que, supostamente, enfrentou um “golpe de Estado” que teria ocorrido após a vitória da governista Liberdade Avança (LLA) nas eleições da capital.
Da mesma forma, disse compreender que “gerou uma enorme frustração” nas pessoas com os programas de ajuste e que “não se pode esquecer que há pessoas por trás disso”. Em seguida, despejou uma catarata de insultos: “Não é… como eu me masturbo melhor com um modelo! É que tenho que tomar decisões em um mundo com uma incerteza da (…) puta que pariu”, e voltou a atribuir à oposição a paralisia econômica.
Sustentou também que resistiu a uma tentativa de suborno que lhe foi oferecida por um empresário, motivo pelo qual a deputada Marcela Pagano, que se afastou do oficialismo, o denunciou à Justiça criminal por suposto acobertamento, já que dar ou receber suborno são crimes contra a ordem constitucional, e o mandatário era obrigado a denunciar o fato à Justiça.

Enquanto isso, o juiz federal Alejo Gómez Padilla apresentou uma medida cautelar contra a decisão oficial de fechar o Banco de Dados Genéticos, o que representa outro golpe contra os direitos humanos e, especialmente, contra as Avós da Praça de Maio, que conseguiram, após uma dura luta, sua incorporação à legislação nacional, permitindo identificar e recuperar mais de cem crianças entre os mais de 400 filhos de detidos-desaparecidos pelos militares durante a ditadura (1975-1983). As Avós e os organismos de direitos humanos permanecem em alerta diante das ações do governo Milei.
A perseguição político-judicial e midiática impulsionada pelo governo se acentuou enquanto a corrupção de funcionários de seu círculo íntimo se torna insustentável. Um de seus juízes “preferidos”, Julián Ercolini, processou a ex-promotora Viviana Fein, reconhecida por sua honestidade e profissionalismo, por suposto “acobertamento agravado” na investigação de supostas irregularidades na morte do promotor Alberto Nisman, em janeiro de 2015, que os peritos experientes da Suprema Corte atribuíram a suicídio.
Javier Milei enfrenta crise de popularidade e denúncias de corrupção na Argentina
No contexto de sua campanha eleitoral, Mauricio Macri, eleito presidente em 2015, utilizou o caso para promover a ideia do suposto assassinato de Nisman, pelo qual responsabilizava o governo da ex-presidenta Cristina Fernández de Kirchner.
Os meios de comunicação vinculados ao poder chegaram a afirmar que Nisman foi assassinado por um comando venezuelano e iraniano, o que foi desmentido pelos fatos. O promotor foi encontrado morto por sua mãe, Sara Garfunkel, na madrugada de 19 de janeiro de 2015 (sua morte ocorreu no dia 18), caído no banheiro, o que permitia apenas entreabrir a porta.
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