Diante das medidas arbitrárias de Trump, o Brasil acerta ao recorrer à OMC, iniciar o processo previsto na Lei da Reciprocidade e aprofundar as relações comerciais com os Brics e outros mercados.
O Brasil decidiu reagir ao novo tarifaço de Donald Trump. E reage corretamente: pela via diplomática, pelo direito internacional e pela defesa de seus próprios interesses.

O governo estadunidense impôs tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros, que, somadas a outras sobretaxas, podem chegar a 37,5%, sob o argumento de supostas práticas comerciais desleais do Brasil.
O governo brasileiro contesta essas acusações e apresentou evidências para refutá-las. Considera as tarifas injustificadas, arbitrárias e incompatíveis com as regras internacionais de comércio.
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A primeira reação foi levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). A China também pediu para participar das consultas abertas pelo Brasil na OMC.
Mas, diante da irracionalidade da política comercial de Trump, o governo brasileiro foi além e iniciou o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica.
Isso não significa que o Brasil esteja partindo imediatamente para uma guerra comercial. Significa que o país dispõe de instrumentos para reagir caso a negociação não produza resultados.
As medidas de reciprocidade, se aplicadas, devem ser proporcionais ao impacto econômico provocado pelos Estados Unidos. Reciprocidade não pode ser confundida com aventura. O objetivo é defender a economia brasileira, sem provocar novos prejuízos às empresas e aos consumidores.
O Itamaraty mantém aberta a via diplomática e afirma que o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis. Essa é a atitude correta: negociar enquanto houver espaço para negociação, mas sem abrir mão da soberania e dos interesses nacionais.

Os números já mostram os efeitos da política de Trump. Entre janeiro e julho de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 12,2%, somando US$ 21 bilhões. Entre os produtos submetidos às sobretaxas mais elevadas, a queda chegou a 31,5%.
Somente em julho, as exportações brasileiras para o mercado estadunidense caíram 5%, para US$ 3,64 bilhões. As importações provenientes dos Estados Unidos ficaram em US$ 4,28 bilhões. No acumulado de janeiro a julho, o Brasil registrou déficit comercial de aproximadamente US$ 2,3 bilhões com os Estados Unidos.
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Ao mesmo tempo, porém, o comércio exterior brasileiro como um todo continua mostrando força. Em julho, a balança comercial do país registrou superávit de aproximadamente US$ 7,1 bilhões. Enquanto diminuíram as vendas para os Estados Unidos, cresceram as exportações para outros mercados importantes, particularmente a China.
É justamente aí que está uma questão estratégica muito maior do que o próprio tarifaço.
O Brasil não pode ficar dependente de um único mercado. Precisa aprofundar suas relações com os Brics, fortalecer o comércio Sul-Sul e continuar procurando novos destinos para seus produtos.
Isso não significa romper relações com os Estados Unidos. Os estadunidenses continuam sendo parceiros econômicos importantes e devem continuar sendo. Mas parceria não significa submissão.
O mundo está mudando. Os centros de poder econômico estão se multiplicando. O Brasil tem território, população, recursos naturais, capacidade produtiva e peso político suficientes para manter relações com todos, sem se colocar sob a tutela de ninguém.
Diante do tarifaço de Trump, portanto, o caminho escolhido pelo governo brasileiro é correto: negociar, recorrer aos organismos multilaterais, preparar a reciprocidade quando necessária e, sobretudo, diversificar nossas relações econômicas.
Aprofundar as relações com os Brics e abrir novos mercados é o caminho. Menos dependência, mais parceiros e soberania para o Brasil decidir com quem e em que condições quer comerciar.
