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“Roube esta história!”: Democracy Now faz 30 anos como voz independente contra a mídia corporativa dos EUA Diálogos do Sul Global

Criado a partir de coberturas ignoradas pelos grandes veículos, o noticiário progressista levou massacres, lutas indígenas, guerras e movimentos populares a milhões de pessoas e ajudou a romper silêncios da imprensa estadunidense

Em tempos em que boa parte dos meios de comunicação corporativos dos EUA está se submetendo à pressão do governo de Donald Trump para se autocensurar e até pagar tributo ao presidente, o veículo nacional de rádio e televisão Democracy Now! continua ferozmente independente e progressista e segue transmitindo vozes e perspectivas críticas e suprimidas por meio de mais de 1.500 estações de rádio, televisão e internet do país, alcançando um público de milhões de pessoas.

Democracy Now! - YouTube
Democracy Now! – YouTube

Um novo documentário, Roube esta história, por favor!, narra a história desse veículo progressista e de sua diretora e fundadora, Amy Goodman. Um tema central do documentário são as inúmeras vezes em que Goodman e sua equipe cobriram notícias nacionais e internacionais ignoradas pelos grandes meios de comunicação corporativos e, ao fazê-lo, obrigaram-nos a cobrir essas notícias.

Os documentaristas Tia Lessin e Carl Deal incluem, como exemplo, imagens de Goodman e do repórter Alan Nairn informando sobre o massacre de centenas de manifestantes pacíficos no Timor-Leste em 1991.

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Suas reportagens obrigaram os meios de comunicação corporativos estadunidenses a cobrir uma notícia que haviam ignorado e, com isso, alimentaram uma onda de protestos que pressionou o governo estadunidense a suspender a assistência militar ao governo da Indonésia. Essas reportagens levaram justamente à criação do Democracy Now!, comenta Goodman.

Mais adiante no filme, há cenas de Goodman cobrindo convenções dos partidos políticos, manifestações nas ruas e entrevistando inúmeros políticos, especialistas, líderes de movimentos e pessoas comuns que, de alguma maneira, fazem parte de alguma notícia.

Em 2016, a equipe do Democracy Now! cobria o protesto liderado por indígenas estadunidenses contra o Oleoduto Dakota Access, que colocava aquíferos em risco e violava terras sagradas da nação Sioux de Standing Rock. Outros meios de comunicação não cobriram os protestos, mas, posteriormente, os vídeos do Democracy Now! foram utilizados pela CNN e por centenas de outros noticiários de televisão.

STEAL THIS STORY, PLEASE! (2026) | DIRS. TIA LESSIN AND CARL DEAL — Musée Magazine
Poster de divulgação STEAL THIS STORY, PLEASE! (2026)

“Roube esta história, por favor!” (Steal this Story, Please!), repete Goodman várias vezes, ao instar os meios de comunicação corporativos a cobrir as vidas, experiências e demandas das pessoas comuns e dos movimentos nos Estados Unidos e em todo o mundo.

Democracy Now! entrevistou todo o elenco de vozes de figuras nacionais, de Jane Fonda, Noam Chomsky, Greta Thunberg, Edward Said, Paco Ignacio Taibo II, Angela Davis e Howard Zinn, entre milhares de outros. Bruce Springsteen, Patti Smith, Michael Stipe e Wagner Moura, entre outros, participaram da celebração do 30º aniversário do Democracy Now! em Nova York.

Goodman, que atribui à sua educação em uma família judia sua postura de questionar tudo e, finalmente, ao jornalismo, não se deixa intimidar por celebridades nem por políticos poderosos.

Na Convenção Nacional Republicana de 1992, pouco depois da primeira Guerra do Golfo Pérsico, Goodman perguntou ao então presidente George H. W. Bush: “O que o senhor diz àqueles que o chamam de criminoso de guerra pela invasão do Iraque?”. Esse tipo de pergunta direta, a partir de uma perspectiva progressista, não é comum no jornalismo deste país.

Nos dias atuais, o noticiário informa constantemente sobre o genocídio cometido por Israel em Gaza, a guerra contra o Irã, os protestos em massa contra as operações anti-imigrantes, além de realizar entrevistas com líderes progressistas como Bernie Sanders, Alexandria Ocasio-Cortez, Zohran Mamdani e Abdul El-Sayed.

Na semana passada, após a notícia da morte do ícone da música popular e country Dolly Parton, a atriz Jane Fonda falou sobre a experiência de trabalhar juntas no filme 9 to 5, e houve outro segmento sobre a visita do deputado Joaquin Castro, que descreveu uma de suas visitas ao centro de detenção de imigrantes Dilley, no Texas, e condenou a prisão de crianças naquele local.

Democracy Now!

Roube esta história, por favor! será exibido como parte da programação do Ambulante a partir desta quinta-feira, na Cidade do México, depois de centenas de exibições nos Estados Unidos.

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