Após ataques ucranianos contra refinarias, centros logísticos e outras infraestruturas russas, Moscou intensificou bombardeios contra instalações militares, transporte e exportações agrícolas da Ucrânia; Putin afirma que a resposta atingirá setores essenciais para a receita e o abastecimento do país
“É claro que não poderia ter ocorrido, nem ocorreu, nenhum ponto de inflexão em seu enfrentamento (da Ucrânia) com a Rússia. O regime de Kiev e seus patrocinadores não podem obter, não obtiveram e nunca obterão nenhuma vantagem”, afirmou neste sábado o chefe do Kremlin, Vladimir Putin.
Após participar do congresso do partido governista Rússia Unida, em um dos principais atos de campanha para as eleições legislativas de setembro, o mandatário minimizou a importância dos ataques que, desde 5 de julho passado, a Ucrânia realiza diariamente contra infraestruturas russas.

Ele fez isso em uma entrevista exclusiva ao jornalista Pavel Zarubin, cujo programa Vesti é transmitido aos domingos pela televisão pública deste país, que lhe pediu sua opinião sobre esses ataques.
A Ucrânia conseguiu “exatamente o contrário do que esperava”, disse Putin e acrescentou que “ao responder a essa escalada, que se baseia não em uma análise objetiva da situação nos campos de batalha, que não leva em conta como estão a economia ucraniana, a sociedade e o Estado, corroído pela corrupção, e se sustenta na promoção de sua imagem e de suas ambições, intensificamos nossos ataques contra empresas da indústria militar da Ucrânia, incluindo Kiev”.
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O presidente afirmou que “começamos a responder às ações do inimigo contra nossas instalações da indústria civil e nossa logística, o que afeta as possibilidades (da Ucrânia) de fornecer equipamentos e munições, assim como a rotação de efetivos na frente de batalha. Também dificulta que a indústria militar da Ucrânia aperfeiçoe suas armas, processo que é realizado com a participação direta de seus patrocinadores ocidentais”.
Ele sustenta que o “regime de Kiev se propôs a causar danos à nossa economia. E o que fez? Abriu ele mesmo a caixa de Pandora. Pois bem, receba nossa resposta contra os setores mais vulneráveis de sua economia, que, diga-se de passagem, está em seus últimos momentos. Isso também se refere à sua produção agrícola, cuja exportação representa para o regime de Kiev uma de suas principais fontes de receita”.
Continuou: “Querem destruir nossa logística?, podemos perguntar ao nosso inimigo. Pois bem, nossa resposta não tardará. Aí está. Os ataques do exército russo são, evidentemente, muito mais significativos e destrutivos. Eu avisei inúmeras vezes: sempre haverá uma resposta”.
Para Putin, o principal é que os ataques ucranianos não alteraram a situação na frente de batalha. Ele insistiu em sua convicção de que “nossas tropas não apenas prosseguem sua ofensiva em todas as direções (da frente), como também intensificaram o ritmo de seus avanços”, tese que muitos analistas colocam em dúvida.
O cientista político Mijail Sheitelman estima que, no mês passado, o Exército russo avançou cerca de 30 quilômetros quadrados em Donetsk. “Se esse ritmo for mantido, estaríamos falando de 360 quilômetros quadrados por ano e, nessa região, as tropas russas ainda precisam conquistar 6 mil quilômetros…
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