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Terremoto mata 265 na Colômbia, e De la Espriella restringe equipes de resgate por critério político Diálogos do Sul Global

Enquanto centenas de milhares de colombianos afetados clamam por ajuda e apoio para superar a situação crítica, o governo do presidente Abelardo de la Espriella confirmou que só receberá equipes de resgate de países aliados e ideologicamente afins.

“Colômbia só receberá equipes de Israel, El Salvador, Equador e Estados Unidos que cumprem protocolos internacionais, são autônomas e chegam para reforçar, não para substituir, a capacidade dos socorristas colombianos”, justificou o novo diretor da Unidade Nacional de Gestão de Riscos e Desastres (UNGRD), David Tamayo Roldán, que assume diretamente a coordenação das equipes e dos recursos necessários para solucionar a crise.

“As restrições aos países não incluem outro tipo de ajuda”, ponderou o chanceler Omar Bula, ao agradecer o envio de medicamentos por parte do México e a ajuda humanitária de El Salvador.

Imediatamente, o líder do Pacto Histórico e ex-presidente Gustavo Petro reagiu, em sua conta no X, a essa decisão inédita: “É um erro colocar filtro ideológico na ajuda internacional. A ajuda internacional é da humanidade e pela vida, e ponto”.

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O Ex-Presidente Gustavo Petro em protesto em Nova York em 2025 – Flickr

A propósito, um grupo de socorristas mexicanos, Los Topos Aztecas, que se encontrava em La Guaira, Venezuela, por causa dos catastróficos dois terremotos de 24 de junho passado, contou que “viemos à Colômbia para colocar toda a nossa experiência a serviço da população em Cali, uma das cidades mais devastadas pelo terremoto”.

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Depois de um dos socorristas ser questionado por um jornalista de rádio porque não pertenciam a uma missão estatal, o “Topo”, irritado, encerrou a comunicação: “essas perguntas eu não aceito, nós somos especialistas e estivemos em muitos países porque nos dedicamos a salvar vidas quando ocorrem tragédias como esta”, e desligou.

O presidente ultradireitista salvadorenho, Nayib Bukele, anunciou no X: “Já decolou rumo à Colômbia o segundo avião com 50 toneladas de ajuda humanitária para os afetados pelo terremoto”.

Com este novo voo, o Estado salvadorenho completa seu compromisso de enviar 100 toneladas de ajuda humanitária.

O embaixador da China na Colômbia, Zhu Jingyang, confirmou que seu governo prepara ajuda financeira e humanitária para a Colômbia após o terremoto. “Posso dizer que este é um montante importante”, afirmou, acrescentando que está prevista a concessão de ajuda financeira e assistência humanitária.

Pela primeira vez desde que ocorreu o terremoto de magnitude 7,4, o presidente, em 10 de agosto, De la Espriella apresentou uma cifra oficial consolidada de pessoas mortas: 265 e cerca de quatro mil feridos.

Outros dados divulgados por De la Espriella, a partir do Palácio de San Carlos, seu gabinete em Bogotá, são de que 496 pessoas estão desaparecidas e 25.872 famílias foram afetadas.

Sobre as perdas materiais deixadas pelo terremoto, forneceu os seguintes números: 11.347 moradias destruídas, 53.500 moradias danificadas, 140 edifícios colapsados, 1.819 centros educacionais danificados, 179 centros de saúde com falhas estruturais, 20 pontes rodoviárias afetadas e 203 vias afetadas.

Depois de apresentar esses números, De la Espriella confirmou que declarou emergência econômica.

“Decidi fazer uso da emergência econômica para poder enfrentar esta crise como corresponde. A emergência que proponho vai criar um fundo milagroso: uma entidade que vai canalizar os apoios nacionais e internacionais, que serão destinados à reconstrução de hospitais, centros educacionais, imóveis, vias e aeroportos”, explicou o presidente ultradireitista que, com essa prerrogativa concedida pela lei, poderá administrar recursos sem a necessidade de passar pelo Congresso.

Seis departamentos — Valle del Cauca, Chocó, Cauca, Caldas, Risaralda e Quindío — que, somados, abrigam aproximadamente 4 milhões de colombianos, continuam resistindo à destruição literal de muitos de seus municípios, e cidades grandes como Cali e Pereira buscam rapidamente remover as montanhas de escombros na esperança de encontrar sobreviventes.

As demonstrações de solidariedade também se multiplicam. Milhares levam água, comida e suprimentos aos bairros afetados, e há longas filas diante dos centros de doação de sangue.

Em Cali, um grupo de cineastas emprestou microfones, luzes e câmeras para identificar qualquer sinal de vida.

As horas estão se esgotando.

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