Nas imagens divulgadas pela Arquidiocese de Manizales, observa-se o padre Hugo Armando Gálvez segurando-se em uma das colunas do templo da Catedral de Manizales, enquanto o movimento sísmico sacudia a estrutura. Posteriormente, ficou evidente a inclinação de uma das torres da catedral.
Mais de 240 pessoas morreram na Colômbia em decorrência do terremoto de magnitude 7,4, informaram as autoridades estatais. O presidente Abelardo de la Espriella estimou em mais de 1.500 as moradias afetadas e elevou para 61 o número de edifícios completamente desabados.
A inclinação de uma das torres da Catedral de Manizales é uma imagem que os meios de comunicação tradicionais escolheram por meio da maquinaria midiática mainstream global, mas invisibilizam as dezenas de mortos e os danos sofridos pela população afro-colombiana em Cali e no Chocó.
Impactante foi o momento do desabamento da fachada do Hospital Universitário del Valle (HUV), em Cali, após o terremoto de 7,4. Uma grande nuvem de poeira cobriu a área enquanto a equipe médica se protegia do lado de fora. Essa instituição hospitalar entrou em alerta vermelho após o desabamento de 30% de sua infraestrutura, afetando os serviços de pediatria, ginecologia e obstetrícia e medicina interna. Cerca de 3.800 funcionários trabalham ali; aproximadamente 1.800 estavam de plantão durante o terremoto, e o centro recebe diariamente cerca de 11 mil pessoas.
Quero dar visibilidade às dezenas de civis em Cali que se mobilizaram massivamente nas áreas mais afetadas da cidade — sudoeste da Colômbia — para colaborar ativamente nos trabalhos de resgate. Movendo-se entre os escombros, os cidadãos civis trabalham de forma coordenada com as equipes de socorro para localizar e retirar com vida as pessoas que permanecem presas após o forte impacto do movimento sísmico.
Essa mobilização voluntária tornou-se um pilar fundamental para as operações de emergência na cidade, onde a rapidez da ajuda comunitária busca otimizar os tempos de resposta e oferecer apoio logístico direto aos profissionais de resgate nos pontos de desabamento. Essa imagem poderosa do trabalho comunitário (minga) é o símbolo da solidariedade e da resiliência do povo colombiano.
A Caracol TV, às 13h28, transmite outra imagem simbólica desse terremoto. Quarenta cidadãos civis estão cavando com as próprias mãos, sem ferramentas, em um edifício totalmente destruído na Calle 9, ao lado de uma farmácia; há apenas dois policiais nessa operação de resgate. Os civis caleños comentam: “Estamos ouvindo vozes que gritam por socorro debaixo dos escombros, já salvamos uma mulher e duas meninas com vida”.
O jornal El País, de Cali, informou às 12h43 que “um edifício de pelo menos quatro andares desabou no setor de Torres de Limonar, ao sul de Cali. Centenas de pessoas estão no local ajudando a remover os escombros em busca de possíveis sobreviventes. Na região, solicita-se a presença das autoridades e ferramentas como esmerilhadeiras para facilitar os trabalhos de resgate”.
É o chamado dirigido aos governantes de extrema-direita, o prefeito de Cali, Alejandro Eder, e a governadora do Valle del Cauca, Dilian Francisca Toro.
Segundo os relatos internacionais, são 12 os locais onde houve graves danos. Na região de San José del Palmar, no departamento de Chocó, foi identificado o ponto onde o movimento se originou, registrado às 7h34 da manhã, no horário local. Embora o município conte com cerca de 4.700 habitantes, a força do terremoto foi sentida em diferentes departamentos do centro e do sudoeste colombiano, onde foram registrados deslizamentos de terra e danos em moradias e edifícios.
Pereira, em Risaralda, é uma das cidades com maior número de vítimas, juntamente com Manizales, Armenia, Cali, Quibdó e Buenaventura.
“Começou o tempo da recuperação da ordem, da autoridade e da liberdade”, disse Abelardo de la Espriella em Cali
“Começou o tempo da recuperação da ordem, da autoridade e da liberdade”, disse Abelardo de la Espriella, justamente em Cali, no último dia 7 de agosto de 2026. Referência da ideologia “Deus, Pátria, Família”, Abelardo de la Espriella tomou posse nesta sexta-feira como novo presidente da Colômbia.

De la Espriella abandonou de surpresa o auditório Arena USC da Universidade Santiago de Cali, onde era realizada sua cerimônia de posse em Cali — na presença do rei Felipe VI da Espanha e dos presidentes da Argentina, Javier Milei; do Equador, Daniel Noboa; do Paraguai, Santiago Peña; do Panamá, José Raúl Mulino; da República Dominicana, Luis Abinader; do Chile, José Antonio Kast; e do presidente da FIFA, Gianni Infantino, enquanto o ex-presidente Ernesto Samper (1994-1998) e secretário da UNASUL e o Prêmio Nobel da Paz de 2016, Juan Manuel Santos (2010-2018), não foram convidados — e dirigiu-se ao Cantão Militar Pichincha, onde proferiu seu primeiro discurso diante da cúpula militar.
Centenas de representantes de organizações sociais, camponesas, estudantis e indígenas (como, por exemplo, o Conselho Regional Indígena do Cauca, CRIC) mobilizaram-se nesta sexta-feira em Cali, com epicentro em Puerto Resistencia, para expressar sua oposição à posse presidencial do presidente Abelardo de la Espriella, que supostamente venceu com uma diferença de 250 mil votos, em contradição com a missão eleitoral internacional da Cohesia (França).
A acadêmica Cristina de la Torre analisou, no artigo “Teocracia e militarismo”, publicado no El Espectador, que “Para o componente militar, que projetaria o comando como cruzada sagrada, o presidente conseguiu o que queria: prestou juramento, no que dura uma flor, diante do Congresso, mas pronunciou seu discurso de posse diante das Forças Militares.
E uniu repetidamente, em uma mesma intenção, a saudação militar à invocação de Jesus Cristo e ao ato de benzer-se. A pátria-milagre do Senhor. Diante do Congresso, substitui o ato de Estado por uma sessão de ‘invocação e louvor’ a Deus, com cantos e a imagem da Virgem de Fátima sob refletores e homilia de líderes de três religiões (evangélica, católica e judaica).
Talvez tenha reconciliado assim as duas primeiras, após a perseguição do laureanismo aos protestantes nos tempos da Violência. Manes de seu retorno ao poder? Talvez as invocações do presidente à Constituição busquem encobrir sua propensão a um regime de força ancorado em ‘Cristo, rei dos exércitos’. Em uma teocracia inquisitorial.
Nossas guerras santas, temperadas naqueles tempos por juramentos como o de Augusto Ramírez Moreno de morrer em nome do Criador, pela Trindade Imóvel, respondiam à Falange franquista, cujo braço direito foi a Igreja Católica.
Alejandro Ordóñez, censor e guerreiro sem igual do integrismo católico, que como procurador despachava com a Bíblia, hoje novamente embaixador junto à OEA, exaltava os levantes militares do ‘heroico catolicismo mexicano e espanhol’. Agora católicos e evangélicos se abraçam, duas correntes religiosas em disputa pelo poder político, sob a divisa comum de família (patriarcal), Deus, pátria, tradição, ordem, propriedade e livre mercado”, concluiu Cristina de la Torre.
«Qual é a insistência de Abelardo em vir tomar posse a poucos metros de Puerto Resistencia? Puerto Resistencia existe muito antes da posse de Abelardo. Abelardo não vem com uma mensagem nem de reconciliação nem de diálogo, vem com uma mensagem de ameaça», declarou à EFE o representante da Câmara Alfredo Mondragón, do Pacto Histórico.
«Não temos democracia, a democracia acabou. Onde não há justiça, não há democracia, é um Governo ilegítimo, houve fraude e há provas», afirmou José Gabriel Adarme, um cidadão que participa da manifestação em Cali, à EFE, que enviou uma mensagem de que é preciso manter «a luta» para garantir os direitos sociais que, segundo ele, os cidadãos conquistaram durante o Governo do presidente Gustavo Petro.
A jovem líder social e nova congressista da República, Ana Erazo (Pacto Histórico), evidenciou que “os congressistas viajaram até Cali para participar da posse de Abelardo de la Espriella e acabaram assistindo ao discurso do presidente em uma tela, confinados em um auditório. Literalmente foram passear em Cali.
O que aconteceu hoje foi um ato vergonhoso, caro e absolutamente desnecessário: transferiram o Congresso, alteraram a mobilidade, fecharam setores da cidade e montaram toda uma operação logística para terminar assistindo ao presidente pela televisão. O prefeito Alejandro Eder mandou prender e esconder os caleños e as caleñas para isso?”.
Livro Tribunal Popular em Siloé: comemorar, dignificar e resistir, promovido pela Fundação Heinrich Böll (expressão do Partido Verde Gruñen da Alemanha)
Recordamos que o jesuíta Javier Giraldo acompanhou o Tribunal Popular em Siloé que, no livro promovido pela Fundação Heinrich Böll (expressão do Partido Verde Gruñen da Alemanha), documentou as violações dos direitos humanos durante a greve juvenil de 2021 em Cali, epicentro das manifestações comunitárias em Puerto Resistencia, enquanto, em maio de 2021, o Papa Francisco destacava o “legítimo direito ao protesto dos jovens na Colômbia”.

Nas encostas ocidentais de Cali, onde as casas sobem entre a montanha e uma estrela gigante ilumina as noites, aconteceu algo que o Estado colombiano preferiria esquecer. Durante a explosão social de 2021, desencadeada pela greve nacional de 28 de abril, o bairro de Siloé tornou-se um dos epicentros mais atingidos de um país que saiu às ruas exausto pela desigualdade, pela pandemia e por um governo que respondeu com repressão.
O que se seguiu ficou registrado: mais de 12.000 protestos em 862 municípios, 159 vítimas identificadas apenas na comuna 20 de Cali e um nível de violência tão grave que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos teve de visitar o país.
Diante da impunidade e do silêncio institucional, as comunidades, as organizações de direitos humanos e os familiares das vítimas decidiram construir sua própria justiça. Assim nasceu o Tribunal Popular em Siloé (TPS): uma instância cidadã, composta por magistradas e magistrados internacionais, que foi instalada publicamente em maio de 2022 para investigar, documentar e sentenciar os crimes cometidos pela Força Pública e pelo paramilitarismo urbano. Em fevereiro de 2023, o TPS leu sua Sentença: um ato de dignidade coletiva que nomeou as vítimas, qualificou juridicamente os fatos e exigiu que o Estado colombiano respondesse.
O livro Tribunal Popular em Siloé: comemorar, dignificar e resistir reúne esse processo em sua totalidade e o amplia. Inclui uma cartografia coletiva da memória e da resistência, uma linha do tempo do processo organizativo, a cronologia dos fatos que vitimaram as pessoas e a Sentença completa. Em sua segunda edição, o livro também dá conta do que veio depois: as alianças com outras regiões do país, as ações culturais e políticas e uma luta que não parou até conseguir, em novembro de 2025, a criação de um Comitê de Especialistas para esclarecer as violações de direitos humanos em contextos de protesto social.
Este livro (pode ser baixado aqui) é memória viva. É o rosto de 16 pessoas assassinadas que não podem ser apagadas. É a voz de mais de 2.700 vítimas registradas entre 2019 e 2021 em todo o país. E é, sobretudo, um convite urgente: a ler o que aconteceu, a não naturalizá-lo e a compreender que a luta contra a impunidade não termina até que a verdade se transforme em justiça, concluiu a fundação alemã Böll.
O racismo estrutural é a chave de interpretação do terremoto do Chocó, região com maioria afro-colombiana?

A ONG Afromedio informa sobre muitos mortos e destruição em massa no Chocó, região de maioria afrodescendente do sudoeste colombiano, historicamente abandonada, com níveis preocupantes de corrupção, pobreza estrutural e abandono estatal.
A cidade colombiana de Cali, com cerca de 1,1 milhão de afrodescendentes, é a segunda cidade da América Latina, depois de Salvador da Bahia (Brasil).
Várias organizações sociais destacaram que Quibdó clama por atenção. Habitantes do Chocó relatam uma situação crítica após o terremoto, destacando que a falta de eletricidade e de sinal de telefonia em várias áreas impede conhecer a dimensão da emergência, contando apenas com poucos relatos pela Internet via satélite.
A representante na Câmara pelo partido de la U, Astrid Sánchez Montes de Oca, encontrava-se no centro da capital do Chocó, Quibdó, quando descreveu um cenário com pessoas feridas e danos em edificações. “Muitos feridos, muitos edifícios desabados, é um caos total”, afirmou a representante, que também contou que estava dentro de um edifício que apresentou danos em suas paredes.
Nubia Córdoba, governadora progressista do Chocó (sobrinha da ex-congressista Piedad Córdoba, destituída ilegalmente pelo procurador Alejandro Ordóñez), pediu apoio à Sociedade Colombiana de Engenheiros e a outras entidades privadas para transportar máquinas pesadas que auxiliem na remoção de escombros e na reconstrução das moradias, após o terremoto cujo epicentro foi naquele departamento. “Muitas das famílias não conseguem esperar que sejam realizados todos os trâmites formais do Estado, do Governo, para poder ter acesso à possibilidade de voltar de maneira segura para suas casas”, disse à Caracol Radio.
A retirada dos feridos é feita por via aérea para Medellín, já que o hospital local não dispõe de recursos suficientes para atender todas as pessoas.
Quibdó não possui máquinas pesadas próprias. Para se ter uma ideia: em Medrano, um dos bairros de Quibdó, a capital, houve trabalhos de resgate durante toda a noite e são retirados escombros porque um político local emprestou a retroescavadeira.
A comunicação com o departamento vai e volta, como na maioria dos municípios afetados pela tragédia. Por exemplo, os jornalistas que conseguiram transmitir de Medrano relataram que o serviço de Internet funciona apenas por meio das antenas Starlink.
Não há energia em 85% do departamento do Chocó, mas destaca-se o compromisso humanitário da governadora progressista Nubia Córdoba, ao lado de seu povo.
O racismo estrutural é a chave de interpretação do terremoto do Chocó, região com maioria afro-colombiana? Pergunto-me isso, levando em consideração o livro Raça e moradia na Colômbia – A segregação residencial e as condições de vida nas cidades, da editora Dejusticia. A partir de uma perspectiva da sociologia urbana, este livro apresenta os resultados de um estudo sobre condições de vida e segregação residencial em doze cidades da Colômbia, onde as vulnerabilidades socioeconômicas se combinam com a concentração de pessoas de um grupo racial nas cidades.
“Destacamos a importância de uma resposta com enfoque em direitos humanos, com especial atenção às pessoas e grupos em situação de vulnerabilidade”: CIDH
O relator Especial DESCA da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Javier Palummo, declarou que “destacamos a importância de uma resposta com enfoque em direitos humanos, com especial atenção às pessoas e grupos em situação de vulnerabilidade, que garanta o acesso a serviços essenciais e a informações públicas claras, acessíveis e oportunas.
Continuaremos atentos à evolução da situação, em solidariedade ao povo colombiano”.
O ex-presidente progressista Gustavo Petro (2022-2026) fez um apelo ao novo presidente De la Espriella, afirmando que “A todos os integrantes do Pacto Histórico, àqueles que nos acompanharam e apoiaram, faço um chamado para coordenar esforços, ativar a solidariedade e estar atentos às comunidades afetadas pelo forte #Temblor registrado às 7h34, com epicentro em San José del Palmar, Chocó. Expresso minha solidariedade a todas as pessoas e famílias afetadas.
Minha solidariedade está com as comunidades de San José del Palmar, Río Iró, Nóvita e Quibdó; com as famílias de Chaparral, Coello, Payandé e Ibagué; e com aqueles que enfrentam perdas, danos e angústia em Pereira, Manizales, Armenia, Cali, Bogotá e nos demais territórios afetados. Não devemos esquecer as crianças, os idosos, as pessoas com deficiência, aqueles que estão doentes e aqueles que dependem de alguém para conseguir se colocar em segurança.
O Governo nacional deve garantir uma resposta imediata, articulada e humana: busca e resgate, atendimento médico, evacuação assistida, alojamento temporário, água, alimentos e acompanhamento para as famílias atingidas.
Em uma emergência nacional, não pode haver territórios esquecidos nem cidadãos de segunda categoria. O Estado deve chegar primeiro àqueles que mais precisam. É preciso colocar toda a capacidade do Estado a serviço das pessoas. Ninguém pode ficar para trás”, concluiu Petro.
A ex-presidenta chilena e candidata a secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet, manifestou seu apoio nesta segunda-feira à Colômbia após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país.
A esse respeito, por meio de suas redes sociais, a ex-mandatária manifestou sua “solidariedade e carinho com o povo da Colômbia após o forte terremoto que atingiu o país”.
“Um abraço fraterno a todas as famílias que perderam seus entes queridos, àqueles que ficaram feridos e a todas as comunidades que hoje enfrentam momentos de dor e incerteza”, afirmou. Da mesma forma, enfatizou que “em horas como estas, a solidariedade não pode ter fronteiras”. Por isso, fez um apelo à comunidade internacional para “acompanhar a Colômbia e estar disponível para oferecer toda a cooperação e assistência que o país possa necessitar”. “Diante de uma emergência dessa magnitude, devemos agir unidos com humanidade e solidariedade”, concluiu Michelle Bachelet.
O ex-chanceler Luis Gilberto Murillo, natural do Chocó, comentou que “Agradecemos ao congressista Gregory Meeks por sua mensagem de solidariedade com a Colômbia. Em momentos como este, o apoio de nossos amigos e campeões do apoio ao nosso país e, sobretudo, a disposição para trabalhar de maneira coordenada são fundamentais.
Hoje nossa prioridade é acompanhar as comunidades afetadas e somar todos os esforços necessários para o atendimento da emergência, a recuperação e a melhoria plena e resiliente do Chocó, do litoral do Pacífico e do oeste colombiano”.
O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, dirigido pelo congressista Gregory Meeks, acrescentou: «Minhas orações estão com o povo colombiano que enfrenta este devastador terremoto, incluindo aqueles que perderam entes queridos. Estou pronto para trabalhar com o governo Trump e com a comunidade internacional para coordenar a assistência e o apoio de emergência”.
O terremoto na Colômbia ocorre apenas dois meses depois de outro forte movimento sísmico registrado na Venezuela, representando, portanto, a segunda emergência sísmica de grande impacto que afeta a América do Sul em um curto período. Neste outro país, foram mais de 5 mil os mortos (e 50.000 desaparecidos) e houve uma destruição em grande escala, como documentei em minha reportagem “Jesuíta
O chanceler Bula que assume o cargo fala em “desacralizar” a ONU
«Vi as Nações Unidas por dentro e posso vê-las agora de fora. Inicialmente, quando deixei a organização, tive muitas dúvidas sobre minhas críticas», explicou o novo chanceler colombiano Omar Bula em um encontro em um centro de análise conservador em Washington, a Fundação Heritage, no último dia 20 de julho de 2026.
«Mas certamente vi uma mudança muito clara nas políticas da ONU, que começou a tomar partido, o que claramente não é sua missão», acrescentou. Bula trabalhou durante mais de duas décadas em organismos multilaterais, especialmente no Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU, ocupando cargos de responsabilidade na América Latina, no Oriente Médio e na África, também em Roma.
«A neutralidade da ONU foi muito afetada na última década», afirmou sem dar mais detalhes.
«O que tento dizer aos colombianos e latino-americanos é que, tendo trabalhado nessas organizações, deveriam desacralizá-las», disse o novo chefe da diplomacia colombiana. «Não deveriam vê-las como aquelas que possuem a última palavra», indicou o chanceler Bula, como destacou a France24.
O artigo “O pensamento geopolítico profundo do novo chanceler”, publicado pelo jornal El Nuevo Siglo — El pensamiento geopolítico profundo del nuevo canciller —, destacou que “Bula afirmou que periodicamente, em intervalos de 40 anos ou mais, houve uma nova ordem mundial, mas a atual é diferente das anteriores porque não são apenas os países, «agora temos novos atores no contexto geopolítico global, por um lado, as nações, mas há outros de igual ou maior importância, as corporações multinacionais, que hoje têm caráter global, com uma influência sem precedentes; e, por outro lado, os organismos não estatais, que muitos conhecem como ONGs”.
Bula diz que várias ONGs abandonaram o papel relativamente auxiliar que tiveram algum dia e hoje são muito influentes, entre outras razões porque administram orçamentos que superam os de agências das Nações Unidas. Acrescentou que os organismos multilaterais «ao serem penetrados por organizações supostamente não governamentais, estão sendo realmente penetrados pelo setor privado de maneira velada”.
O jornalista Daniel Pacheco, no artigo “Bula em tuítes: o chanceler de Abelardo para quem a China é ‘a sujeira do planeta’”, publicado pela La Silla Vacía — Bula en trinos —, enfatizou que “Omar Bula (autor do livro Sete Memórias do Mundo: Cara a Cara com Saddam Hussein e outros relatos curtos, 2025) acredita que a Colômbia deve se alinhar ao governo de Donald Trump nos Estados Unidos, afastar-se da ‘agenda globalista’ que tomou conta da ONU e travar uma ‘guerra cultural’ contra uma conspiração esquerdista liderada secretamente por meios de comunicação e ONGs financiados pelo bilionário George Soros.
Bula, que foi funcionário da Organização das Nações Unidas durante 20 anos, entre 1992 e 2012, promove a ideia de que existe um ‘globalismo’ que permeou as instituições multilaterais e muitas democracias do Ocidente. ‘É a globalização econômica que passou a ser controlada pelo marxismo cultural’: assim descreve o ex-chanceler do Brasil no governo de Jair Bolsonaro, Ernesto Araújo, o globalismo visto pela perspectiva crítica que Bula também adota”, analisa Daniel Pacheco.
Então, pergunto: considerando que “esse marxismo cultural que controla o sistema das Nações Unidas”, segundo o novo chanceler Omar Bula — como relata Daniel Pacheco —, permitirá à Colômbia que a ONU ajude depois do terremoto?
O presidente brasileiro e ex-metalúrgico, Lula, declarou que “recebi com preocupação a notícia do forte terremoto que atingiu hoje a Colômbia, com epicentro no departamento de Chocó. Em nome do povo brasileiro, manifesto minha solidariedade ao povo colombiano, especialmente às famílias das vítimas e a todos os afetados pelos tremores. O Brasil permanece à disposição da Colômbia para oferecer o apoio necessário”.
A ministra brasileira do Meio Ambiente, Marina Silva (defensora da Amazônia ao lado de Chico Mendes), acrescentou que “quero manifestar minha solidariedade ao povo colombiano, severamente afetado por um terremoto nesta segunda-feira, com epicentro no departamento de Chocó, sentido em muitas cidades.
Minha preocupação e meus sentimentos se dirigem às famílias afetadas pela dor, àqueles que perderam a vida e aos que aguardam notícias de pessoas desaparecidas. Quero estender também meu abraço carinhoso a toda a comunidade colombiana que vive no Brasil.
É muito importante a postura sempre comprometida e solidária do presidente Lula, colocando o governo brasileiro à disposição para apoiar no que for necessário ao país vizinho neste momento de luto”.
O presidente De la Espriella aceitará a ajuda do presidente progressista Lula, apesar de o Brasil não fazer parte do Escudo das Américas?
