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Venezuela vira segundo fornecedor de petróleo dos EUA em meio à guerra contra o Irã

Os Estados Unidos encerraram o ano de 2025 anunciando sanções contra quatro empresas “por operarem no setor petrolífero da Venezuela” e, após a agressão militar de 3 de janeiro, que incluiu o sequestro do presidente Nicolás Maduro, Washington conseguiu obter da nação caribenha o petróleo necessário para se abastecer em meio à guerra que mantém contra o Irã.

As estatísticas da Administração de Informação Energética (EIA, na sigla em inglês) revelaram que, em meio ao conflito bélico na Ásia Ocidental, durante a semana encerrada em 1º de maio, a Venezuela continuou superando, pela terceira semana de abril, a Arábia Saudita como o segundo fornecedor de petróleo para os EUA.

File:Hugo Chávez salute.jpg - Wikimedia Commons
Hugo Rafael Chávez Frías (1954–2013) – Wikimedia

Após a morte do ex-presidente e líder da Revolução Bolivariana, Hugo Chávez, em 2013, e a eleição de Nicolás Maduro, o governo de Barack Obama impôs sanções à Venezuela. Posteriormente, após chegar ao poder em 2017, Donald Trump endureceu a agressão e também proibiu a compra de títulos emitidos por Caracas e pela petroleira estatal PDVSA. Em 2019, impôs um embargo petrolífero à nação caribenha e congelou seus ativos em território estadunidense com o objetivo de asfixiar a economia do país e forçar a saída do presidente Maduro. Em 2025, ao iniciar seu segundo mandato, o magnata republicano pôs fim às licenças petrolíferas, com exceção da Chevron, autorizada a operar sem entregar recursos ao governo venezuelano.

Após o sequestro de Maduro e a designação da vice-presidenta Delcy Rodríguez como mandatária interina, Washington e Caracas iniciaram uma nova etapa de relações políticas, diplomáticas e econômicas.

Nesse cenário, a Casa Branca confirmou que os Estados Unidos ficariam encarregados de comercializar formalmente o petróleo venezuelano que estava sob sanções. Segundo informou em meados de janeiro a porta-voz Karoline Leavitt, a medida implicou a liberação de milhões de barris que permaneciam “congelados” em navios e depósitos devido ao bloqueio imposto por Trump.

Ao mesmo tempo, ambas as nações estabeleceram um acordo mediante o qual o governo venezuelano concordou em entregar aos Estados Unidos até 50 milhões de barris de petróleo de “alta qualidade”, que seriam comercializados no mercado norte-americano.

Segundo o magnata republicano, as receitas dessas vendas, calculadas potencialmente em bilhões de dólares, seriam administradas sob sua supervisão para “garantir” que beneficiassem tanto a população venezuelana quanto a estadunidense. Da mesma forma, convocou empresas petrolíferas estadunidenses a participarem e investirem em projetos energéticos na Venezuela, cujas reservas provadas e certificadas de petróleo superam os 303 bilhões de barris.

Paralelamente, a Assembleia Nacional do país caribenho aprovou a reforma da Lei de Hidrocarbonetos, com o objetivo de impulsionar a abertura do setor petrolífero ao capital privado. O governo interno de Delcy Rodríguez classificou essa medida como um passo histórico rumo à reativação da indústria e à atração de investimentos estrangeiros.

Como demonstração dos avanços de sua estratégia econômica, a presidenta encarregada assinou o primeiro contrato de exportação de gás liquefeito de petróleo da história da Venezuela e anunciou acordos com os EUA para a comercialização de petróleo venezuelano no valor de 500 milhões de dólares, que permitirão a injeção de divisas em setores-chave.

Venezuela exporta para os EUA mais de 300 mil barris diários de petróleo bruto

As estatísticas da EIA revelam que as exportações da Venezuela para a nação norte-americana chegaram a 400 mil barris diários (bpd), o que representa um aumento de 29% em comparação com o período anterior.

Trump
O presidente Donald Trump – Flickr

De acordo com os cálculos elaborados a partir de números preliminares, a agência internacional assinalou que, durante as primeiras 17 semanas de 2026, a Venezuela já exportou aproximadamente 62% do total dos envios de 2025 para esse destino.

O organismo também destacou que a média móvel de quatro semanas, um indicador que reflete com maior clareza a tendência em um prazo mais longo, chegou em 1º de maio a 406 mil bpd, 5% acima da medição anterior e 201% superior ao mesmo período do ano passado, detalhou o portal Banca y Negocios.

“Nesse indicador, a Venezuela também aparece como segunda colocada no ranking de fornecedores estadunidenses, posição que manteve na última quinzena”, assinalou o meio digital.

Esse número é registrado em meio a um contexto que combina as dificuldades da Arábia Saudita para movimentar seus navios, devido à guerra iniciada pelos EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, que desencadeou restrições à passagem de embarcações pelo estratégico estreito de Ormuz, uma via marítima controlada pela nação islâmica por onde circulam 20% do petróleo e do gás liquefeito de petróleo comercializados no mundo.

Durante a semana encerrada em 24 de abril, os envios sauditas aos EUA foram calculados em 174 mil bpd, seu menor número em 21 semanas.

Segundo a EIA, esse contexto permitiu que a Venezuela ficasse atrás apenas do Canadá, superasse a Arábia Saudita e ocupasse o segundo lugar no ranking dos principais fornecedores de petróleo bruto aos Estados Unidos, posição que ocupou em 38 das 830 semanas registradas pelas estatísticas da agência.

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