venezuela:-empresario-acusado-de-corrupcao-vira-ponte-entre-trump-e-delcy-rodriguez-pelo-petroleo-do-pais

Venezuela: empresário acusado de corrupção vira ponte entre Trump e Delcy Rodríguez pelo petróleo do país

Investigado por corrupção e ligado aos “bolichicos”, Alejandro Betancourt voltou a Caracas e ampliou seus negócios no petróleo enquanto passou a intermediar contatos entre Washington e o governo de Delcy Rodríguez.

O nome de Alejandro Betancourt ganha força no cenário midiático regional após vir à tona o papel deste empresário venezuelano como figura-chave no novo relacionamento entre o governo de Donald Trump e o governo interino de Delcy Rodríguez na Venezuela.

Uma investigação publicada pelo jornal El País estabelece que Betancourt, que já foi protagonista de grandes escândalos de corrupção e acusado de financiar a oposição golpista, é hoje a principal ponte dos interesses petrolíferos entre Washington e Caracas.

250px Alejandro Betancourt.jpg?utm source=pt.wikipedia
Alejandro Betancourt – wikipedia

Betancourt faz parte do grupo que na Venezuela é conhecido como “os bolichicos”, jovens empresários corruptos cuja fortuna cresceu da noite para o dia a partir de contratos bilionários com a Petróleos de Venezuela.

Sua empresa, a Derwick Associates, recebeu contratos milionários entre 2009 e 2011 para a construção e aquisição de equipamentos para usinas de geração elétrica em meio à crise do serviço no país, apesar de não contar com experiência prévia. O governo de Nicolás Maduro acusou judicialmente Betancourt de lesar o país em conluio com o ex-ministro do Petróleo Rafael Ramírez.

Venezuela abre setor elétrico nacionalizado por Chávez ao capital privado e prepara aumento nas tarifas

Inclusive Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina, acusou, em 2020, Alejandro Betancourt de financiar a oposição extremista e o pretenso governo paralelo de Juan Guaidó com dinheiro roubado da nação. Mas a dinâmica mudou drasticamente após a agressão militar estadunidense de 3 de janeiro.

Quem foi assessor de Trump para a Venezuela, Mauricio Claver-Carone, declarou à agência Reuters que funcionários dos Estados Unidos utilizaram Betancourt como intermediário para se comunicar com o governo de Rodríguez. Por Betancourt “entender o negócio petrolífero nos dois países”, ele foi considerado uma peça útil para estabelecer pontes em torno de interesses comerciais.

Meios de comunicação como El País e Bloomberg revelaram que Betancourt retornou discretamente este ano a Caracas em voos privados para assessorar o governo de Delcy Rodríguez. Por meio da figura dos Contratos de Participação Produtiva, Betancourt expandiu substancialmente seu negócio petrolífero. Sua empresa, North American Blue Energy Partners (NABEP), assumiu os campos da Petrozamora, no estado de Zulia, consolidando-se como o segundo maior produtor privado de petróleo bruto, atrás apenas da Chevron.

Betancourt já não é perseguido nem nos Estados Unidos nem na Venezuela, segundo informa o El País. O paradoxo de sua figura, de corrupto e golpista a aliado estratégico, ilustra a enorme guinada que o poder experimentou depois de 3 de janeiro.

Vínculos questionáveis

Outro assunto que gerou polêmica e indignação nas bases do chavismo é a relação cada vez mais estreita de Nicolasito Maduro, filho do presidente sequestrado pelos Estados Unidos, com a elite religiosa judaica da Venezuela.

Ele foi fotografado dentro da sinagoga Tiféret Israel, no leste de Caracas, usando uma kipá e acompanhado pelo rabino-chefe Isaac Cohen.

Embora Nicolasito seja o responsável pelos “assuntos religiosos” do Partido Socialista Unido da Venezuela e, há alguns anos, tenha anunciado sua conversão ao cristianismo evangélico, ele tem sido criticado por sua exposição reiterada ao lado de representantes do Estado de Israel, o principal aliado econômico e militar do país que bombardeou seu país e sequestrou seu pai.

As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *