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Venezuela: Em 2024, bilionário ligado a Trump definiu com Delcy modelo que abriu petróleo venezuelano ao capital privado

O nome de Alejandro Betancourt ganha força no cenário midiático regional após vir à tona o papel deste empresário venezuelano como figura-chave no novo relacionamento entre o governo de Donald Trump e o governo interino de Delcy Rodríguez na Venezuela.

Uma investigação publicada pelo jornal El País estabelece que Betancourt, que já foi protagonista de grandes escândalos de corrupção e acusado de financiar a oposição golpista, é hoje a principal ponte dos interesses petrolíferos entre Washington e Caracas.

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Alejandro Betancourt – wikipedia

Betancourt faz parte do grupo que na Venezuela é conhecido como “os bolichicos”, jovens empresários corruptos cuja fortuna cresceu da noite para o dia a partir de contratos bilionários com a Petróleos de Venezuela.

Sua empresa, a Derwick Associates, recebeu contratos milionários entre 2009 e 2011 para a construção e aquisição de equipamentos para usinas de geração elétrica em meio à crise do serviço no país, apesar de não contar com experiência prévia. O governo de Nicolás Maduro acusou judicialmente Betancourt de lesar o país em conluio com o ex-ministro do Petróleo Rafael Ramírez.

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Inclusive Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina, acusou, em 2020, Alejandro Betancourt de financiar a oposição extremista e o pretenso governo paralelo de Juan Guaidó com dinheiro roubado da nação. Mas a dinâmica mudou drasticamente após a agressão militar estadunidense de 3 de janeiro.

Quem foi assessor de Trump para a Venezuela, Mauricio Claver-Carone, declarou à agência Reuters que funcionários dos Estados Unidos utilizaram Betancourt como intermediário para se comunicar com o governo de Rodríguez. Por Betancourt “entender o negócio petrolífero nos dois países”, ele foi considerado uma peça útil para estabelecer pontes em torno de interesses comerciais.

Meios de comunicação como El País e Bloomberg revelaram que Betancourt retornou discretamente este ano a Caracas em voos privados para assessorar o governo de Delcy Rodríguez. Por meio da figura dos Contratos de Participação Produtiva, Betancourt expandiu substancialmente seu negócio petrolífero. Sua empresa, North American Blue Energy Partners (NABEP), assumiu os campos da Petrozamora, no estado de Zulia, consolidando-se como o segundo maior produtor privado de petróleo bruto, atrás apenas da Chevron.

Betancourt já não é perseguido nem nos Estados Unidos nem na Venezuela, segundo informa o El País. O paradoxo de sua figura, de corrupto e golpista a aliado estratégico, ilustra a enorme guinada que o poder experimentou depois de 3 de janeiro.

Vínculos questionáveis

Outro assunto que gerou polêmica e indignação nas bases do chavismo é a relação cada vez mais estreita de Nicolasito Maduro, filho do presidente sequestrado pelos Estados Unidos, com a elite religiosa judaica da Venezuela.

Ele foi fotografado dentro da sinagoga Tiféret Israel, no leste de Caracas, usando uma kipá e acompanhado pelo rabino-chefe Isaac Cohen.

Embora Nicolasito seja o responsável pelos “assuntos religiosos” do Partido Socialista Unido da Venezuela e, há alguns anos, tenha anunciado sua conversão ao cristianismo evangélico, ele tem sido criticado por sua exposição reiterada ao lado de representantes do Estado de Israel, o principal aliado econômico e militar do país que bombardeou seu país e sequestrou seu pai.

Bilionário ligado a Trump

Alejandro Betancourt, o homem que hoje figura como peça-chave da relação econômica entre Washington e Caracas, definiu junto a Delcy Rodríguez, em 2024, o modelo de negócios que a Venezuela promove como símbolo de sua abertura petrolífera após o sequestro de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro passado.

Sequestro de Nicolás Maduro - Fundação Perseu Abramo
Sequestro de Nicolás Maduro – Fundação Perseu Abramo

A empresa North American Blue Energy Partners (NABEP) assinou, em abril de 2024, o primeiro Contrato de Participação Produtiva Petrolífera (CPP) no âmbito da Lei Antibloqueio, um modelo que permitia à empresa privada ter uma participação maior no negócio do que aquela permitida pelo marco jurídico vigente. A empresa era propriedade de Betancourt e do empresário do setor petrolífero estadunidense Harry Sergeant III, que, segundo investigações da Bloomberg, atuava como elo entre o poder de Washington e o governo de Nicolás Maduro.

Mas os vínculos de Betancourt com o entorno de Trump não são recentes. Em 2019, em meio a investigações por lavagem de dinheiro nos Estados Unidos, na Espanha e na Suíça, o ex-prefeito de Nova York e então advogado pessoal de Donald Trump, Rudy Giuliani, representou Betancourt perante o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para interceder em seus processos legais e estreitar laços com o entorno republicano.

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Naquela época, Giuliani ajudou Betancourt a se posicionar como um ator útil para Washington, apresentando-o como aliado da oposição extremista representada então por Juan Guaidó, a quem os Estados Unidos reconheciam como presidente paralelo da Venezuela.

Isso não impediu que Betancourt entrasse no negócio petrolífero por meio do modelo CPP apresentado por Delcy Rodríguez e pelas mãos de Sergeant III. Mas este ano tudo mudou. Sergeant III, considerado próximo a Maduro, foi afastado e Betancourt ascendeu como facilitador dos negócios petrolíferos. Em fevereiro, Donald Trump acusou o primeiro de tentar atuar como intermediário sem a autorização de Washington ao viajar a Caracas para se reunir com Delcy Rodríguez.

Segundo a Bloomberg, a Casa Branca teria pressionado para que o magnata, conhecido doador republicano próximo ao entorno de Trump, vendesse sua participação na NABEP, o que ocorreu em 7 de agosto passado, transferindo o controle absoluto da empresa para Betancourt por 300 milhões de dólares. Uma semana depois, o Departamento do Tesouro sancionou a empresa offshore Bluwaves Properties, de propriedade de Sergeant, restringindo ainda mais sua capacidade de atuação na indústria.

Com Sargeant fora da equação, Betancourt assumiu o controle hegemônico da NABEP e ascendeu à primeira linha como assessor do governo Trump para destravar o negócio petrolífero no país. Por meio da NABEP, Betancourt administra campos importantes no Lago de Maracaibo e na Faixa Petrolífera do Orinoco, com uma extração próxima a 200 mil barris por dia. Esse volume posiciona a NABEP como a segunda maior produtora privada de petróleo bruto da Venezuela, ficando apenas atrás da gigante Chevron. Além disso, encarregou-se de facilitar contratos nos termos dos CPP para empresas pequenas como Pacific Coast Energy Co. e Lionheart Capital.

Madrugada sísmica

Na madrugada de 18 de agosto, as populações de Caracas e La Guaira saltaram da cama quando um tremor de magnitude 4 sacudiu o norte do país. Ocorreu às 3h07 e teve seu epicentro a 19 quilômetros a nordeste da capital, segundo informou a Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas. Delcy Rodríguez informou que “não foram registrados danos de nenhum tipo” e que o Sistema de Proteção de Risco foi ativado.

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