Moscou disparou apenas sete mísseis balísticos e 189 drones após ataques ucranianos contra sua infraestrutura; especialistas avaliam se a Rússia enfrenta falta de mísseis, queda na produção ou acumula arsenal para uma ofensiva maior
O lançamento de mísseis balísticos Iskander-M contra Kiev, Kherson, Zaporíjia e outras cidades da Ucrânia, iniciado pela Rússia por volta das dez da noite do dia 25 de junho, não se transformou em um devastador “ataque sistemático”, limitando-se a sete artefatos desse tipo e 189 drones, de acordo com dados da força aérea ucraniana.
Até as 9 horas da manhã do mesmo dia 25, sua defesa antiaérea havia derrubado ou desviado três mísseis e 174 drones, registrando-se impactos de quatro mísseis e 11 aeronaves não tripuladas, além de fragmentos daquelas que foram interceptadas.
A ausência – ou talvez a demora – de uma resposta contundente da Rússia aos ataques cotidianos da Ucrânia contra suas infraestruturas energéticas e empresas militares leva especialistas a acreditar que isso pode se dever a três possíveis causas:
Uma delas é que o Exército russo esgotou seus estoques de mísseis balísticos, que são os mais difíceis de interceptar, e mantém apenas a quantidade que considera indispensável para enfrentar uma guerra com a Organização do Tratado do Atlântico Norte, indesejada, mas jamais descartada.
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Outra hipótese aponta que os ataques ucranianos desaceleraram a produção de componentes para mísseis balísticos, de cruzeiro e drones, razão pela qual, de algum tempo para cá, a Rússia vem disparando poucos mísseis e entre três e quatro vezes menos aeronaves não tripuladas do que os ucranianos.
E a terceira sugere que o Estado-Maior do Exército russo está acumulando, à medida que são produzidos, dezenas de mísseis balísticos para desferir um golpe devastador contra Kiev (até agora, nenhum “ataque sistemático” prometido pelo Kremlin contou com mais de 100 mísseis em 24 horas, a maioria deles de cruzeiro).

Enquanto isso, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, após receber um relatório detalhado do chefe do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU, na sigla em ucraniano), general Yevhenii Khmara, anunciou “uma operação de 40 dias para exercer pressão sobre o país agressor (Rússia), com o objetivo de obrigá-lo a pôr fim à guerra”.
Sem entrar em detalhes, Zelensky adiantou que os ataques de longo alcance contra o interior da Rússia e a Crimeia continuarão, assim como as “operações especiais” do centro Alfa, unidade subordinada ao SBU encarregada das missões mais delicadas e complexas.
Por enquanto, na madrugada de 26 de junho, a Ucrânia lançou o maior número de drones até agora contra doze regiões da parte europeia da Rússia e contra a capital do país.
O Ministério da Defesa da Rússia informou, na manhã do mesmo dia 26, que durante a madrugada sua defesa antiaérea derrubou ou desviou 660 drones – 47 deles seguiam em direção a Moscou e foram interceptados, informou o prefeito da cidade, Serguei Sobianin –, o que significa que a Ucrânia lançou um número maior, não especificado, de aeronaves não tripuladas que atingiram infraestruturas energéticas, pontes, rodovias e empresas da indústria militar.
Entre as instalações danificadas durante a noite estão – para citar apenas duas – a corporação química na cidade de Novomoskovsk, na região de Tula, que, além de produzir amônia e fertilizantes nitrogenados, segundo a Ucrânia, fabrica componentes para mísseis, e uma importante refinaria da petroleira Lukoil, na região de Níjni Novgorod, que teve de suspender suas operações.
A escassez de gasolina e diesel, que oficialmente já afeta mais de 25 entidades da Federação Russa, está provocando, segundo analistas, uma redistribuição dos estoques desses combustíveis em benefício de Moscou, São Petersburgo e das regiões agrícolas que precisam realizar a colheita deste ano, o que aumenta o descontentamento dos habitantes de algumas regiões em relação a outras.
