O Centro Estratégico Latino-Americano de Geopolítica (Celag Data) divulgou na manhã deste domingo (14) uma pesquisa que aponta o senador Iván Cepeda, candidato do Pacto Histórico e do governo Petro, à frente da disputa presidencial colombiana, com 40,8% das intenções de voto, contra 39,7% do fascista Abelardo de la Espriella. Uma virada em relação às projeções anteriores, que apontavam uma dianteira do candidato de Trump de até 8%.

Ao mesmo tempo, o levantamento acadêmico assinala que os votos em branco teriam 7,6% de apoio, 6,7% dos entrevistados disseram que invalidariam seu voto e 5,2% preferiram não opinar.
“A chave será quem ainda está indeciso. E, entre eles, o maior grupo é o dos novos eleitores, ou seja, aqueles que não votaram no primeiro turno, mas que podem votar no segundo. Essa população é mais favorável a Iván Cepeda do que a Abelardo de la Espriella. O resultado final dependerá de esse setor votar em uma proporção semelhante à de 2022. Se eles se mobilizarem, inclinarão a balança a favor de Iván Cepeda”, explicou Alfredo Serrano Manc, diretor da Celag.
Além da questão dos “novos votantes” e do “eleitorado jovem”, opina o Centro Estratégico, é preciso levar em conta o comportamento das coalizões eleitorais, pois, enquanto os apoiadores da uribista Paloma Valencia tendem a se manter compactos, as forças centristas de Sérgio Fajardo e Claudia López prosseguem divididas entre a abstenção e Cepeda. No primeiro turno, Valencia obteve 6,9% dos votos, Fajardo 4,2% e López cerca de 1%.
Quilcué conclama militância a tomar a linha de frente
Animada com o resultado da pesquisa, a líder indígena Aida Quilcué, candidata à vice-presidência de Cepeda, conclamou a militância a tomar a linha de frente, pois “este é o momento de lutar, de persuadir, de mobilizar e preencher as urnas com dignidade e democracia”.
A direita e sua mídia, alertou Quilcué, “querem impor o medo, restringir direitos, perseguir a dissidência e devolver o país àqueles que, por décadas, governaram para uma minoria privilegiada”. “Convocamos agora todas as forças que defendem a vida, a paz e a justiça social, sem exceção. Se nos unirmos, venceremos. Se nos mobilizarmos, derrotaremos o medo. Em 21 de junho, a Colômbia poderá escrever uma nova vitória popular!”, enfatizou.
Levantamento da Celag confronta manipulações
As projeções do Centro de Geopolítica confrontam as “pesquisas” até então propagandeadas pelo Centro Nacional de Consultoria (CNC) e publicadas pelo oligopólio midiático Cambio — controlado por grupos econômicos e financeiros —, que coloca o ultradireitista com vantagem de 48,6% contra 44,7% do candidato progressista. “Última pesquisa: De la Espriella consolida sua liderança e Cepeda está ficando sem tempo para alcançá-lo”, reforçou o panfleto.
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Outras “pesquisas”, como a da AtlasIntel para a revista Semana, mostram que o candidato da ultradireita obteria 52,2% contra 44,5% das forças progressistas. A tática da manipulação é grosseira: na capa, De la Espriella aparece sorridente e Cepeda, preocupado. Já na pesquisa da Guarumo e EcoAnalítica, publicada pelo El Tiempo, conglomerado do banqueiro e empresário Luis Carlos Sarmiento Angulo, o narcoterrorista amplia sua vantagem: teria 52,6% dos votos contra apenas 45% do senador. Uma verdadeira campanha de vale-tudo para manter privilégios.
Militância toma as ruas empolgada
Nas ruas de Bogotá, prevalece o clima de virada, com humor, abnegação e muita cor, como expressa a estudante de medicina Natália, “a Guatemalteca”. Vestida com a camiseta de Cepeda, erguendo a bandeira “Somos povo”, do Pacto Histórico, e portando máscara e asas de águia, a jovem destaca a relevância de “uma gestão que defendeu a natureza e as classes mais vulneráveis com programas sociais que chegaram a todo o país”.
“Na contramão, temos um candidato estrangeiro, que simboliza os antivalores, que quer acabar com os programas sociais e encarna o ódio, o medo e a retaliação”, frisou Natália.
Transportando a filha pequena no carrinho, Érika Varon, da Federação de Pessoas com Deficiência e Cuidadores da Colômbia (Fediscol), tem “confiança na vitória no segundo turno devido à amplitude de alianças alcançada por Cepeda e, sobretudo, à conscientização de que estão em jogo os direitos humanos e a biodiversidade”.
Afinal, ponderou, “queremos um governo para a vida, acima das pretensões de alguns poucos”.
“Porque a ultradireita tem sido muito clara ao dizer que não vai garantir o respeito aos páramos, nem às populações campesinas, às vítimas do conflito armado e dos 8.737 falsos positivos. O que o rival propõe é acabar com a Jurisdição Especial para a Paz, o que é gravíssimo, porque o contexto em que ela surgiu foi justamente para defender as vítimas do conflito armado”, destacou.
De la Espriella buscou cidadania estadunidense acima da colombiana
Érika Varon também alertou que, no projeto de De la Espriella, “o Estado está sendo cooptado pela máfia e por multinacionais, por alguém que aceitou a cidadania estadunidense acima da colombiana, que está jogando com a soberania nacional”.
“É extremamente lamentável que, em um país onde durante tanto tempo tenhamos sido governados por agentes submissos aos estadunidenses, agora se apresente um candidato que lhes jure fidelidade e preste juramento diante de sua bandeira”, declarou a advogada Ana Maria Pirilla, acrescentando ser este mais um elemento em sua mobilização pela reeleição do Pacto Histórico.
Estudante de administração de empresas da Universidade Nacional e trabalhador da contabilidade, Gustavo Urquijo denunciou “a forte carga de desinformação que tem sido descarregada sobre os colombianos nos últimos meses, com uma campanha suja por parte da extrema-direita”.
“Inventavam todo tipo de coisa para desprestigiar a campanha de Cepeda e o progresso obtido pelo país nos últimos anos com o nosso presidente Gustavo Petro, que retirou muitas pessoas da pobreza. E é isso que dói à direita: que as grandes empresas estejam tendo que pagar mais impostos, que a educação seja pública e que mais pessoas estejam conseguindo progredir”, concluiu.
Esta cobertura da Agência ComunicaSul de Comunicação Colaborativa só foi possível graças ao apoio do Sindicato dos Bancários de São Paulo; Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo; jornal Hora do Povo; Vermelho; Diálogos do Sul Global (DSG); Correio da Cidadania; Barão de Itararé; vereador Werner Tempel (PCdoB-RS), de Santa Maria; Professor Azuaite, de São Carlos-SP; Instituto Angelim, da Internacional dos Serviços Públicos (ISP) e da Central Unitária de Trabalhadores da Colômbia, além de vários contribuintes anônimos.

