Em julho de 2025, redigi um artigo para essa revista (Diálogos do Sul Global) acerca da atuação dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na região do Ártico. A carência de uma política de atuação para a região fazia com que a organização direcionasse suas atividades segundo a capacidade dos seus Estados-membros, estando sujeita a variações e a discordâncias internas.
O Conceito Estratégico de 2022, mais recente documento da Aliança que define as prioridades estratégicas da organização, não menciona o Ártico. O Alto Norte é citado apenas em uma passagem, de forma indireta, relacionado às preocupações ocidentais sobre a capacidade russa no Atlântico Norte, que constituiria “um desafio estratégico para a Aliança” (OTAN, 2022).
Foi nesse mesmo ano de 2022 que ocorreu um ponto de virada nas relações regionais com a Rússia. A suspensão das atividades no Conselho do Ártico (2022), a retirada da Rússia do Conselho Barents/Euro-Ártico (2023) e a adesão da Finlândia (2023) e da Suécia (2024) à Otan — elevando para sete o total de nações árticas integrantes — fomentaram, entre os analistas ocidentais, a discussão sobre qual deve ser a postura da Otan em relação ao Ártico.
De um lado, uma abordagem mais prudente, que combinava o reforço da dissuasão com a manutenção de canais de diálogo com Moscou (FOLLAND, 2022). De outro, estratégias mais assertivas, que chegavam a propor a criação de um Comando Conjunto da Aliança dedicado ao flanco norte, sob o argumento de que o JFC Norfolk estaria ocupado demais com as linhas de comunicação marítimas (PALMER; GOSNELL, 2024).
As conversas sobre a criação de uma possível nova estrutura da Aliança para o Ártico já circulavam em 2022 também em análises publicadas na Rússia, como a da historiadora Maria Oreshina para o Conselho Russo de Assuntos Internacionais (ORESHINA, 2022).
O desfecho do artigo de julho não respondia à questão sobre a direção futura da atuação dos países da Otan no Ártico.
Diante dos desafios ambientais e das oportunidades de negócios que surgem, foi ressaltada a quase inviabilidade de rejeitar diálogos e arranjos práticos com Moscou, independentemente da estratégia que os países ocidentais decidissem empregar.
Táticas da Otan e queda da URSS fortaleceram ressurgimento e glorificação do nazismo
Em 2026, já é viável abordar o dilema deixado no ano passado. O Arctic Sentry, estabelecido em fevereiro, é a primeira missão de caráter multidomínio (aéreo, marítimo, terrestre, cibernético e espacial) no Alto Norte.
Fica sob supervisão do Joint Force Command Norfolk (JFC Norfolk), sediado nos Estados Unidos, cuja função é assegurar as linhas de comunicação transatlânticas que passam pela Brecha Groenlândia-Islândia-Reino Unido (GIUK Gap), e cuja área de responsabilidade abrange Noruega, Finlândia, Suécia, Dinamarca e Islândia. Com a nova missão, exercícios antes dispersos passam a correr sob um enquadramento operacional único.
O Arctic Sentry é o terceiro de uma mesma família: veio depois do Baltic Sentry, de janeiro de 2025, voltado à infraestrutura submarina do Báltico, e do Eastern Sentry, de setembro de 2025, no flanco leste. Como os dois anteriores, tem mandato inicial de doze meses, mas passível de renovação.
A criação dessa missão multidomínio no Ártico não representa exatamente um Comando Conjunto dedicado ao flanco norte, já que a Otan a classifica como “atividade de vigilância reforçada” e não cria, por ora, forças novas nem estrutura permanente, mas também não corresponde a uma abordagem prudente, que previa tanto instrumentos de dissuasão quanto de diálogo.
Desse conjunto, o Arctic Sentry ficou com a dissuasão. Já os instrumentos de diálogo ficam, até o momento, restringidos ao nível técnico e bilateral, como mostram as consultas da Noruega com a Rússia sobre prevenção de incidentes no mar e os encontros entre guardas de fronteira.
Ainda que a Otan siga sem uma estratégia ártica formal, a região passa a ser objeto de política da organização, por meio de um enquadramento de ação que opera com as capacidades nacionais dos Estados-membros.
A justificativa oficial enfatiza a necessidade de unificação das operações militares e de vigilância dos países ocidentais em vista da “expansão das atividades militares russas e do crescente interesse chinês na região”. Entre os participantes da missão, estão Canadá, Dinamarca (com Groenlândia e Ilhas Faroé), Finlândia, Islândia, Noruega, Suécia, Reino Unido e EUA.
O embaixador russo em Copenhague, Vladimir Barbin, observa que até 2025 as forças dos países não árticos da Otan estavam presentes na Groenlândia e no Ártico em geral em qualidade nacional, e que foi a partir do início de 2026, por iniciativa dinamarquesa, que essa atividade militar passou a ser institucionalizada sob a égide da Aliança. A iniciativa a que ele se refere é o Arctic Endurance, incorporado ao escopo do Arctic Sentry depois de fevereiro.
Barbin identifica o Arctic Sentry como uma intimidação à Rússia, de forma a restringir as operações russas nas rotas de navegação, em especial a saída russa para o Atlântico Norte. Otan e Rússia descrevem o mesmo problema em sentido reverso. Para a Aliança, segundo o Conceito Estratégico de 2022, é a capacidade russa no Atlântico Norte que representa um desafio de segurança. Para Moscou, é a atuação da Aliança no Ártico que restringe a navegação russa e o acesso a esse mesmo oceano.
Sob o guarda-chuva do Arctic Sentry, além do Cold Response, sediado na Noruega em março de 2026, e do dinamarquês Arctic Endurance, previsto para durar o ano todo, soma-se o Arctic Shield. Entre 7 e 18 de setembro, o exercício reúne 400 militares de onze países aliados para treinar a defesa da Groenlândia, sem a presença de tropas estadunidenses.
Em setembro também ocorre o Lion Protector, exercício complementar ao Arctic Sentry, da Joint Expeditionary Force, coalizão liderada pelo Reino Unido, com atividades na Islândia, nos Estreitos Dinamarqueses e na Noruega.
A escolha ocidental por uma atuação mais contundente na região reforça a pressão sobre a Federação Russa pela construção de um arranjo ártico paralelo ao ocidental. No entanto, o caminho percorrido até a fundação do Arctic Sentry não foi sem atritos. Uma crise interna com a Groenlândia quase colocou em xeque a articulação da Aliança.
A crise da Groenlândia
Se em 2025 analistas como Pavel Devyatkin alertavam que o reforço militar de cada lado alimentava a insegurança do outro, num dilema de segurança que pedia contenção e medidas de confiança (DEVYATKIN, 2025), em 2026 a soberania de um membro da Otan foi ameaçada por outro membro. Os sinais estavam visíveis no ano anterior.
Em março, o vice-presidente JD Vance visitou a base estadunidense de Pituffik, na Groenlândia, à revelia de Copenhague e de Nuuk, e lá criticou em público a gestão dinamarquesa da ilha. Ao longo do ano, a Groenlândia tornou-se um dos focos de atenção da gestão estadunidense, com o presidente clamando pela “necessidade absoluta” de tomar controle do território para a segurança nacional dos Estados Unidos.
Washington chegou a nomear, em dezembro, um enviado especial, com fins de fazer avançar a incorporação da região aos Estados Unidos. Como resposta, no fim de 2025, o serviço de inteligência dinamarquês passou a listar os EUA como ameaça à sua segurança nacional.
No início de 2026, as tensões continuaram. Em meados de janeiro, Trump condicionou o comércio com aliados à venda da Groenlândia. Em acréscimo, anunciou a imposição de tarifas de importação a oito países da Otan, com o pretexto de que essas nações teriam ido à Groenlândia “para fins desconhecidos”, configurando o que ele chamou de “situação muito perigosa”.
A mais contundente resposta dinamarquesa veio por meio do Arctic Endurance, na sua primeira fase entre 14 e 18 de janeiro. Sob o pretexto de conter o “potencial da atividade russa”, o exercício mobilizou contingentes de cerca de 12 países europeus para a ilha, não contra Moscou, mas para aumentar os custos militares de qualquer suposta invasão estadunidense e mostrar a capacidade de coordenação militar dos membros. Nesse ponto, a Otan vivia um momento de intensa turbulência interna.
O artigo 5 do Tratado do Atlântico Norte consagra o princípio de defesa coletiva, segundo o qual um ataque a um de seus membros é considerado um ataque a todos. No entanto, o dispositivo nunca previu que a ameaça viesse de dentro da própria Aliança. O que restaria desse princípio se a maior potência e uma das fundadoras da Otan se voltasse contra outro Estado fundador?
O recuo de Trump veio durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, no dia 21 de janeiro. Após reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, o presidente estadunidense prometeu não utilizar a força militar nem instrumentos econômicos para forçar a anexação da ilha. O presidente, em sua publicação no Truth Social no mesmo dia, citou ter alcançado um futuro acordo vantajoso sobre a Groenlândia e a região do Ártico.
É bem plausível que o Arctic Sentry tenha sido parte das conversas entre Rutte e Trump, e sua proposta deve ter sido um dos fatores que ajudaram a acalmar os ânimos do presidente estadunidense quanto às suas intenções de anexação da ilha. Em fevereiro de 2026, foi anunciada a missão.
No entanto, não parece que as intenções estadunidenses de expandir o seu espaço operacional na Groenlândia cessaram. Relatórios publicados a partir de abril de 2026 veiculam que o governo estadunidense está tentando viabilizar a abertura de três novas bases militares na Groenlândia, a partir da reativação de locais abandonados da Guerra Fria em Narsarsuaq e Kangerlussuaq.
Por fim, o Arctic Endurance cumpriu duas funções ao mesmo tempo. Serviu, no curto prazo, para encarecer qualquer movimento estadunidense sobre a ilha em janeiro e, no longo prazo, tornou-se parte de um enquadramento da Otan cuja justificativa declarada é conter a Rússia.
Os dois Árticos
Ao nomear o crescente interesse chinês como uma das razões do Arctic Sentry, a Otan responde com um enquadramento de vigilância militar ao corredor logístico que Rússia e China vêm construindo. E, ao responder assim, confirma o corredor como objeto estratégico. A decisão da Aliança de unificar o seu plano de atuação no Ártico é apenas um dos fatores que pressionam a Federação a criar espaço para a formação de novos arranjos na região, atraindo para perto os parceiros do Sul Global interessados, especialmente a China.
Para o governo russo, a política dos países ocidentais confirma a tese de que o anterior espaço para a cooperação multilateral que vinha sendo construído na região está sendo desmontado. A maior evidência está na paralisação do Conselho do Ártico.
O desmonte da infraestrutura de cooperação transforma a região, que desde o fim da Guerra Fria os Estados árticos tentaram manter sob uma arquitetura multilateral, relativamente resguardada das disputas geopolíticas mais amplas, em um dos mais novos palcos de competição militar e econômica, fortalecendo a lógica das zonas de influência. Se a mira ocidental está apontada para a Rússia e para a China, a resposta também passará por uma colaboração russo-chinesa mais estreita na região.
Ainda em 2018, Pequim publicou seu livro branco sobre o Ártico, declarando-se “Estado próximo do Ártico” e anunciando a Rota da Seda Polar como prolongamento da Rota da Seda Marítima do Século XXI. Nos anos seguintes vieram navios porta-contêineres, estaleiros, capital e formação de tripulações, apoiados na experiência polar russa e no controle russo sobre a Rota do Mar do Norte.
Em outubro de 2025, publiquei na mesma revista brasileira um artigo destrinchando a dinâmica da cooperação russo-chinesa na região, em vista do recrudescimento da pressão ocidental após os eventos de 2022. A cooperação entre Rússia e China na região é operada complementarmente, mas possui um caráter assimétrico: a Rússia possui infraestrutura, experiência polar e controle da Rota do Mar do Norte; a China, capital, tecnologia e demanda.
À época, apontamos que a Rota do Mar do Norte ainda era essencialmente doméstica (servindo para o escoamento de gás natural liquefeito (GNL) russo das plantas Yamal e Arctic LNG-2).
Para poder se transformar em um verdadeiro corredor internacional, reduzindo o trajeto entre Europa e Ásia em até 35% — se comparado ao Canal do Suez —, seria necessária maior quantidade de trânsito puro, ou seja, de viagens que atravessem toda a rota, sem parar em nenhum dos portos, até então raras e instáveis.
A transformação da Rota do Mar do Norte dependeria, no mínimo, de três pré-condições:
(1) Previsibilidade operacional: saber quando a carga chega ao destino, o que depende das condições de gelo, da disponibilidade de quebra-gelos e da duração da temporada navegável.
(2) Custo total competitivo: a travessia pela rota demanda cascos reforçados, escolta de quebra-gelos e seguros, o que, a depender do período do ano, pode não significar um frete mais barato.
(3) Licença ambiental e social: a dimensão ambiental está relacionada ao Código Polar da Organização Marítima Internacional (OMI), às restrições a combustíveis pesados e à necessidade de criação de uma estrutura de resposta a acidentes ao longo da rota, sobretudo derramamentos de óleo. A dimensão social diz respeito à aceitação, pelas populações do Extremo Norte e pelo próprio mercado internacional, da conversão da rota em corredor de larga escala. Por enquanto, grandes armadoras ocidentais, como CMA CGM e MSC, não pretendem utilizá-la, o que não tem impedido o interesse crescente de outras.
Ainda assim, entre setembro e outubro de 2025, algumas mudanças aconteceram no cenário da região. O porta-contêineres Istanbul Bridge (Sea Legend) cruzou o Ártico fazendo a rota China-Reino Unido em pouco mais de 20 dias, com operadores chineses já planejando aumentar a frequência para saídas semanais. Em outubro, na China, durante a 2.ª sessão do Subcomitê de Cooperação sobre a Rota do Mar do Norte, foi aprovado o plano de ação e roteiro conjunto para transformar a NSR em corredor de transporte estável. Paralelamente, foi fixada a meta de 20 milhões de toneladas de carga bilateral pela rota até 2030.
O acréscimo previsto de cerca de 10% sobre os 37 milhões de toneladas registrados em 2025 evidencia que a rota vem ganhando peso, devendo ultrapassar os 40 milhões em 2026. Dentro desse volume total, a cooperação bilateral russo-chinesa já responde por 5 milhões de toneladas só no primeiro semestre de 2026, quase o mesmo que o diretor-geral da Rosatom, Alexei Likhachov, contabiliza para todo o ano de 2025 (5,4 milhões).
Também está prevista a construção de cinco navios porta-contêineres da classe de gelo Arc7, com capacidade para mais de 4.800 unidades equivalentes a vinte pés (TEU) cada. Anunciado em junho de 2025 com meta de entrada em operação até 2027, o projeto foi reapresentado pela Rosatom no Fórum Econômico Oriental de setembro de 2026, por enquanto sem definição de estaleiro nem início das obras.
O projeto é parte da parceria estratégica entre a Rosatom e a empresa chinesa Hainan Yangpu NewNew Shipping para viabilizar o transporte marítimo de contêineres pela rota durante o ano inteiro, conectando Xangai e Ningbo a São Petersburgo e Arkhangelsk.
Paralelamente, em novembro de 2025, foi assinado um memorando para treinar especialistas chineses na Universidade Estatal Marítima de Vladivostok (im. Nevelskoy) e na Universidade Estadual de Navegação Marítima e Fluvial Almirante Makarov.
Mais recentemente, em agosto de 2026, um porta-contêineres sul-coreano, com apoio do governo de Seul, fez a primeira travessia de teste pela rota, ainda que com menos carga e mais atraso do que o previsto. Apesar dos imprevistos, a participação coreana sinalizou que o interesse na rota não se restringe à cooperação russo-chinesa.
Gradualmente, as hipóteses de médio e longo prazo para a viabilidade da Rota do Mar do Norte começam a se concretizar, apesar dos obstáculos do gelo e das próprias sanções ocidentais, que privam a Rússia de tecnologia e financiamento e a obrigam a buscar substitutos. Em meio a uma cooperação assimétrica (além dos fatores anteriormente mencionados, a China mantém uma ambiguidade estratégica sobre a classificação da Rota do Mar do Norte, embora, na prática, reconheça o controle doméstico russo sobre a rota), mas complementar, um novo arranjo polar vai sendo criado a partir da cooperação russo-chinesa.
As consequências da pressão ocidental não poderiam levar ao simples isolamento. Na atual configuração da economia internacional, o mais provável é, antes, que a pressão imponha a necessidade de criação de vias alternativas, de forma a fugir do controle ocidental.
Conclusão
A curto prazo, os países da Otan insistem em seguir com uma política de isolamento e de pressão contra a Rússia. No entanto, a consequência de tal escolha reforça o aprofundamento das relações russo-chinesas no Ártico e a gradual formação de um novo arranjo na região.
Isso fragmenta ainda mais uma zona que, ao menos em discurso, por três décadas foi objeto de esforços para se tornar uma área de governança compartilhada. No lugar da governança comum volta a lógica das zonas de influência. Do lado ocidental, a Aliança ganhou seu primeiro enquadramento comum de vigilância e dissuasão para a região. Do lado russo, a Rota do Mar do Norte começa a dar passos rumo a sua transformação em corredor internacional, com apoio chinês, ainda que Pequim também atue por conta própria no Ártico.
Ainda que a soberania dinamarquesa siga sob pressão, com Washington tentando negociar bases militares de estatuto especial e reiterando, em julho de 2026, na cúpula da Otan em Ancara, que a ilha deveria estar sob controle americano, as relações entre os EUA e a Dinamarca em torno do território parecem, por ora, migrar para uma acomodação negociada desde janeiro de 2026 por iniciativa de Copenhague, que retirou a disputa do espaço público sem que os dinamarqueses acreditem que Washington tenha desistido da ilha.
A consequência mais direta é a militarização da ilha, que avança por três frentes, a dinamarquesa, a estadunidense e a da Otan. O Arctic Sentry parece ter sido a fórmula para canalizar o ímpeto estadunidense por expansão operacional para dentro de um arranjo aliado: ao unificar exercícios e defesa sob o comando do JFC Norfolk, afastou, ao menos por ora, a ameaça de anexação aberta, ao mesmo tempo que a ilha passou a ter maior importância para o enquadramento de ação da Aliança.
No entanto, é o degelo que vai determinar as condições do tabuleiro disputado pelos dois polos, à medida que seguirá abrindo oportunidades econômicas e desafios ecológicos. Pelo segundo ano consecutivo, o máximo de inverno do gelo marinho ártico igualou a menor extensão já registrada desde o início das medições por satélite, em 1979 (NSIDC, 2026a).
E o verão de 2026 acompanhou por boa parte da temporada a trajetória de 2012, ano do menor mínimo da série, até se descolar dela em agosto, mês que ainda assim fechou como o sétimo mais baixo de todos os agostos medidos (NSIDC, 2026b). A tendência de degelo vale sobretudo para o Mar de Barents, o bastião naval russo e a porta europeia da Rota do Mar do Norte.
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XAVIER, Cíntia. Rota da Seda Polar: como aliança China-Rússia pode transformar comércio global no Ártico. Diálogos do Sul Global, 29 out. 2025. Disponível em: https://dialogosdosul.operamundi.uol.com.br/alianca-china-russia-no-artico/. Acesso em: 4 set. 2026.
