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ONU: Israel matou 20 mil crianças em Gaza; menores presos sofreram tortura e violência sexual Diálogos do Sul Global

Relatório afirma que Israel atacou deliberadamente crianças em Gaza, onde mais de 20 mil foram mortas, e documenta tortura, nudez forçada, agressões físicas, privação de comida e violência sexual contra menores palestinos detidos

A infância palestina tem sido uma das principais afetadas pela guerra em Gaza. Segundo o mais recente relatório da ONU, uma em cada três pessoas mortas na Faixa durante os últimos dois anos era uma criança. Os investigadores sustentam que o volume de vítimas infantis pode revelar a existência de padrões compatíveis com genocídio.

“As provas reunidas mostram que as crianças palestinas foram atacadas e assassinadas de forma deliberada”, declarou o presidente da Comissão, Srinivasan Muralidhar.

Na sua opinião, a eliminação sistemática de menores afeta diretamente a capacidade do povo palestino de garantir sua sobrevivência coletiva e construir seu futuro.

O relatório documenta a morte de pelo menos 20.179 crianças entre outubro de 2023 e outubro de 2025. Além disso, destaca que a proporção de menores entre as vítimas fatais superou amplamente a registrada em conflitos anteriores em Gaza.

Durante as operações militares de 2008–2009 e 2014, as crianças representaram cerca de 24% do total de vítimas fatais, uma cifra significativamente inferior à observada no período analisado.

A comissão sustenta que as forças israelenses continuaram utilizando armamentos de grande potência em áreas densamente povoadas apesar do crescente número de menores mortos. Para os investigadores, a repetição desses ataques dificulta atribuir as mortes infantis a simples erros ou danos colaterais.

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Fadi Al-Zalat, uma criança palestina de seis anos – reprodução: Twitter X @okaisito

“Isso sugere que os ataques responsáveis pela morte de um número tão elevado de crianças foram intencionais”, indica o relatório.

Além disso, os especialistas expressam preocupação com as mortes de menores registradas mesmo após a entrada em vigor do cessar-fogo em outubro de 2025.

Consideram que esse fato pode reforçar a hipótese de uma política direcionada contra a população palestina.

Para além dos bombardeios, o relatório destaca que o bloqueio, a falta de alimentos, medicamentos e atendimento médico também provocaram mortes evitáveis.

Segundo seus autores, as condições de vida impostas em Gaza causaram danos profundos e duradouros à saúde de toda uma geração de crianças palestinas.

A investigação também determinou que os ataques contra centros de saúde e de saúde reprodutiva afetaram as possibilidades de sobrevivência dos recém-nascidos e contribuíram para o aumento dos abortos espontâneos. Além disso, concluiu que praticamente a totalidade das crianças de Gaza necessita de atendimento psicológico. Segundo o relatório, atualmente quase todos os menores do enclave precisam de algum tipo de assistência especializada.

Na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, a Comissão detectou um aumento significativo da violência exercida por colonos israelenses contra menores palestinos e documentou casos de tortura, incluindo violência sexual e de gênero, durante prisões e detenções em massa.

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O documento assinala que as crianças palestinas, especialmente os meninos, foram submetidas de maneira sistemática a maus-tratos nos centros de detenção, entre eles nudez forçada, agressões físicas e privação de alimentos.

A Comissão concluiu que essas práticas constituem crimes contra a humanidade, como tortura e outros atos desumanos que provocam graves sofrimentos ou danos severos.

A missão de Israel junto às Nações Unidas em Genebra rejeitou as acusações e as classificou como o “segundo relatório difamatório da Comissão”.

“Israel rejeita essa farsa caluniosa”, afirmou em um comunicado, no qual acrescentou que, embora “toda criança mereça proteção”, o relatório omite “as brutais táticas empregadas pelo Hamas”.

Em outubro de 2025, Israel e o movimento Hamas, sob o patrocínio diplomático do Egito, Catar, Estados Unidos e Turquia, chegaram a um acordo para implementar a primeira etapa do plano de paz proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump. No dia seguinte, foi declarado um cessar das hostilidades em Gaza, que entrou em vigor imediatamente. As tropas israelenses, em cumprimento ao acordo, recuaram para a chamada linha amarela, conservando assim o controle sobre mais da metade da superfície do território.

De acordo com fontes palestinas, desde que o regime de cessar-fogo entrou em vigor em 11 de outubro de 2025, os bombardeios israelenses causaram mais de 1.000 mortos e cerca de 3.200 feridos na Faixa de Gaza. Desde que o conflito se intensificou em 7 de outubro de 2023, o número total de vítimas fatais já supera 73 mil mortos, e o de feridos ultrapassa 173 mil.

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