O governo espanhol, presidido pelo socialista Pedro Sánchez, condenou nesta terça-feira (24) “as violações dos direitos humanos, os desaparecimentos e os assassinatos perpetrados pelas juntas militares argentinas” (1976-1983). A declaração foi feita em razão do 50º aniversário do golpe de Estado na Argentina.
Ao prestar tributo à sua memória, o Conselho de Ministros da Espanha realizou uma declaração institucional e publicou a lista completa com os nomes das 307 vítimas de origem espanhola, que foram “desaparecidas” ou “assassinadas”.

Diante do revisionismo histórico impulsionado pelo presidente da Argentina, o ultradireitista Javier Milei, desde Madri foi expressa a mais contundente condenação à repressão e à perseguição sob o regime de Jorge Videla e das juntas militares. Na declaração institucional, o Conselho de Ministros expressou seu reconhecimento aos familiares das vítimas, “cuja perseverança contribuiu de maneira decisiva para manter viva a memória do ocorrido e para impulsionar processos de investigação que esclareçam todos os fatos.”
O texto também advertiu que, “no marco desta comemoração, o governo da Espanha considera um dever à memória dar visibilidade a esse episódio da história recente da América Latina e realizar um reconhecimento oficial às 307 pessoas, com a publicação de seus nomes como testemunho de dignidade e justiça.”
O ministro de Política Territorial e Memória Democrática, Ángel Víctor Torres, recordou que, há 50 anos, quando a Espanha começava a recuperar a liberdade, ocorreu um golpe de Estado na Argentina que mergulhou o país em uma ditadura, e os espanhóis que haviam emigrado por causa do franquismo voltaram a sofrer “um sistema repressivo baseado em detenções clandestinas, torturas, assassinatos e desaparecimentos forçados”.
Por isso, a Espanha “responde ao dever do Estado de reconhecer e reparar todas as vítimas de violações de direitos fundamentais, independentemente do lugar onde os fatos ocorreram”, acrescentou.
O governo espanhol ressaltou ainda que “a memória das vítimas interpela a comunidade internacional e obriga a redobrar os esforços na proteção das liberdades fundamentais. A consolidação das democracias exige assumir o passado com rigor, garantir o acesso à documentação e promover o conhecimento histórico frente à impunidade”.

