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Genocídio: Airbnb, Microsoft, Google e fundos de investimento lucram com destruição e morte em Gaza

Um estudo realizado pela Comissão Internacional Independente de Investigação sobre os Territórios Palestinos Ocupados, entre 7 de outubro e 31 de julho de 2025, concluiu que as autoridades israelenses e suas forças de segurança “cometeram e continuam cometendo” atos de genocídio contra os palestinos.

Ao esclarecer que a análise se baseou no estabelecido pela Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio, a entidade criada pelo Conselho de Direitos Humanos (CDH) da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2021 ressaltou que o ocorrido ali, a partir de 7 de outubro de 2023, não foi algo isolado.

Pelo contrário, indicou, foram fatos precedidos por décadas de ocupação ilegal e repressão sob uma ideologia que exigia a expulsão da população palestina de suas terras e sua substituição.

Entre as manifestações de genocídio contra a população palestina, a Comissão constatou assassinatos; graves danos físicos ou mentais; a imposição deliberada de condições de vida destinadas à sua destruição física, total ou parcial; e a imposição de medidas destinadas a impedir sua reprodução biológica.

250px Francesca Albanese
Francesca Albanese – wikipedia

Israel conta, em sua atuação, com o apoio de entidades corporativas, como afirma Francesca Albanese, relatora especial das Nações Unidas para os Territórios Palestinos Ocupados desde 1967, no relatório “Da economia da ocupação à economia do genocídio”.

Enquanto líderes políticos e governos evitam cumprir suas obrigações, empresas têm se beneficiado da economia israelense de ocupação ilegal, segregação racial e agora genocídio, destaca o documento apresentado na sessão do CDH em junho-julho de 2025.

A renomada jurista italiana concentrou sua investigação em dezenas de empresas fabricantes de armas, de tecnologia, construção civil, indústrias extrativas e de serviços, bancos, fundos de pensão, seguradoras, universidades e organizações beneficentes.

Os conglomerados Lockheed Martin, IBM, Hewlett Packard, Microsoft, Google, Amazon, Caterpillar, Chevron, Airbnb, BlackRock e Vanguard, dos Estados Unidos, figuram na lista junto com outros da Itália, Japão, Dinamarca, Coreia do Sul, Suécia, Reino Unido, Países Baixos, França e Alemanha.

A relatora especial destacou em suas conclusões que as entidades mencionadas em seu relatório representam apenas uma pequena parte de uma rede muito mais ampla de participação corporativa que possibilita e lucra com as violações e crimes cometidos no território palestino ocupado.

Justiça esquiva

A necessidade de estabelecer normas internacionais juridicamente vinculantes, destinadas a prevenir e enfrentar a violação de direitos humanos por parte de empresas transnacionais e outras entidades corporativas, é um tema amplamente debatido dentro e fora da ONU nas últimas quatro décadas.

O objetivo é corrigir as falhas do direito internacional em relação ao controle do cumprimento da responsabilidade social corporativa de empresas que atuam com frequência à margem da lei e com total impunidade, aproveitando seu exorbitante poder econômico.

Membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas votam um projeto de resolução na câmara da ONU em Nova Iorque.
Membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas – Reprodução: Onu News

Após iniciativas fracassadas desenvolvidas em instâncias da ONU desde a década de 1970, o CDH criou, em 2014, um Grupo de Trabalho Intergovernamental de Composição Aberta, encarregado de elaborar um instrumento juridicamente vinculante para regular as atividades das corporações transnacionais e de outras empresas “no direito internacional dos direitos humanos”.

A resolução que deu origem ao Grupo foi aprovada por 20 votos favoráveis, 14 contrários e 13 abstenções. O resultado da votação por países dá uma ideia da polarização de forças e tendências sobre o tema em questão, no ponto de partida.

Votaram a favor Argélia, Benin, Burkina Faso, China, Congo, Costa do Marfim, Cuba, Etiópia, Federação da Rússia, Filipinas, Índia, Indonésia, Cazaquistão, Quênia, Marrocos, Namíbia, Paquistão, África do Sul, Venezuela e Vietnã.

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Votaram contra Alemanha, Áustria, Estados Unidos, Estônia, a antiga República Iugoslava da Macedônia, França, Irlanda, Itália, Japão, Montenegro, Reino Unido, República Tcheca, República da Coreia e Romênia.

Por fim, abstiveram-se Arábia Saudita, Argentina, Botsuana, Brasil, Chile, Costa Rica, Emirados Árabes Unidos, Gabão, Kuwait, Maldivas, México, Peru e Serra Leoa.

Representantes de Estados e da sociedade civil participam das deliberações e sessões anuais do órgão, centradas na revisão de sucessivos projetos derivados do original apresentado na quarta reunião, em 2018. A primeira sessão ocorreu em 2015 e a décima segunda será realizada em outubro próximo.

A tarefa do Grupo é árdua, tendo em vista a diversidade de atores com interesses contrapostos: de um lado, as organizações da sociedade civil e os países do Sul Global; de outro, o lobby corporativo e as nações do Norte industrializado, onde estão localizadas as sedes das corporações transnacionais.

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