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Equador: 900 dias de exceção, 9.200 mortos: a guerra de Noboa não reduz a violência no país

Enquanto o presidente acumula decretos de estado de exceção, os equatorianos enfrentam uma crise de segurança: mais de 9 mil vítimas fatais em 2025 consolidam o país como um dos mais violentos da região.

O presidente do Equador, Daniel Noboa, decretou no dia 16 de junho um novo estado de exceção por grave comoção interna em 10 províncias e três cantões, em uma tentativa de conter a onda de insegurança que mantém o país em alerta. A medida, que permanecerá em vigor por 60 dias, permite que as forças de segurança realizem buscas domiciliares e apreensões de bens, mas exclui o toque de recolher.

Noboa
Daniel Noboa Azin -Twitter X @DanielNoboaOk

No entanto, a decisão chega em um momento crítico, já que o país soma cerca de 900 dias sob regime de excepcionalidade desde que o direitista assumiu o cargo, em novembro de 2023, sem que os alarmantes índices de homicídios tenham diminuído.

A taxa de assassinatos encerrou 2025 em 50,9 por 100 mil habitantes, o equivalente a 9.200 crimes, o que evidencia o fracasso de uma estratégia que prioriza a militarização, mas não consegue conter a violência.

O Decreto Executivo 432, que entrou em vigor no dia 17 de junho, abrange províncias estratégicas como Guayas, Manabí, Pichincha (onde está localizada Quito) e Esmeraldas, além dos cantões La Maná, Las Naves e La Troncal.

A justificativa oficial baseia-se em relatórios sigilosos do Centro Nacional de Inteligência, que alertam para a presença de estruturas criminosas e para episódios recentes de violência, como o assassinato da promotora de Manta, Alexandra Bravo.

No entanto, a ampliação da medida não convence setores críticos, que apontam a ausência de resultados concretos, apesar da suspensão de direitos fundamentais, como a inviolabilidade do domicílio e da correspondência.

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Embora o estado de exceção não imponha restrições à circulação, ele autoriza as Forças Armadas e a Polícia a atuarem de forma discricionária nos territórios abrangidos. Segundo o presidente de direita, o objetivo é “resguardar a ordem pública e a segurança cidadã”, mas a população equatoriana recebe cada novo anúncio com ceticismo, já que a violência não dá sinais de recuo.

Enquanto isso, segundo informou a Prensa Latina, organizações de direitos humanos e organismos internacionais têm manifestado preocupação com o crescente número de denúncias de abusos cometidos no contexto dessas operações militares, que deixaram um saldo de arbitrariedades sem que o Estado garantisse mecanismos efetivos de controle.

O novo decreto, que terminará em 31 de julho, é o mais recente capítulo de uma sequência de medidas emergenciais iniciada em janeiro de 2024. O próprio Noboa havia prometido que 2025 seria o ano do fim da crise, mas os dados desmentem qualquer avanço. A continuidade dessas declarações de estado de exceção sugere que o governo transformou a excepcionalidade em política de Estado, sem enfrentar as causas estruturais do crime organizado.

A grande dívida do presidente não é a falta de decretos, mas a ausência de eficácia. Com mais de 9.200 vítimas fatais em 2025, o Equador consolidou-se como um dos países mais violentos da região.

A pergunta que permanece no ar é se o governo está disposto a mudar de rumo ou se continuará acumulando mais dias de estado de exceção sem resolver a crise.

As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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