Realizada há 21 anos, a semana promove a solidariedade internacional à Palestina e neste ano foi lançada em uma tenda, no centro de Gaza — um símbolo da luta diária frente ao cerco sionista
A Semana do Apartheid Israelense 2026, sob o lema “A Palestina nos Liberta a Todos”, foi lançada nesta terça-feira (24) na Cidade de Gaza. Organizado em conjunto pelo Secretariado dos Quadros Estudantis e pelo Sindicato dos Jornalistas Palestinos, em cooperação com o movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), o evento foi realizado no Centro de Solidariedade com a Mídia do Sindicato. As atividades visam destacar mecanismos para confrontar as políticas de ocupação e aumentar a conscientização pública e sindical sobre os métodos de boicote internacional, dadas as circunstâncias excepcionais enfrentadas pela causa palestina.
Musa Saud, chefe do Secretariado dos Quadros Estudantis, explicou que o lançamento dos eventos no coração de Gaza e dentro de uma tenda reflete a determinação dos estudantes em continuar sua luta apesar do cerco e da destruição infligida às universidades. Ele observou que a semana começou há 21 anos na Universidade de Toronto, no Canadá, servindo como uma plataforma global para promover a solidariedade internacional, aumentar a conscientização sobre a natureza do regime de apartheid israelense e apoiar campanhas de boicote e contra a normalização. Saud pediu a expansão da participação estudantil globalmente e a restauração das universidades como espaços de liberdade, conscientização e mudança.
Por sua vez, Wisam Zoghbour, membro do Secretariado Geral do Sindicato dos Jornalistas Palestinos, afirmou que a ocupação tem como alvo sistemático jornalistas palestinos, com aproximadamente 260 jornalistas mortos, dezenas presos e veículos de comunicação destruídos. Ele explicou que essas violações não impedirão os jornalistas palestinos de relatarem a verdade. Zoghbour também invocou a experiência da luta contra o apartheid na África do Sul, enfatizando que os palestinos se inspiraram nela para lançar o movimento BDS e fortalecer a solidariedade internacional, enquanto continuam a processar esses crimes perante o Tribunal Penal Internacional.
Amani Abu Karsh, representante da União Geral das Mulheres Palestinas, afirmou que as mulheres palestinas constituem um pilar fundamental da luta nacional. Ela observou que mais de 13 mil mulheres foram mortas durante a última guerra e que outras milhares carregam a responsabilidade por suas famílias, além do alto índice de feridos entre mulheres e crianças. Ela enfatizou a importância de ampliar o círculo da solidariedade internacional e fortalecer o papel das universidades e dos movimentos estudantis no apoio aos direitos do povo palestino, ressaltando que as mulheres continuarão sendo o coração e a voz da resistência.
O evento, organizado pela ativista Shahd Al-Shurafa, reflete a contínua resistência palestina em Gaza e representa a união de jornalistas, estudantes e mulheres no enfrentamento da ocupação, juntamente com os constantes apelos para que a comunidade internacional assuma suas responsabilidades legais e morais e trabalhe para responsabilizar a ocupação e cessar suas violações.
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