Celebrada a cada 30 de março, a data é um testemunho eterno de que o palestino, por mais ferozes que sejam as guerras e os massacres, não abandonará a sua terra
Em 30 de março, os palestinos não comemoram apenas um evento passageiro no calendário da luta nacional, mas sim despertam a própria memória da terra; a memória dos mártires cujo sangue foi derramado em defesa do solo, da identidade e da existência. O Dia da Terra Eterna não foi simplesmente um dia simbólico, mas uma declaração histórica de que a Palestina, em toda a sua extensão da Galileia ao Negev e de Jerusalém a Gaza, é uma pátria viva que não será desarraigada e um povo que não abrirá mão do seu direito à sua terra.
Este dia, que conferiu à Palestina sua identidade nacional e histórica firmemente estabelecida, retornou este ano no momento mais perigoso da história do nosso povo contemporâneo: enquanto a Faixa de Gaza é submetida a uma guerra de aniquilação abrangente que visa pessoas, pedras e árvores. As formas mais hediondas de assassinatos em massa, fome e destruição sistemática estão sendo perpetradas ali, numa tentativa flagrante de quebrar a vontade do nosso povo e forçá-lo à transferência e ao deslocamento forçado.
O que está acontecendo em Gaza hoje não é apenas uma guerra, mas uma continuação direta do projeto de limpeza étnica colonial que começou com a Nakba de 1948, quando aldeias foram desarraigadas, seus habitantes deslocados e o mapa redesenhado com fogo e sangue. O que testemunhamos hoje é uma reprodução desse mesmo cenário, mas com ferramentas ainda mais brutais: bombardeios indiscriminados, destruição de bairros residenciais, ataques a hospitais e abrigos e fome sistemática, visando forçar o deslocamento em massa e criar uma nova realidade demográfica às custas da presença palestina.
No Dia da Terra, a verdade mais gritante é revelada: o conflito foi e continuará sendo uma luta por terra, identidade e existência. Durante décadas, o projeto sionista baseou-se no desenraizamento dos palestinos de suas terras, no apagamento de sua história e em sua substituição por colonos. Entre a aceleração da atividade de assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém e os crimes genocidas em Gaza, as ferramentas desse mesmo projeto estão unidas: roubar terras, deslocar seus proprietários e obliterar sua narrativa nacional.
Mas a Palestina que deu origem ao Dia da Terra não morrerá. Esta terra, regada pelo sangue dos mártires, conhece seus filhos e filhas, lembra-se de seus nomes e resiste com eles a todas as tentativas de deslocamento. Em Gaza, como em Jerusalém, na Cisjordânia, na Galileia e no Negev, nosso povo prova que sua vontade é mais forte que a máquina de guerra e que suas raízes são mais profundas que todos os planos de deslocamento e transferência forçados.
O Dia da Terra não é mais apenas uma comemoração histórica; tornou-se um grito nacional retumbante para o mundo: não ao genocídio, não à limpeza étnica, não ao deslocamento forçado. É uma reafirmação de que a Palestina não é uma questão de fronteiras, mas sim a de um povo que se agarra à sua terra, confrontando um projeto colonial que visa a sua própria existência.
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A terra continuará sendo o foco da nossa luta, e Gaza continuará sendo o coração sangrento da Palestina, uma testemunha viva da brutalidade da ocupação e da firmeza do povo. O Dia da Terra permanecerá um testemunho eterno de que o palestino, por mais ferozes que sejam as guerras e os massacres, não abandonará a sua terra, não renunciará aos seus direitos e não permitirá que a Nakba se torne um destino permanente.
Neste imortal Dia da Terra, elevamos as nossas vozes do coração da Palestina para o mundo inteiro: esta terra não está à venda, não está sujeita a negociações e não é palco para projetos de genocídio, deslocamento e transferência forçada. De Gaza, sangrando sob o fogo da guerra, a Jerusalém, enfrentando a judaização, à Cisjordânia, sujeita ao avanço da expansão dos assentamentos, nosso povo está escrevendo um novo capítulo de firmeza nacional, afirmando que o sangue palestino não significa derrota, mas sim liberdade.
A ocupação, que aposta na morte, na fome e na destruição para quebrar a vontade do nosso povo, fracassará, assim como todos os invasores antes dela fracassaram. A Palestina, que deu origem ao Dia da Terra, às intifadas e às caravanas de mártires, não se curvará diante da máquina da aniquilação, nem permitirá que o crime do deslocamento se torne uma realidade permanente.
Permaneceremos leais à terra, guardiões da memória e zeladores da história e da identidade. Gaza, assim como a Galileia, Jerusalém e o Negev, permanecerá um símbolo de firmeza e resistência, um testemunho vivo de que o povo palestino, não importa quão severos sejam os massacres e as dificuldades que enfrente, não será quebrado nem forçado a partir.
A terra é nossa, o direito é nosso e o futuro é nosso… A Palestina resistirá enquanto houver oliveiras e o sopro da resistência em nossos corações.
A Palestina não morrerá… Gaza não será desalojada e a terra permanecerá com seus legítimos donos.

