Denúncia ocorre durante visita do chefe do Comando Sul dos EUA, Francis Donovan, à Colômbia; governo de Abelardo de la Espriella prepara nova diretriz de segurança, encerra a “Paz Total” e prevê medidas como estatuto contra organizações classificadas como “narcoterroristas”
A oposição de esquerda na Colômbia denunciou no dia 26 de agosto um plano de judicialização de seus dirigentes, ex-funcionários, incluindo o ex-presidente Gustavo Petro, a partir da nova estratégia de segurança do governo do ultradireitista Abelardo de la Espriella, que também busca criminalizar os protestos sociais e políticos no país.
A denúncia ocorre no contexto da visita programada do chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, Francis Donovan, justamente no dia em que o presidente, o ultradireitista Abelardo de la Espriella, presidiu a mudança do alto comando militar na Colômbia.

“A Colômbia, mais recente integrante da Coalizão das Américas contra os Cartéis (A3C), é uma parceira no combate ao narcotráfico e uma líder vital na segurança da região”, informou o Comando Sul ao justificar a visita do general à Colômbia.
Analistas afirmaram que, sem dúvida, a visita não foi uma coincidência, mas foi planejada, pois De la Espriella, na cerimônia, para a qual Donovan foi convidado, apresentou às Forças Públicas sua luta frontal contra o narcotráfico e a eliminação do programa “Paz Total”, da administração de Petro.
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“Estamos assistindo a uma perigosa cessão de nossa soberania aos Estados Unidos e a Israel, acompanhada de anúncios e da implementação de operações militares conjuntas que podem levar à intensificação da violência nos territórios rurais e produzir violações massivas dos direitos humanos”, reagiu o senador e ex-candidato do esquerdista Pacto Histórico, Iván Cepeda.
Cepeda, que falou na instalação do “Gabinete pela Vida”, que fará controle político da gestão do governo, denunciou que “o governo de De la Espriella pretende gerar um clima de desorientação na população, de medo e incerteza, por meio de judicializações em massa contra aqueles de nós que somos dirigentes, ex-funcionários ou congressistas do Pacto Histórico e dirigentes, começando pelo próprio ex-presidente Petro”.
Além da promoção do novo alto comando, o governo do ultradireitista anunciou a publicação, nos próximos dias, de uma diretriz presidencial de segurança integral, o cancelamento de qualquer iniciativa de paz e a proposta de criar um estatuto de segurança para definir os grupos ilegais, segundo os critérios do governo, como organizações “narcoterroristas”.
Na Comissão Segunda do Senado, especializada em assuntos militares, o ministro da Defesa, Jorge Mora, justamente no dia da visita do chefe do Comando Sul, disse aos parlamentares que “na diretriz presidencial ficarão claros os alcances, objetivos e estratégias de segurança do governo nacional”.
Embora o conteúdo dessa estratégia de segurança ainda não seja conhecido, nas últimas horas vazou o conteúdo do que será o plano nacional de desenvolvimento “A Pátria Milagre”, no qual, além de falar sobre a redução do Estado e a eliminação do aborto, entre outros temas, são estabelecidas propostas como o porte legal de armas, a eliminação da Jurisdição Especial para a Paz, o fim da Paz Total, um plano de choque de segurança nos primeiros 90 dias, a pulverização de 330 mil hectares de plantações de folha de coca; enfim, um pot-pourri de iniciativas nas quais a questão da segurança é prioritária.
De acordo com o documento divulgado por alguns meios de comunicação, A Pátria Milagre será implementada a partir de várias frentes, definidas da seguinte forma: Milagre pela vida, Milagre do amor, Milagre do saber, Milagre de sonhar, Milagre de pertencer, Milagre de criar e Milagre de servir. George Orwell, em 1984, ficou aquém da realidade, afirmaram analistas.
