Niu Qingbao critica Washington por tentar barrar projetos com Pequim, como um cabo submarino de fibra óptica e um centro de dados, enquanto a China responde por quase 35% das exportações chilenas
O embaixador da China no Chile, Niu Qingbao, afirmou que “alguns nos Estados Unidos se consideram o ‘imperador’ da América Latina”, em uma carta publicada no jornal El Mercurio, na qual acusa Washington de intervencionismo e de pressionar os países latino-americanos para que limitem seus vínculos comerciais e políticos com Pequim.

“Não é a primeira vez que Washington se proclama dono da América, mas o caráter enganoso e hipócrita de seus comentários é alarmante”, afirmou.
A carta, defensora da legitimidade da relação que Pequim construiu na região, contrapõe-na ao tratamento histórico estadunidense.
Como os EUA usam a lei sobre trabalho forçado para pressionar o Brasil e isolar a China
Enquanto a China desenvolve suas relações “com base no respeito mútuo, na igualdade e no benefício compartilhado, sem jamais perseguir um ‘China first’”, contrapõe que “a maior fonte de dano à soberania, à segurança e aos interesses de desenvolvimento da América Latina é precisamente os próprios Estados Unidos”.
A China, por sua vez, “defende priorizar os pontos em comum em relação às divergências”, “nunca recorreu à intimidação nem à coerção” e “respeita as cooperações amistosas da América Latina com todos os países e nunca lhe pediu que tomasse partido”.
Por outro lado, diz ele, a Casa Branca “cobiça territórios alheios, derrubou governos, não deixa de implementar intervenções armadas e sanções unilaterais”.
A publicação do diplomata ocorre em um contexto no qual seu homólogo estadunidense em Santiago, Brandon Judd, intervém pública e abertamente para bloquear iniciativas comerciais entre Chile e China, como a construção de um cabo submarino de fibra óptica que ligaria os dois países e também a criação de um centro de dados em Santiago, promovido em uma parceria entre a Academia Chinesa de Ciências, a corporação Huawei e a Universidade Técnica Federico Santa María.
A China, com quase 35% das exportações locais, é o principal parceiro comercial do país, seguida pelos Estados Unidos, com 15%, no ano passado.
Nessa linha, Qingbao observou que “no âmbito econômico e comercial, enquanto exige de seus parceiros que ‘acreditem neles’ e, apesar de ter um superávit comercial com o Chile e um tratado bilateral de livre comércio, não hesitou em impor tarifas ao Chile e a outros países, sob pretextos absurdos como ‘reciprocidade’ e ‘trabalho forçado’”.
Também acusou os Estados Unidos de serem “o maior consumidor mundial de drogas e a principal fonte de armas ilegais na região, permitindo a proliferação de medicamentos prescritos e maconha. No entanto, quer combater o narcotráfico em outros países para encobrir sua própria vergonha”.
Menciona que Washington “utilizou os vistos como arma para sancionar autoridades chilenas e seus familiares, uma demonstração de valentia do hegemonismo contra indivíduos”, o que seria uma mensagem de que qualquer autoridade que apoie uma alternativa chinesa está sujeita a sanções e de que “a espionagem, as bases militares, as intervenções que os Estados Unidos realizam na região são para ‘protegê-la’, para que a América Latina seja um ‘quintal’ mais seguro segundo a Doutrina Monroe”.
“Acredito que os Estados Unidos adquiriram o mau hábito de se considerarem o ‘imperador’ da América (…). Instamos os Estados Unidos a deixar de interferir no direito soberano dos países de escolher seus parceiros e a contribuir, com fatos concretos, para a prosperidade e a estabilidade da América Latina e do Caribe”, concluiu.
