“A pátria é um conceito nosso, não de seus traidores. No primeiro turno derrotamos nas urnas o chefe tradicional da direita e da extrema-direita colombiana, Álvaro Uribe, que também foi derrotado nos tribunais de Justiça. Agora, o marketing político nos traz um novo produto: um obscuro advogado de narcotraficantes, paramilitares e estelionatários, que se diz defensor da pátria, mas está ajoelhado diante dos interesses e da intervenção estrangeira”.
De forma enfática e ao som de gritos de “Cepeda presidente!”, o candidato do Pacto Histórico foi saudado na Praça Santa Maria, no sábado (13), durante o comício de encerramento da campanha progressista em Bogotá, ao lado de lideranças do Congresso e dos movimentos sociais.
Nesse local emblemático, anteriormente chamado Praça dos Touros, afirmou: “Encerramos nosso período de grandes mobilizações, orgulhosos de ter reunido mais de um milhão e 300 mil pessoas em atos públicos”.
Valorizando a parceria estratégica com a grande liderança indígena Aida Quilcué, candidata à vice-presidência, o líder humanista lembrou que não apenas obtiveram uma grande votação no primeiro turno, como também elegeram “a bancada parlamentar mais numerosa do país”.
“Somos uma força imparável, integrada pelo melhor do povo. Então, conosco, tudo. E sem nós, nada”, sorriu Cepeda, sob aplausos.
“DERROTAR A EXTREMA-DIREITA E SEU PROJETO DE MORTE”
Em clima de Copa do Mundo, saudado por um mar de bandeiras, faixas e cornetas colombianas, o candidato exortou a que, no segundo turno, no próximo domingo (21), todos se dediquem ao máximo, pois o “voto é essencial para continuar as grandes transformações e derrotar a extrema-direita e seu projeto de morte”.
Cepeda lembrou que Abelardo de la Espriella pegou a família e “foi viver no exterior para se identificar com outros poderes”. “Ele não gosta de ser identificado com o popular e não quer acabar com a pobreza, mas acabar com os pobres”, sintetizou.
O ultradireitista, assinalou, pretende “acabar com as conquistas sociais obtidas nesses anos, com as liberdades e perseguir a oposição. Quer que voltemos à época em que o inimigo interno era o povo colombiano”.
“Não permitiremos isso de forma alguma. Quer acabar com a natureza, com o fraturamento hidráulico, com os páramos, com as fontes de água e com a riqueza natural. Nosso projeto é exatamente o contrário, e estamos em um lugar que simboliza isso. Nesta praça se praticavam a tortura e o espetáculo da morte com os animais, até que chegou nosso governo da Bogotá Humana”, recordou.
“PETRO BENEFICIOU AS COMUNIDADES EXCLUÍDAS E ESQUECIDAS”
“O companheiro presidente Gustavo Petro liderou o primeiro governo social que o nosso país teve, que inverteu as prioridades em benefício das comunidades historicamente excluídas e esquecidas, e não dos setores da elite que concentram a riqueza e o poder. Foi o primeiro governo que realizou uma verdadeira reforma agrária, entregou centenas de milhares de hectares aos camponeses e reconheceu os trabalhadores rurais como sujeitos de direitos”, sublinhou Cepeda.

Engajada com força redobrada, a intérprete bilíngue Veronica Polania acredita que “é hora de redobrar os esforços para deixar bem claro o significado das propostas de Cepeda para ajudar o país e seu plano de governo”.
“Agora acreditamos que fizemos uma excelente campanha e que lutamos não só pelo meio ambiente, mas também pelos nossos direitos”, afirmou.
O professor e sociólogo Luis Alfonso considerou que “um dos aspectos mais importantes foi a mudança nas pessoas, que passaram a falar, participar e sair às ruas. Isso é transformação”.
“O principal inimigo a ser superado é a ignorância, enquanto acreditávamos que era a corrupção. Mas a corrupção é uma derivação da ignorância, e isso estamos vendo no grau de polarização do país. Com Petro chegamos à polarização; com Cepeda chegaremos ao poder”, frisou.
Estudante de artes, Ana Maria Pirilla reiterou a importância de participar da votação no próximo domingo, “pois nosso voto em Cepeda precisa se fazer valer com amor, defendendo os páramos e os ecossistemas e derrotando o ódio propagado por De la Espriella”.
Sua irmã, a geógrafa Lina Maria, estudante de biologia, compartilha da mesma opinião. Para ela, “não há nenhuma lógica em colocar os interesses das grandes empresas acima da preservação da natureza e dos ecossistemas de um país tão vasto”.
A ultradireita, apontou, “quer privatizar tudo, transformar nossas selvas em zonas de sacrifício, mercantilizando pessoas que já se encontram em situação de vulnerabilidade”.
Como se não bastasse, acusou, pretendem cortar em 40% os recursos do Estado, “o que é inconcebível, pois acabaria com a fiscalização e afetaria de forma muito grave a educação e a saúde públicas”.
“DE LA ESPRIELLA USOU O MARKETING POLÍTICO PARA COMPRAR VOTOS E MANIPULAR CONSCIÊNCIAS”
Em Soledade, cidade do departamento de Atlántico, Iván Cepeda concluiu a campanha no domingo (14), animado por dezenas de milhares de apoiadores.
“Confio nas instituições democráticas e participativas. Confio na comunidade empresarial, nas forças de segurança e no sistema judiciário que quer construir a democracia. Confio no diálogo e na possibilidade de um Pacto Histórico”, asseverou Cepeda, destacando que “nada do que conquistamos foi de graça”.
“A democracia que temos, com todas as suas imperfeições, é valiosa”, registrou.
Em Cali, campanha de Cepeda denuncia roubo de documentos e ameaças antes do segundo turno
“Estou profundamente orgulhoso da campanha eleitoral que realizamos juntos. Não se tratou de marketing político, compra de votos, manipulação de consciências, mentiras ou uso de inteligência artificial para fabricar calúnias, como está fazendo a campanha de De la Espriella”, alertou.
Além disso, manifestou o candidato progressista, “podemos comprovar o grande apreço do povo caribenho diante de tamanho empenho pela vitória”.
“Estou profundamente orgulhoso da campanha eleitoral que realizamos juntos. Não se trata de marketing político, desperdício de recursos ou uso de inteligência artificial para fabricar calúnias. Falo das pessoas, dos murais, da propaganda, das músicas e dos vídeos artesanais”, agradeceu Cepeda.
Esta cobertura da Agência ComunicaSul de Comunicação Colaborativa só foi possível graças ao apoio do Sindicato dos Bancários de São Paulo; do Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo; do jornal Hora do Povo; de Vermelho; da Diálogos do Sul Global (DSG); do Correio da Cidadania; do Barão de Itararé; do vereador Werner Tempel (PCdoB-RS), de Santa Maria; do professor Azuaite, de São Carlos-SP; do Instituto Angelim, da Internacional dos Serviços Públicos (ISP); da Central Unitária de Trabalhadores da Colômbia; além de vários contribuintes anônimos.

