A dez dias do segundo turno presidencial, o debate político, com tentativas de suspensão do mandato do presidente da República e a intromissão dos Estados Unidos nas eleições, são os temas que estão sobre a mesa dos colombianos que irão às urnas em 21 de junho.

Além da interferência de Donald Trump em favor do ultradireitista Abelardo de la Espriella, uma deputada revelou no dia 10 de junho um projeto para suspender Gustavo Petro, supostamente “por intervenção na política”, em uma clara violação da Constituição colombiana, que permite isso (destituição ou suspensão) apenas em casos extremos e após um longo procedimento legislativo.
“É uma clara violação da Constituição”, reagiu Petro em entrevista coletiva na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, onde presidiu a sessão do Conselho de Segurança após assumir a presidência desse órgão internacional em nome da Colômbia, como país membro da instância.
“Foi uma parlamentar que ajudei a eleger em 2022 como representante do Pacto Histórico e que hoje pertence a outro partido. Agora, após tentar fazer pedidos pouco sérios a ministros do meu governo e diante da evidente rejeição, quer recorrer à extorsão, e isso é um delito”, afirmou Petro.
Devido à ilegalidade da proposta, os congressistas da comissão encarregada de abrir uma eventual investigação contra o chefe de Estado rejeitaram a iniciativa.
Pela segunda vez, em menos de quinze dias, Trump interferiu na campanha presidencial da Colômbia ao expressar seu apoio a De la Espriella. “Os resultados destas eleições são cruciais para o futuro da Colômbia e sua relação com os Estados Unidos, país que, se Abelardo vencer, graças à sua competência e amor por seu país, contará com o apoio e a força total dos Estados Unidos”, escreveu o magnata no X.
Trump entra na disputa colombiana, declara apoio a Abelardo de la Espriella e recebe invertida de Petro
A Colômbia elegerá seu presidente em segundo turno no próximo dia 21 de junho entre o senador de esquerda do Pacto Histórico, Iván Cepeda, e o ultradireitista Abelardo de la Espriella, apoiado por clãs políticos tradicionais e regionais.
Diante desse apoio explícito da Casa Branca a De la Espriella, Petro reagiu: “Minha função constitucional é defender a soberania da Colômbia, sua liberdade e os direitos e liberdades de todo o seu povo. Solicito-lhe, como presidente da Colômbia, que não intervenha na campanha que o povo colombiano decide livremente, e não o senhor”.
Petro, que vem questionando o financiamento da campanha do candidato apoiado por Trump, advertiu no X que “ao presidente Donald Trump informo que a Constituição da Colômbia proíbe apoios e recursos estrangeiros. É crime na Colômbia que recursos estrangeiros tentem modificar a opinião livre do povo colombiano por meio de grandes campanhas de inteligência artificial, transformando a mentira em verdade, e é proibido financiar, inclusive como lamentavelmente se tornou tradição na Colômbia por causa do narcotráfico e da corrupção, a compra de votos”.
Trump, que felicitou De la Espriella por sua vitória no primeiro turno, destacou do ultradireitista seus: “êxitos na vida e seu apoio político a mim. É uma honra para mim oferecer a Abelardo meu apoio total e incondicional”.
Colômbia: Cepeda denuncia que campanha de Abelardo prepara ataque falso para ganhar votos

No entanto, apesar desse apoio, na Colômbia De la Espriella é um advogado criminalista de reputação questionada, defensor de narcotraficantes e, para alguns formadores de opinião, um “trapaceiro dos trapaceiros”.
Petro e uma funcionária da embaixada dos Estados Unidos tiveram um desentendimento na ONU, durante a sessão ordinária do Conselho de Segurança, que a Colômbia preside neste mês de junho, sobre o tema “A Paz no Oriente Médio”, um fórum promovido pela chancelaria colombiana.
“Aqui não se pode dizer que denunciar o genocídio na Palestina e buscar o diálogo para superar os conflitos seja antissemitismo”, respondeu Petro à funcionária, que substituiu o embaixador Mike Walts.
Ela questionou o fórum e argumentou, em sua intervenção, que “seu país não aceita que neste fórum se venha falar de antissemitismo”, ao mesmo tempo em que justificou, na prática, o que ocorreu na Palestina e ressaltou os esforços que hoje seu país realiza para a reconstrução de Gaza.
“O que proponho é um diálogo entre civilizações, não a eliminação de uma etnia, como foi proposto por genocidas que querem extinguir o povo palestino. Falar do genocídio em Gaza não é antissemitismo”, reiterou o presidente colombiano na sessão do Conselho de Segurança.

