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Cannabrava | Trump e Xi Jinping: encontro de dois mundos

O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping não deixa de ser histórico. Trata-se do encontro de dois gigantes, dois líderes dos dois países mais poderosos do mundo.

Um é a própria truculência imperialista. O outro, retrato fiel de um Confúcio, expressão da sabedoria e da paciência milenar chinesa.

São dois mundos antagônicos.

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Reprodução: easy-peasy.ai

Do ponto de vista do Produto Interno Bruto (PIB) medido pelo poder de compra, a China já supera os Estados Unidos como potência econômica. A China é hoje a fábrica do mundo. Os Estados Unidos transformaram-se na meca da especulação financeira, em pleno processo de desindustrialização e decadência.

Os Estados Unidos impuseram tarifas ao mundo inteiro, inclusive à China. A resposta chinesa não foi apenas comercial. Em pouco mais de uma década, a China construiu a maior marinha do mundo.

A China quer comercializar com todo o mundo. Quer relações fraternas, colaboração e integração econômica. Com isso, conquistou espaço global. Hoje, praticamente não existe país que não tenha a China como principal parceiro comercial ou entre seus principais parceiros.

Já os Estados Unidos continuam impondo o dólar e sua hegemonia militar por meio de tropas espalhadas pelo planeta. Isso não muda, apesar de Trump afirmar que está acabando com as guerras e até desejar o Prêmio Nobel da Paz.

A China, ao contrário, já comercializa em sua própria moeda e, no âmbito do Brics, impulsiona relações comerciais em moedas nacionais, reduzindo gradualmente a dependência do dólar.

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As relações entre Estados Unidos e Europa também atravessam dificuldades. Tarifas comerciais, pressão econômica e presença militar permanente produzem crescente desconforto. Das mais de 800 bases militares estadunidenses espalhadas pelo mundo, mais de 100 estão na Europa.

Ao mesmo tempo, o sistema financeiro domina as políticas econômicas ocidentais, provocando desindustrialização e desemprego.

Em contraste, a China lidera a Nova Rota da Seda, integrando mais de 100 países em acordos comerciais e projetos de infraestrutura.

Há também o peso da história. A China possui mais de quatro mil anos de civilização. Os Estados Unidos não têm sequer 250 anos de existência.

Além disso, a China controla terras raras e minerais críticos dos quais os Estados Unidos são fortemente dependentes.

Taiwan continua sendo o principal pomo da discórdia. Trump fornece armas e dinheiro para a ilha, que Xi Jinping considera território chinês. E Xi advertiu que pode haver conflito.

A recepção a Trump em Pequim foi régia: banquete oficial, visita ao Templo do Céu, salva de canhões, banda militar e centenas de crianças acenando com flores e bandeiras dos dois países.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, escreveu na rede X (ex-Twitter) que “se for tratada adequadamente a questão de Taiwan, a relação bilateral desfrutará de estabilidade geral; caso contrário, os dois países terão desentendimentos e até conflitos, colocando toda a relação em grande risco”.

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Sobre o Irã, tema que preocupa profundamente a China por causa da energia e da estabilidade dos preços internacionais, Trump afirmou que Xi disse desejar ajudar nas negociações para o fim da guerra e para a reabertura do estreito de Ormuz. Ambos concordaram que o estreito deve permanecer aberto.

Xi Jinping já havia manifestado anteriormente a esperança de que China e Estados Unidos consigam evitar conflitos, perguntando se os dois países seriam capazes de transcender “a armadilha de Tucídides” e construir um novo modelo de relação entre grandes potências.

Por outro lado, Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, declarou que a relação de Washington com Taiwan permanece inalterada e advertiu que seria “um erro terrível” a China tentar tomar Taiwan pela força.

Nos brindes finais, Trump declarou que sua visita havia sido “uma grande honra”, coroada por “um dia fantástico”.

É realmente um fato: a China deslumbra.

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