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Cannabrava | 250 anos dos Estados Unidos: a ascensão e os limites do império Diálogos do Sul Global

Os Estados Unidos comemoram 250 anos de existência como nação independente. Em termos históricos, trata-se de um país relativamente jovem. Sua formação e enriquecimento inicial estiveram associados às grandes oligarquias mercantis que prosperaram com o tráfico de africanos escravizados, o comércio internacional e outras atividades, como o tráfico de ópio, que marcaram o capitalismo nascente. A partir dessa base econômica, construiu-se um Estado que, ao longo dos séculos XIX e XX, transformou-se na maior potência econômica, militar e política do planeta.

A expansão territorial dos Estados Unidos também foi construída pela força das armas. A chamada marcha para o Oeste significou a ocupação de imensos territórios e o extermínio de milhões de indígenas que habitavam o continente muito antes da chegada dos colonizadores europeus.

Guerra Mexicano-Americana - Brasil Escola
Guerra Mexicano-Americana – Brasil Escola

Em meados do século XIX, após a guerra contra o México, Washington anexou cerca de 55% do território mexicano, incorporando áreas que hoje correspondem aos estados da Califórnia, Texas, Novo México, Arizona, Nevada, Utah e partes do Colorado e de Wyoming. A construção do poder estadunidense começou, portanto, pela expansão territorial, pela conquista militar e pela destruição dos povos originários.

A primeira grande guerra expansionista fora do continente ocorreu no final do século XIX, contra a Espanha. Sob a bandeira da libertação de Cuba do domínio colonial espanhol, Washington entrou no conflito e dele saiu como potência imperial. Cuba tornou-se, na prática, um protetorado estadunidense. Porto Rico permaneceu sob domínio dos Estados Unidos, enquanto as Filipinas passaram a integrar seu império ultramarino. Estava inaugurada uma política externa baseada na expansão de sua influência política e militar.

Ao longo do século XX, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos consolidaram uma hegemonia sem precedentes. Desde então, praticamente não houve um único ano em que o país não estivesse envolvido, direta ou indiretamente, em algum conflito armado. As guerras deixaram de ser apenas instrumentos de defesa para se transformarem em mecanismos permanentes de afirmação de poder e de preservação da liderança mundial.

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Segunda Guerra Mundial – wikipedia

Algumas dessas guerras tornaram-se emblemáticas. Na Península Coreana, o conflito iniciado em 1950 jamais foi oficialmente encerrado. Existe apenas um armistício, firmado em Panmunjom, que permanece em vigor até hoje. Apesar da enorme superioridade militar estadunidense, a guerra terminou sem vencedor, e a Coreia do Norte preservou sua soberania e hoje desafia o império como uma potência nuclear.

Ainda mais simbólica foi a Guerra do Vietnã. Os Estados Unidos lançaram sobre aquele pequeno país uma quantidade de bombas superior à utilizada em toda a Segunda Guerra Mundial. Mesmo assim, foram derrotados pela resistência de um povo majoritariamente camponês. A retirada de Saigon tornou-se um dos episódios mais humilhantes da história militar estadunidense.

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Nas últimas décadas, o mesmo roteiro voltou a se repetir. O Iraque foi invadido sob o argumento da existência de armas de destruição em massa, jamais encontradas. O Afeganistão terminou com uma retirada caótica, encerrando 20 anos de ocupação sem alcançar os objetivos anunciados.

Agora, o confronto com o Irã revela novamente os limites do poder militar diante de uma civilização milenar. Diante da antiga Pérsia, os 250 anos dos Estados Unidos representam apenas um breve capítulo da história humana.

Ao mesmo tempo, Washington identifica a China como seu principal adversário estratégico. Mas a realidade internacional mudou profundamente. Pelo critério da paridade do poder de compra, a economia chinesa já ocupa o primeiro lugar no mundo. Em poucas décadas, a China também construiu a maior marinha do planeta e desenvolveu capacidades tecnológicas e militares que alteraram o equilíbrio global de poder. O mundo já não é mais unipolar.

Os 250 anos dos Estados Unidos representam, sem dúvida, uma das trajetórias mais impressionantes da história moderna. Mas também suscitam uma reflexão inevitável: os grandes impérios costumam acreditar que seu poder é permanente. A história, porém, mostra exatamente o contrário. As últimas guerras do império — Vietnã, Iraque, Afeganistão e, agora, o confronto com o Irã — revelam que a força militar, por si só, já não garante hegemonia.

O século XXI já anuncia uma nova correlação de forças. E essa nova realidade se expressa, sobretudo, nos Brics, que reúnem países decisivos da Ásia, da África, da América Latina e do Oriente Médio. Os Brics já configuram, na prática, o mundo multipolar: um mundo em que nenhuma potência terá mais o direito de impor, sozinha, sua vontade aos demais povos.

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