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Dia do Trabalho nos EUA expõe salários estagnados, sindicatos fracos e riqueza concentrada no 1% Diálogos do Sul Global

Enquanto o salário mínimo real permanece próximo do poder de compra de décadas atrás, 71% dos estadunidenses aprovam os sindicatos e 56 milhões de trabalhadores não sindicalizados dizem que gostariam de se sindicalizar

Toda primeira segunda-feira de setembro é oficialmente denominada “Dia do Trabalho” para supostamente celebrar os trabalhadores estadunidenses. Mas, neste Dia do Trabalho, os trabalhadores enfrentam demissões em massa, menos direitos e um custo de vida cada vez mais alto, enquanto padecem do nível mais amplo de desigualdade econômica de todo o último século — tudo isso enquanto seus patrões desfrutam de mais riqueza do que nunca.

Nesta segunda-feira, 7 de setembro, há pouco a comemorar para um trabalhador, e o dia mais parece se tornar um feriado oficial sem memória (o 1º de maio, quando se celebra o Dia dos Trabalhadores em todo o mundo, não é oficialmente marcado neste país, apesar de essa data ter nascido em Chicago, na luta pela jornada de oito horas, em 1886).

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Manifestação do Dia Internacional dos Trabalhadores de 2013 na Áustria

Como resultado de quatro décadas de neoliberalismo e agora com o assalto dos ricos, o sindicalismo estadunidense está em seu ponto mais fraco, algo que continua até hoje com uma Casa Branca que, apesar de sua retórica populista de direita, segue com o projeto de entregar o país ao que os opositores chamam de uma oligarquia.

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11% da força de trabalho pertence a um sindicato neste país, segundo dados oficiais do Departamento do Trabalho — nos anos cinquenta, mais de um terço da força de trabalho era sindicalizada —, e apenas 6% dos trabalhadores do setor privado pertencem a um sindicato.

O salário real médio dos trabalhadores estadunidenses só tem o mesmo poder de compra de 40 anos atrás. O salário mínimo real em 2025 é quase o mesmo que o de 1956, calcula o Economic Policy Institute (EPI).

Ao mesmo tempo, a concentração de riqueza chegou a níveis sem precedentes em um século. O 1% mais rico possui mais riqueza do que os 93% de baixo, e um único homem, Elon Musk, possui mais riqueza do que os 50% de baixo dos lares estadunidenses. Os 10% dos lares mais ricos do país controlam mais de dois terços da riqueza total da nação, segundo dados do Federal Reserve.

“Nunca antes na história estadunidense tão pouca gente controlou tanta riqueza e tanto poder. Nunca antes tivemos uma classe governante com tanta avareza e tão irresponsável”, repete o senador independente Bernie Sanders. Vale lembrar a frase célebre do bilionário honesto Warren Buffett, em 2006: “É claro que existe uma guerra de classes, mas é a minha classe, a classe rica, que está travando a guerra, e estamos vencendo”.

No entanto, surpreende que, depois de décadas de neoliberalismo identificando os sindicatos como inimigos e como algo antiquado, uma nova pesquisa da Gallup registre que 71% dos estadunidenses aprovam os sindicatos, o nível mais alto em 60 anos. Quarenta e três por cento dos trabalhadores não sindicalizados — 56 milhões — dizem que votariam a favor de sindicalizar seus locais de trabalho se lhes fosse oferecida a oportunidade.

E há novas lutas: mais de 12 mil trabalhadores da Starbucks votaram a favor de se juntar ao sindicato independente Starbucks Workers United em mais de 700 unidades, e, no mês passado, anunciaram um boicote contra a empresa até que ela aceite negociar o contrato coletivo — a central sindical AFL-CIO e o sindicato dos professores de Chicago votaram a favor do boicote, com mais aliados se somando todos os dias.

O sindicato dos trabalhadores do setor automotivo UAW, sob sua liderança progressista, está ressuscitando a memória do primeiro de maio para tentar construir uma aliança trabalhista nacional em defesa dos direitos trabalhistas e fortalecer os esforços de solidariedade entre os trabalhadores.

A presidenta do sindicato nacional dos comissários de bordo, Sara Nelson, que escreveu que, ao se marcar o 250º aniversário dos Estados Unidos, é hora de “escrever uma nova história para a democracia, tanto no local de trabalho quanto na praça pública. Os patrões controlaram demais os primeiros 250 anos do país. Precisamos lutar para conquistar os próximos 250 para a classe trabalhadora, para devolver a nação ao seu legítimo dono: o povo”.

Talvez os ecos das grandes lutas trabalhistas que ajudaram a democratizar este país ao longo de sua história estejam sendo ouvidos novamente nas ruas, escritórios, fábricas e campos deste país.

Pete Seeger. “Which Side Are You On”.

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