O presidente Donald Trump declarou nesta segunda-feira (6) que pediu pessoalmente ao presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA), Gianni Infantino, que revisasse a decisão de aplicar o cartão vermelho e suspender por uma partida o atacante da seleção dos Estados Unidos Folarin Balogun, em uma intervenção surpreendente que desencadeou grande polêmica na Copa do Mundo.
A FIFA anunciou no domingo (5) que Balogun poderia atuar na noite de segunda-feira (6), nas oitavas de final contra a Bélgica, o que levantou dúvidas sobre a integridade do torneio.
Folarin Balogun, dos Estados Unidos, durante a partida da Copa do Mundo da FIFA 2026 contra a Bósnia e Herzegovina.

“A única coisa que fiz foi pedir uma revisão. Não disse: ‘Vocês têm que fazer isso’”, afirmou Trump no Salão Oval, acrescentando que “não acreditava que tivesse sido uma falta”. Ele descreveu o lance como “dois caras correndo em alta velocidade que se chocaram por acaso”. “Ele não fez nada de errado”, disse Trump sobre o jogador estadunidense.
Trump afirmou que a FIFA tomou uma “decisão realmente brilhante” ao anular o cartão vermelho. “Acho que a decisão do árbitro foi horrível”, declarou. O presidente disse que apenas solicitou uma revisão e que não pressionou a FIFA para revogar a decisão. “Eu não disse a eles o que fazer”, afirmou. “Não posso dizer a eles o que fazer.”
Essas declarações representam o primeiro relato detalhado de Trump sobre sua conversa com Infantino, com quem mantém uma relação próxima. “Eu não disse a ele o que fazer, não posso dizer a ele o que fazer”, afirmou Trump, acrescentando que um comitê independente “tomou a decisão correta”.
Infantino também abordou a controvérsia em uma longa declaração publicada no X (ex-Twitter), confirmando a ligação com Trump, mas afirmando que a decisão sobre a suspensão de Balogun foi tomada por um Comitê Disciplinar independente da FIFA.
“Converso regularmente com o presidente dos Estados Unidos sobre assuntos relacionados à Copa do Mundo da FIFA e, nesse caso, recebi uma ligação do presidente Donald Trump, assim como recebo ligações de chefes de Estado, autoridades governamentais, representantes do futebol e executivos de empresas de todo o mundo sobre muitos assuntos diferentes”, disse Infantino no comunicado.
Trump, Infantino e a Copa
“Durante nossa conversa, expliquei que havia um processo legal em andamento envolvendo os órgãos judiciais independentes da FIFA e que o caso seria resolvido no devido tempo pelos órgãos competentes. É assim que o sistema da FIFA funciona, e esse é um princípio que sempre defenderei.”

Trump colocou em dúvida a integridade do árbitro, dizendo que ele era “um pouco suspeito”, e incentivou os jornalistas a “investigar seu histórico”.
É provável que as declarações do presidente alimentem ainda mais a polêmica em torno do cartão vermelho, que gerou debate sobre sua justificativa desde o momento em que foi aplicado.
Quando o lance ocorreu, durante a partida da noite de quarta-feira (1º) contra a Bósnia e Herzegovina, o árbitro brasileiro não o considerou falta, parecendo entender que se tratava de um choque legítimo entre jogadores que disputavam a bola.
Foi necessária a intervenção do árbitro assistente de vídeo (VAR) para determinar se Balogun havia cometido uma infração. O árbitro assistiu a replays em câmera lenta do lance, algo que não é permitido nas revisões por vídeo em partidas da Copa do Mundo, e essas imagens mostraram as travas da chuteira de Balogun atingindo o tornozelo do jogador bósnio.
Em seguida, decidiu-se pela aplicação do cartão vermelho por “jogo brusco grave”, o que provocou a expulsão de Balogun de campo e levantou dúvidas sobre se o procedimento adequado havia sido seguido ou se a decisão foi excessivamente severa. Depois de classificar a decisão como “horrível” e “injusta”, Trump afirmou que, se Balogun não pudesse jogar, isso seria “uma grande mancha” para o torneio.
Uma autoridade estadunidense declarou na segunda-feira (6) que Trump apenas buscava “compreender melhor o motivo do cartão vermelho e da suspensão”. Embora o presidente tenha dito aos jornalistas no Salão Oval que “entende muito de esportes”, também deu a entender que desconhecia que um cartão vermelho impediria o jogador de disputar a partida seguinte.
“Eu não sabia o que aquilo significava; não achava que significasse grande coisa. Depois comecei a ouvir que aquilo significava que ele não poderia jogar o próximo jogo”, afirmou.
O funcionário estadunidense também declarou à CNN que o governo dos Estados Unidos forneceu à FIFA “provas adicionais” para o processo de recurso, embora tenha se recusado a especificar o conteúdo dessas provas. “Não tive nada a ver com a decisão”, disse Trump na segunda-feira (6).
Por sua vez, a Real Federação Belga de Futebol anunciou na manhã de segunda-feira (6) que apresentou um recurso contra a decisão da FIFA de permitir que Balogun disputasse a partida daquela noite. “Para deixar claro, até o momento, a RBFA ainda não recebeu qualquer decisão ou explicação da FIFA sobre esse assunto. Portanto, não lhe resta outra alternativa a não ser contestar a elegibilidade do jogador para a próxima partida”, declarou a entidade em comunicado.
Folarin Balogun
A história de Balogun começou no Brooklyn, onde nasceu em 3 de julho de 2001. Sua mãe, Florence Balogun, de origem nigeriana e residente em Londres, teve de permanecer em Nova York após ser impedida de embarcar no voo de volta devido ao estágio avançado da gravidez, segundo relatos da própria família. Dois meses depois, ambos finalmente retornaram à Inglaterra, mas essa breve passagem pelos Estados Unidos definiu a nacionalidade do atacante.

Folarin cresceu em Londres, cidade que costuma reconhecer como seu “lar” e onde se formou como jogador de futebol. Em declarações à Soccer Bible, o atleta de 24 anos afirmou: “Londres é, sem dúvida, a minha casa. Foi onde cresci, onde passei a maior parte da minha juventude e onde minha carreira começou.”
A base britânica de sua formação foi determinante, embora ele reconheça que o tempo vivido nos Estados Unidos nos últimos anos lhe proporcionou uma nova perspectiva: “Londres lançou as bases, e os Estados Unidos moldaram as etapas posteriores.”
A trajetória esportiva de Balogun começou nas ligas dominicais do norte de Londres, onde um treinador do Arsenal FC o descobriu quando ele tinha 8 anos. Assim começou um período de 15 anos na prestigiosa academia de Hale End.
Sua estreia profissional ocorreu em outubro de 2020, em uma partida da Liga Europa, mas a falta de oportunidades na equipe principal o levou a buscar mais minutos no Middlesbrough, da segunda divisão inglesa.
Sua explosão internacional aconteceu na temporada 2022/2023, quando foi emprestado ao Stade de Reims, da França, e marcou 22 gols em 39 partidas. Esse desempenho chamou a atenção do AS Monaco, que desembolsou cerca de 30 milhões de euros por sua contratação definitiva, valor que pode chegar a 40 milhões de euros com bônus por desempenho.
Sua ascensão na Ligue 1 consolidou Balogun como um dos atacantes mais regulares do campeonato, até conquistar o prêmio de melhor jogador do Monaco na temporada 2025/2026. No cenário internacional, seus números também impressionam: 12 gols em 28 partidas pela seleção dos Estados Unidos, incluindo dois gols na vitória por 4 a 1 sobre o Paraguai, em 12 de junho, e o gol mais recente diante da Bósnia nas oitavas de final.
