Editorial do Semanario Voz afirma que a derrota de Cepeda não encerra o projeto de Gustavo Petro e defende transformar os 12 milhões de votos em organização popular, oposição democrática e defesa da soberania
Os resultados do segundo turno presidencial representam um revés político para as forças democráticas, progressistas e de esquerda, mas não uma derrota estratégica do campo popular. Mais de doze milhões de colombianos e colombianas respaldaram a continuidade do projeto de mudança. A estreita diferença eleitoral evidencia a disputa entre dois projetos de nação antagônicos e uma luta pela direção política do país.
O resultado obriga a olhar para além do âmbito eleitoral e situá-lo no contexto da disputa geopolítica continental. O apoio do governo de Donald Trump ao candidato da extrema direita significa reincorporar o país como um aliado subordinado à estratégia dos Estados Unidos na América Latina.
Esse cenário apresenta sérios desafios para a soberania nacional, a integração regional e a possibilidade de construir um projeto de desenvolvimento independente. Essa ameaça se articula a partir de discursos de ódio e expressões de anticomunismo que buscam legitimar políticas autoritárias, justificar a violência contra os povos e desqualificar qualquer proposta de transformação social.
Quatro anos de governo progressista, diante de mais de dois séculos de hegemonia das elites tradicionais, constituem um período insuficiente para consolidar uma nova maioria política e cultural. Embora milhões de pessoas tenham se beneficiado da ampliação de direitos e das políticas sociais impulsionadas pelo governo, uma parte importante desses setores não expressou esse apoio nas urnas.
Enquanto a direita conseguiu capitalizar, por meio de um discurso mentiroso, preocupações relacionadas à segurança e à economia, apresentando-se como uma alternativa de ordem e estabilidade, a esquerda não conseguiu contrapor essa narrativa.
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A principal lição é a necessidade de fortalecer a organização popular, a capacidade de dialogar com as preocupações da população e de não desprezar a construção de estratégias comunicacionais contemporâneas. A direita disputou o senso comum e conseguiu ganhar influência em setores beneficiados pela mudança.
O importante apoio da população demonstra que existem bases sólidas para avançar, mas também confirma que a mobilização eleitoral deve ser acompanhada de organização permanente, formação política e construção de tecido social, pois é nos territórios que se forjam as lideranças, se consolida a hegemonia democrática e se preparam as vitórias do futuro.
Para o Partido Comunista Colombiano, o desafio imediato consiste em transformar o revés eleitoral em capacidade de organização, iniciativa política e acumulação de forças.
A história do movimento popular demonstra que as conquistas democráticas não são resultado de avanços lineares, mas de prolongados processos de luta, resistência e construção de unidade.
O importante crescimento político e social alcançado nas últimas décadas deve ser assumido como um avanço estratégico que é necessário preservar, defender e projetar.
A nova etapa exige combinar a defesa da paz, dos direitos sociais, das liberdades democráticas e da soberania nacional.
Nesse horizonte, é necessário fortalecer a unidade do Pacto Histórico, ampliar a Aliança pela Vida como uma grande frente democrática e de oposição, capaz de articular os setores populares, democráticos e progressistas em torno de um projeto comum.
Nada do que foi construído durante estes anos foi perdido. Permanecem de pé os avanços democráticos e uma poderosa força social e política disposta a seguir lutando pela mudança. Diante dos desafios que se aproximam, a melhor resposta continuará sendo mais organização em cada território, mais unidade política e mais povo mobilizado.
As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.
