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Juventude sindical vê eleição colombiana de 2026 como disputa entre Estado social e desmonte neoliberal

Dezenas de lideranças da juventude convocadas pela Internacional dos Serviços Públicos (ISP), federação que reúne mais de 700 sindicatos de 150 países, reiteraram nesta semana seu compromisso de dar continuidade ao projeto progressista colombiano, representado pela candidatura de Iván Cepeda, e barrar o ultradireitista Abelardo de la Espriella.

Reunidos em Cali, os dirigentes jovens traçaram um paralelo entre o caminho do Pacto Histórico, soberanamente percorrido pelo presidente Gustavo Petro, e o de vassalagem aos Estados Unidos, alertando para o “enorme significado das escolhas para o presente e o futuro das novas gerações”.

“O que está em jogo são dois caminhos diametralmente opostos: a preservação ou a devastação ambiental, a defesa dos serviços públicos ou o desmonte, o respeito à legislação e ao trabalho digno ou a precarização”, sintetizou Marcela Suarez, coordenadora do Comitê Nacional de Jovens da ISP.

Assinalando que essa é uma “questão estratégica”, por se tratar de uma ofensiva da oligarquia colombiana para a destruição da natureza e do Estado, Marcela conclamou todos a mobilizarem seus bairros e locais de trabalho nesta reta final, porque o que está em jogo é um projeto de nação.

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Uma opção pela direita, enfatizou, “seria devastadora para a maioria da população, que inclui não apenas os jovens, mas as crianças, os idosos e o país como um todo”.

De acordo com Ivan Sanchez, delegado do Sindicato de Empregados da Direção Nacional de Impostos e Aduanas (DIAN), a redução de 40% do Estado, como proposto pelos neoliberais, provocaria um corte drástico nos investimentos não somente em setores sociais, como saúde e educação.

“Um dos temas que trouxemos para o debate é a manutenção das alfândegas ecológicas. Por meio delas, não estamos apenas monitorando as passagens de fronteira do país para prevenir o contrabando, mas também atentos ao tráfico de espécies, animais selvagens e plantas, além da importação de materiais proibidos, como mercúrio e plástico, que não são permitidos pelas normas internacionais”, esclareceu Sánchez.

Portanto, com o risco de uma vitória da ultradireita, avisou, “o progresso alcançado com a política ambiental estaria em risco de ser revertido”.

Projeto da direita prevê degradação ambiental, privatização e desmonte do Estado

“Temos, de um lado, a continuidade das políticas do atual governo, defendendo uma ideologia progressista, focada na proteção da natureza e em um desenvolvimento econômico mais sustentável. Do outro, o programa é de degradação ambiental, privatização e desmonte do Estado”, afirmou Andrés Olaya, presidente do Sindicato de Trabalhadores do Sistema Nacional Ambiental (Sintrambiente), em Palmira.

Na sua avaliação, “é imprescindível encontrar maneiras de proteger e capacitar as pessoas para que melhorem sua situação econômica e sua qualidade de vida sem prejudicar os recursos naturais”. Afinal, ponderou, “sem um meio ambiente saudável, não importa quanto dinheiro tenhamos, não conseguiremos viver neste mundo”.

Com Abelardo de la Espriella, advertiu Olaya, o candidato que a mídia hegemônica vende como “um novo messias”, “deixaríamos de ser um Estado progressista, que garante direitos, para sermos geridos pelo salve-se quem puder neoliberal, governado totalmente em função dos interesses do capital privado”.

“Isso também pode levar a ações arbitrárias, criando uma situação opressiva, como ocorre na Argentina, com Milei, ou em El Salvador, com Bukele. Portanto, é importante votar pensando como sociedade”, frisou. Daí, defendeu o líder ambientalista, “a necessidade de eleger alguém que tenha a capacidade de unir e nos ajudar a crescer como país, que governe para todos”.

Trajetória de Abelardo de la Espriella é marcada pelo preconceito

Abelardo de la Espriella, presidential candidate for the Defenders of the Homeland party, during a campaign rally in Chia, Colombia, on Tuesday, Feb. 10, 2026. Colombia's two top presidential candidates — conservative lawyer la Espriella and leftist senator Ivan Cepeda — are statistically tied in the latest poll ahead of Election Day on May 31. Photographer: Santiago Mesa/Bloomberg
Abelardo de la Espriella – Twitter X

Como coordenadora de Igualdade da ISP, apontou Liliana Guzmán, “nossa entidade se posiciona abertamente contra os graves preconceitos manifestados pelo senhor Abelardo de la Espriella em relação às mulheres e aos homossexuais”.

“Temos em nosso país um sólido arcabouço legal, no qual foram alcançados progressos significativos em relação ao respeito à diversidade. Removemos inúmeras barreiras que antes impediam pessoas transgênero de ocupar certos cargos.

Considero extremamente preocupante que alguém questione a legitimidade dessas pessoas como indivíduos, tornando-as potenciais alvos de ataques, preconceito e violência”, condenou.

Traçando um paralelo com a trajetória fascista, Liliana recordou que, como costuma acontecer, uma vez no poder eles atacam os “diferentes”, como fizeram contra os comunistas.

“Depois é a vez dos indígenas, dos negros e das mulheres.” Deslegitimar temas de tamanha relevância como o respeito à diferença representa um brutal atropelo, “já que certamente nos prejudicará a todos”.

Vale lembrar que o candidato da ultradireita “reforça o discurso de violência em um país historicamente violento, que passou por décadas de conflito armado”. Dentro desse contexto, asseverou a dirigente da ISP, “é muito sério dizer explicitamente que alguém deve ser ‘destripado’, como defendeu Abelardo. A proposta é que sejamos eliminados ou assassinados simplesmente por pensar diferente”.

“É como voltar aos anos setenta e oitenta, quando pessoas eram presas, espancadas ou desaparecidas apenas por terem uma cópia do Manifesto Comunista nas mãos”, afirmou.

O que está em jogo no próximo dia 21 de junho, acrescentou Liliana, é “não retroceder aos tempos de guerra dos quais temos tentado escapar, é respeitar os direitos humanos e tudo o que envolve a consideração ao pensamento diferente e a construção de um país onde possamos coexistir”.

Esta cobertura da Agência ComunicaSul de Comunicação Colaborativa só foi possível graças ao apoio do Sindicato dos Bancários de São Paulo; Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo; jornal Hora do Povo; Vermelho; Diálogos do Sul Global (DSG); Correio da Cidadania; Barão de Itararé; vereador Werner Tempel (PCdoB-RS), de Santa Maria; professor Azuaite, de São Carlos-SP; Instituto Angelim; da Internacional dos Serviços Públicos (ISP); e da Central Unitária de Trabalhadores da Colômbia, além de vários contribuintes anônimos.

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