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Sheinbaum sofre ataques: PAN usa Atlas Network, CPAC e extrema-direita internacional para pressionar e isolar governo mexicano

Os panistas Felipe Calderón, Vicente Fox, María Eugenia Campos, Margarita Zavala, Santiago Taboada, Marko Cortés, Alessandra Rojo e Mariana Gómez participam ativamente de estratégias para desestabilizar econômica, política e socialmente o México e afetar o governo da presidenta Claudia Sheinbaum. Para esse propósito e outros, mantêm amplos vínculos com o governo dos Estados Unidos e também se relacionam com organizações internacionais, empresários e políticos de ultradireita, como Isabel Díaz Ayuso e Cayetana Álvarez.

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O Partido Ação Nacional (PAN) se destaca não por seu caráter democrático, mas por seu profundo autoritarismo, seus vínculos com interesses estrangeiros e a corrupção que o acompanha. Prova disso é o governo de Felipe Calderón, que deixou o país mergulhado na pior onda de violência; teve como secretário de Segurança Pública Genaro García Luna, condenado nos Estados Unidos por vínculos com o narcotráfico; e Jorge Romero, atual presidente do partido, está supostamente ligado ao chamado cartel imobiliário.

Esse partido também possui vínculos com o que há de mais retrógrado na direita internacional: Isabel Díaz Ayuso, Iván Duque, Alejandro Chafuen, o ex-juiz brasileiro Sergio Moro, Gerhard Wahlers, Hans Blomeier, ambos da conservadora Fundação Konrad Adenauer, e Roberto Salinas de León, da Atlas Network América Latina. As conexões mais profundas são com organizações conservadoras e de direita que, em outras ocasiões, atacaram governos progressistas, como ocorreu contra Venezuela, Cuba, Bolívia e Honduras, e que agora pretendem repetir essa estratégia no México.

A Fundação Internacional para a Liberdade (FIL), fundada em 2002 pelo escritor Mario Vargas Llosa, reúne a direita hispano-americana e até mesmo de outras regiões. Segundo sua própria página, tem como pilares o estabelecimento de bases como a democracia, a liberdade e a prosperidade.

No entanto, tende a reunir aqueles que se opõem a processos democráticos. Por exemplo, o ex-presidente mexicano Felipe Calderón foi convidado, em 2023, para o Fórum Internacional “Ibero-América: desafios e oportunidades”. Nesse evento, compartilhou espaço com o ex-presidente chileno Sebastián Piñera, vinculado aos chamados Chacarilla Boys, grupo que, na década de 1970, manifestou oposição ao governo de Salvador Allende e, além disso, apoiou o golpe de Estado de Augusto Pinochet.

Também esteve presente o ex-presidente da Bolívia Jorge Tuto Quiroga, que foi operador político no golpe de Estado ocorrido naquele país andino em 2019 e que possui vínculos comprovados com os Estados Unidos, responsáveis por desestabilizar o governo de Evo Morales.

Mas, ao observar o evento, encontramos mais “paladinos da liberdade”. Por exemplo, o ex-juiz Sergio Moro, do Brasil, famoso por montar processos judiciais por corrupção contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sem apresentar provas. Moro foi aluno do Departamento de Justiça, por meio da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Esse juiz é apontado como responsável pela ruptura da democracia brasileira, pois, por meio da guerra jurídica, impediu a participação eleitoral de Lula da Silva.

Com esse processo judicial, consolidou-se a chegada de Jair Bolsonaro ao poder. Seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, é um dos convidados das convenções conservadoras da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC, na sigla em inglês), onde compartilha espaço com Javier Milei, Agustín Laje, Richard Grenell, Tulsi Gabbard, Henry Kronfle, entre outros.

Na FIL estiveram Roberto Salinas León, Rocío Guijarro e Alejandro Chafuen. No México, Salinas de León é mais conhecido por seu vínculo familiar com Ricardo Salinas Pliego, mas o que une Salinas León e Chafuen é nada menos que a Atlas Network.

No conselho da Fundação está Chafuen, de nacionalidade argentina, e, entre outros, Roberto Salinas León. No Comitê Diretivo estão Cayetana Álvarez e Álvaro Vargas, pela parte do México; e Bertha Pantoja e Oscar Ortiz — político que atuou contra o governo de Evo Morales — pela parte da Bolívia.

Entre os empresários mexicanos vinculados, destaca-se Alejandro Ramírez, diretor da Cinépolis, membro do conselho de administração do BBVA, do Grupo Alfa e do Instituto Sundance, e que foi nomeado Jovem Líder pelo Fórum Econômico Mundial em 2005.

O vínculo se estende ainda mais aos grupos opositores mexicanos aos governos da Quarta Transformação, pois, como membro do Conselho Acadêmico, aparece Enrique Krauze. Entre as entidades vinculadas à Fundação destacam-se Caminos de Libertad, Fórum Empresarial do México e o Instituto de Pensamento Estratégico Ágora, localizados no México; o Instituto Cato, centro de pensamento dos Estados Unidos opositor de governos progressistas; a Fundação Friedrich Neuman, a Rede Liberal da América Latina (RELIAL) e o Instituto Interamericano para a Democracia.

Por fim, no Conselho de Presidentes, encontra-se a joia da coroa do conservadorismo: Felipe Calderón e Vicente Fox, pelo México; María Corina Machado e Edmundo González, pela Venezuela; Mariano Rajoy e José María Aznar, pela Espanha; além dos ex-presidentes Mauricio Macri — que endividou a Argentina junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) — e Iván Duque, da Colômbia.

Em 2021, a Casa América abrigou outro espaço de convergência da direita transnacional ao realizar o XIV Fórum Atlântico: “Ibero-América: democracia e liberdade em tempos difíceis”. Nesse espaço voltamos a encontrar Enrique Krauze, Roberto Salinas e Iván Duque, aos quais se somaram os então presidentes de direita Sebastián Piñera, Guillermo Lasso, do Equador, Luis Lacalle, do Uruguai, além de Leopoldo López, coordenador nacional do Voluntad Popular, Mauricio Macri, entre outros.

O evento foi encerrado por Isabel Díaz Ayuso, espanhola que foi convidada ao México e se reuniu com membros do PAN, entre eles Alessandra Rojo, os governadores María Eugenia Campos — alvo de investigação por permitir a entrada da Agência Central de Inteligência (CIA) em Chihuahua —, María Teresa Jiménez, Libia Denisse e Mauricio Kuri.

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Alejandro Chafuen – chafuen.com

Alejandro Chafuen tem uma longa trajetória nos espaços que reúnem conservadores e, particularmente, na Atlas Network. Chafuen é membro executivo sênior do Instituto Acton e foi presidente da Atlas Network entre 1991 e 2018. Em seu perfil na internet, reconhece-se como discípulo de Ludwig von Mises, um ideólogo de teorias econômicas ortodoxas retomadas tanto pela Atlas Network quanto pela Estudantes pela Liberdade, ou por instituições conservadoras como Caminos de Libertad e Kybernus, estas duas vinculadas a Ricardo Salinas Pliego. Desde 1980, Chafuen é membro da Sociedade Mont Pèlerin.

Kybernus é uma organização que pertence à rede de Ricardo Salinas Pliego. Tem um perfil voltado para a formação ideológica de jovens e constituiu 35 grupos locais com 4 mil participantes no país. Na Cidade do México, tem como impulsionadores Luis Rodolfo Nájera Ramírez e Karen Andrade Hernández. A Kybernus possui 41 impulsionadores distribuídos por toda a república.

Essa associação foi criada em 2011 e, segundo sua própria página, afirma que “o México enfrenta uma crise de liderança que gerou desconfiança, apatia e estagnação”. Quem dirige a Kybernus é Enrique Paniagua.

Além disso, Ricardo Salinas faz parte do Instituto Aspen, onde também estão Ninfa Salinas, sua filha, e Leonardo Lomelí, assim como o ex-secretário de Relações Exteriores Juan Ramón de la Fuente. Entre os economistas vinculados ao Instituto Aspen estão Luis de la Calle e Jaime Zabludovsky, ambos ligados ao México Evalúa, uma organização que recebe financiamento da Fundação Nacional para a Democracia (NED), da Atlas Network, da Fundação Sociedade Aberta, entre outras.

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Claudia Sheinbaum – wikipedia

México Evalúa e INCOD têm sido duas organizações opositoras ao governo da Quarta Transformação desde que López Obrador iniciou sua administração e continuam agora durante o governo de Claudia Sheinbaum. Outra organização é a Mexicanos Contra la Corrupción y la Impunidad (MCCI), de Claudio X. González e María Amparo Casar.

Como a Contralínea documentou amplamente, a MCCI recebeu financiamento do governo dos Estados Unidos para desenvolver atividades supostamente jornalísticas que, na realidade, fazem parte da ofensiva midiática ou, mais precisamente, da fabricação de consenso contra o governo mexicano.

Mas não são apenas essas organizações. Como documentou este seminário, ainda em 2025, apesar do encerramento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), continuou o financiamento a 35 ONGs, empresas e ao Instituto Tecnológico Autônomo do México (ITAM).

A CPAC é uma das organizações internacionais que reúne a direita conservadora e que impulsionou a candidatura de Donald Trump. Dessa organização participaram políticos mexicanos do PAN, como Raúl Torres Guerrero e o ex-governador Francisco García Cabeza de Vaca. Também participaram Tania Larios, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), e até mesmo Eduardo Verástegui, alguém próximo de Ricardo Salinas.

Guerra midiática com apoio dos Estados Unidos

Desde 2024 foi documentada a guerra midiática contra o governo da presidenta Claudia Sheinbaum. Agora retorna a narrativa de narcogoverno, narcocandidata e narcopartido, na qual se passou da “Lista de Marco Rubio” à designação, por parte do Departamento de Justiça, do governador de Sinaloa, Rubén Rocha. O doutor Jorge Retana Yarto caracterizou essa estratégia como uma fase ofensiva de caos limitado.

Como parte da estratégia do governo dos Estados Unidos, a guerra midiática já é considerada um componente da guerra híbrida à qual o país é submetido. Como foi documentado, a USAID e a NED financiaram diferentes meios de comunicação na América Latina, supostamente independentes, para a produção de mais de 200 artigos. Entre os meios no México destacam-se o Centro de Jornalismo e Ética Pública, Connectas, Centro Internacional para Jornalistas, Border Hub e Quinto Elemento Lab.

Por exemplo, a Connectas realizou cinco investigações sob os auspícios da NED em 2019 e, em 2020, realizou outras 15. Esse veículo possui vínculos com o Centro Internacional para Jornalistas, Inovação para a Mudança, o Instituto Republicano Internacional (IRI), a Fundação Konrad Adenauer, Lanitidad, Luminate, Sembramedia e Border Center (que também colabora com a USAID e o Centro Internacional para Jornalistas).

Foro América Libre, rede de direita

O Foro América Libre organizou encontros internacionais nos quais membros do PAN, como Xóchitl Gálvez, Margarita Zavala, Santiago Taboada, Marko Cortés e Mariana Gómez, compartilham espaço com a direita internacional. Por exemplo, com Félix Madariaga, da Nicarágua, diretor da Rede Liberal da América Latina (RELIAL); Andrés Pastrana, da Colômbia; Jorge Quiroga, ex-presidente da Bolívia; Olenka Kondratiuk, da Ucrânia; e Rosa María Payá, opositora do governo cubano. Trata-se de um espaço de sociabilidade que permite ao PAN ter projeção internacional e estabelecer vínculos com outros membros de grupos e partidos de direita.

Destacam-se como aliados do Foro América Libre a Fundação Konrad Adenauer, que também é parceira do veículo Diálogo Político; o Instituto Republicano Internacional (IRI), vinculado à Fundação Nacional para a Democracia (NED); o Instituto CASLA, Transparência Eleitoral, a Fundação para a Liberdade, a Organização Governo e Análise Política A.C. (GAPAC), Atypical TeVe, México Unido, Rescatemos México, a Prefeitura de Miguel Hidalgo, governada por Mauricio Tabe, a Frente Cívico Nacional, entre outros.

É importante recordar que o IRI financiou cursos desde 2004 para ampliar a preparação política e a participação das mulheres na política mexicana, fato também documentado pela Contralínea.

A Frente Cívico Nacional, como é sabido, conta entre suas fileiras com Guadalupe Acosta Naranjo — que somou elogios à visita de Cayetana Álvarez ao México em junho de 2026 —, Emilio Álvarez, Emilio Sánchez Licona, entre outros.

Na Fundação Internacional para a Liberdade também estão Caminos de Libertad, de Ricardo Salinas; a RELIAL — que tem sua sede no México e se conecta com o Instituto Libertad —; o Instituto Pro Libertad; a Fundação Eleutera, de Honduras — apontada como incentivadora da desestabilização contra o governo de Manuel Zelaya —; a organização Fundação Democracia e Prosperidade; e a Libertank. Muitas dessas organizações estão vinculadas à rede da Atlas Network América Latina, dirigida por Roberto Salinas de León.

Pouco conhecida é a organização Estudantes pela Liberdade no México. No entanto, em suas redes sociais costuma compartilhar eventos da Kybernus, como o Encontro pelas Liberdades 2022, realizado na Câmara dos Deputados. Outras organizações com as quais mantém interação são a Fundação para o Avanço da Liberdade, parte da rede da Atlas Network. Por fim, e também vinculado à Atlas, está o Partido Libertário México, que contribui para a construção da narrativa de narcogoverno.

Rede de poder: o PAN e seus vínculos fascistas

A rede de poder expressa pelo PAN dá sinais de um processo de direitização conservadora que o vincula a organizações golpistas e fascistas, a potências estrangeiras como os Estados Unidos, a membros de seu governo, como o embaixador Ronald Johnson; à Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), à Fundação Nacional para a Democracia (NED), às ONGs que têm atuado para atacar o governo do México; e a ex-presidentes latino-americanos que endividaram seus países, minaram a democracia e, inclusive, pediram invasões, como María Corina Machado.

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