“Apelando para uma compra massiva de votos, Álvaro Uribe organizou a campanha presidencial de tal maneira que tinha duas cartas na manga e fez de tudo para ganhar já no primeiro turno. Assim, queimaram a candidata Paloma Valencia – o que nos surpreendeu bastante – e fortaleceram a de Abelardo de la Espriella, usando o suposto voto útil”, denunciou Alirio Muñoz, porta-voz internacional da campanha de Iván Cepeda e renomado advogado de defesa dos direitos humanos.

Entrevista Exclusva com Alirio Muñoz
Em entrevista exclusiva na manhã desta segunda-feira (1), após realizar um balanço da jornada eleitoral, no Grand Park, em Bogotá, Alirio foi contundente em atacar a estratégia digital de ataques de difamação “vindas desde o exterior” contra as candidaturas do Pacto Histórico e da Aliança pela Vida, enaltecendo o papel decisivo que tanto Cepeda como sua vice Aida Quilcué jogaram para a construção da política de “Paz Total”. A iniciativa foi determinante para colocar fim a mais de 50 anos de conflitos armados e que sangrou mais o país durante as democracias do que as ditaduras do Cone Sul,
“Houve muitas pautas de difamação, abundante desinformação que, aparentemente, foi paga nos Estados Unidos, na Espanha e em outros países. Também houve uma ingerência internacional e pressão desde os EUA, do Equador e de outros lados”, assinalou o deputado federal por Bogotá na coligação Pacto Histórico, acrescentando que “foi uma campanha digital massiva” em favor da extrema-direita. Segundo Alirio, está evidente que “essa disputa eleitoral não é apenas uma decisão do que queremos os colombianos, mas a luta entre o progressismo e o fascismo internacional”.
“MÍDIAS ESTRANGEIRAS APOIANDO O FASCISMO E O NEOLIBERALISMO”
Exemplo disso, condenou Alirio Muñoz, “é que as grandes multinacionais das comunicações ajudaram a que se pautassem em redes e que se movessem algoritmos em favor da campanha da direita, apoiando o fascismo e medidas neoliberais contra o nosso povo”. Por outro lado, sustentou, “temos que reconhecer que este governo conseguiu fazer comunicação graças aos meios alternativos, graças às redes sociais e aos meios comunitários, que democratizaram, de alguma forma, a informação”.
Diante deste cenário, apontou o dirigente, avaliamos que a partir dos quase 10 milhões de votos que obtivemos, necessitamos agora “redesenhar a campanha, as mensagens, as estratégias comunicativas, midiáticas e políticas para ganhar o eleitorado que não foi votar e atrair os dos demais candidatos”.
A abstenção no último domingo foi de 43%, com aproximadamente 20 milhões de colombianos não comparecendo às urnas – uma vez que não há obrigatoriedade – quase igualando ao número de votos do candidato mais votado.
As primeiras contagens colocam o advogado de narcotraficantes e milionário Abelardo de la Espriella com 43,7% dos votos contra 40,9% do progressista Iván Cepeda e 6,9% da uribista Paloma Valencia,
Nas palavras de Sérgio Fajardo, quarto colocado nas eleições presidenciais, com cerca 4% do total, de la Espriella é um ‘fantoche”, um “merda”, “tramposo e inventor de mentiras”, não merecendo qualquer credibilidade.
“PETRO É REFERÊNCIA NA REJEIÇÃO AO IMPERIALISMO”
Pronunciamentos contundentes do presidente Gustavo Petro “contra a invasão da Venezuela, repudiando o bloqueio a Cuba e rejeitando o imperialismo”, asseverou Alirio Muñoz, “fez com que o nosso governo liderasse a nível internacional uma agenda pela paz, para reduzir a mudança climática, pela autodeterminação dos povos e pela soberania nacional”.
“Acredito que a Colômbia está jogando um papel importante para a América Latina, para o mundo, e obviamente, a nível interno. Com este compromisso, estão sendo adotadas muitas políticas sociais em benefício da população, que têm a ver com temas de reforma rural integral, direitos trabalhistas, educação pública e gratuita superior, entre outras relevantes conquistas”, exemplificou Alirio, o que tem colocado as forças da reação em polvorosa.
Para o porta-voz internacional de Cepeda, “a disputa neste segundo turno opõe um futuro de soberania e democracia contra o passado de um Estado mafioso, de corrupção e violência”.
“COLÔMBIA CORRE O RISCO DE CAIR NAS MÃOS DA EXTEMA-DIREITA, ANTI-DIREITOS, CONTRA A DIVERSIDADE E O PLURALISMO”
Conforme a ex-prefeita da capital, Claudia Lopez, candidata a presidente pelo movimento independente Imparável, “a Colômbia se enfrenta hoje ao risco de perder sua democracia, de cair nas mãos da extrema-direita, anti-direitos, contra as mulheres, contra a diversidade, contra o pluralismo”. “Há um risco sério, queridos colombianos de perder a democracia, fruto do autoritarismo global”, alertou a candidata a presidente, que identifica Abelardo de la Espriella com um “trumpismo grosseiro, autoritário e preconceituoso”. Diante desse quadro, conclamou a todos que se abstiveram a irem às urnas, “porque em de la Espriiella não votaria nem morta”.
Candidato à vice-presidente de Paloma Valencia, Juan Daniel Oviedo, também havia criticado de la Espriella pelas declarações de sua esposa, Ana Lucía Pineda, à revista Semana, onde relatou que caso não vencessem a presidência já tinham um plano para lidar com a derrota. “Bem, temos dois caminhos: ganhar ou perder. E, se perdermos, não é o fim do mundo, porque já temos nossas vidas organizadas, vivemos maravilhosamente bem, trabalhamos juntos, temos nossos filhos, moramos em outro país, se quisermos podemos voltar para a Colômbia, se não, não”, desdenhou ela.
Para trabalhar com desenvoltura e empenho a defesa de narcotraficantes, Abelardo de la Espriella tem trinacionalidade. Ela foi conseguida nascendo na Colômbia, obtendo a cidadania italiana por ser descendente de italianos por parte dos avós maternos e tendo vivido por 15 anos nos Estados Unidos, principalmente em Miami.
