Embaixadora da Palestina no México, Nadya Rasheed, agradeceu pelo gesto de “posição diplomática” e reforçou a denúncia a Israel, que usa “a fome como arma de guerra” e “solução final” em Gaza
“Não nos renderemos”, mesmo quando Gaza segue sob “a permanente obscuridade das bombas” e onde “famílias inteiras foram apagadas pelo genocídio do Estado de Israel”, afirmou na última quarta-feira (14) a embaixadora da Palestina no México, Nadya Rasheed.
“Diante dos nossos olhos, não há justificativa possível. A estratégia, agora mais explícita do que nunca, de usar a fome como arma de guerra, é já a comprovação contundente de que nós, os palestinos, temos que deixar de existir como solução final”, expressou durante a instalação do grupo de Amizade México-Palestina da Câmara de Deputados do México.
No salão de protocolo do recinto legislativo, Rasheed ressaltou a integração dessa instância como mais uma das “iniciativas valentes, de esforços conjuntos para que se respeite, sobretudo neste momento de vital urgência, a soberania da Palestina” e reconheceu a solidariedade e a posição diplomática do México em favor do Estado palestino.
“Shukran (obrigada) desde esse céu onde a luz do sol, as estrelas e o sentido comum estão ocupados pela permanente obscuridade das bombas. Shukran desde a minha terra que, apesar das constantes imposições de morte e extorsões cada vez mais sofisticadas, mantém, acima das matanças em massa, a história e o alento de seu lar”, expressou.
A embaixadora reforçou que o eco global em favor de Gaza “ressoa tanto entre os que clamam por um imediato fim do extermínio e estão contra o total desaparecimento de nossa terra-mãe, como entre aqueles que, aferrados a ideais supremacistas, são e querem ser incapazes de ver um mundo integrado”.
Além disso, denunciou que, há mais de 21 meses, “este genocídio cometido pelo Estado de Israel tem cobrado milhares de vidas civis, a maioria de mulheres e crianças”.

“Para o sionismo”, seguiu, “a fome é meta e motivo de riso e celebração: nos meios de comunicação israelenses, altos funcionários de seu Estado têm a ousadia de zombar abertamente de civis de todas as cidades que estão com a carne grudada aos ossos”.
“E tudo isso acontece enquanto não se detém a destruição de toda a nossa infraestrutura — hospitais, escolas, igrejas, mesquitas, casas, estradas — e, com a costumeira precisão, se obstaculiza toda entrada de ajuda humanitária.”
Para Israel, Rasheed destacou, “tudo o que for em prol da humanidade deve ser aniquilado com feroz urgência em sua narrativa: o homem, suas letras, seu legado, seus testemunhos, tudo. Desde o ponto de vista dos governantes do Estado de Israel, tudo deve ser apagado”.
Assim ocorreu, disse, com o ataque à cafeteria Albahaca, ponto de reunião de jornalistas, “outro massacre entre tantos outros, porque as vozes devem ser silenciadas para sempre, como a de Anas al-Sharif (da Al Jazeera, assassinado com outros quatro profissionais da mídia em 10 de agosto) e de quase 200 jornalistas a mais, porque o caminho à reflexão deve ser bloqueado, assim como a entrada da ajuda humanitária. Tudo deve ser arrasado. Qualquer trabalhador humanitário é considerado inimigo, como sucedeu com os 15 médicos e socorristas enterrados junto à ambulância.”
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