Casa Branca afirma que governo estadunidense ganhou 35% do controle do petróleo venezuelano e garantiu ao Departamento de Estado a compra, a custo de produção, de 20% do petróleo dos campos que operar
Na noite de terça-feira, chegou à Venezuela o secretário de Energia dos Estados Unidos (EUA), Christopher Wright, que se reunirá nesta quarta-feira com a presidente Delcy Rodríguez para tratar do acordo petrolífero anunciado por ambos os governos na última sexta-feira e que contempla a operação privada em 17 campos petrolíferos.

Ao chegar, Wright afirmou que sua visita também envolve novos anúncios sobre as operações da petrolífera Chevron no país e que Washington busca aumentar o fluxo de capital privado. “Queremos ver uma grande quantidade de investimentos chegando dos Estados Unidos à Venezuela”, afirmou.
Segundo uma nota informativa da Casa Branca, “o maior acordo petrolífero da história mundial” concede a Washington amplos direitos de administração, propriedade econômica e uma compra garantida a baixo custo por parte da operadora North American Blue Energy Partners (NABEP), liderada pelo venezuelano Alejandro Betancourt.
O documento afirma que, “sem nenhum custo para o contribuinte estadunidense, a NABEP concedeu ao Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Guerra uma participação acionária de 35% em sua empresa-mãe”, o que significa que se trata de uma negociação privada com interesse direto do governo estadunidense.
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Além disso, segundo a nota, a NABEP concedeu ao Departamento de Estado “o direito de comprar, a custo de produção, 20% garantidos da produção de todos os campos atuais e futuros que a empresa irá operar”.
Uma parte controversa dessa comunicação é que ela fala em concessões de 100 anos, o que contradiz a afirmação de Delcy Rodríguez de que se trata de contratos com duração de 25 anos.
A China reagiu exigindo que seus investimentos e os compromissos financeiros vigentes assumidos anteriormente por Caracas sejam respeitados, uma vez que alguns dos campos comprometidos eram anteriormente operados por corporações chinesas.
Deputados chavistas apoiam o acordo
Em uma sessão extraordinária, a Assembleia Nacional (AN) aprovou, com a maioria chavista, um acordo em apoio ao convênio energético entre Venezuela e Estados Unidos. Trata-se de um respaldo político, pois a aprovação parlamentar, necessária segundo a Constituição, deve aguardar a assinatura formal do acordo e sua respectiva discussão na Câmara. A minoria da bancada oposicionista se absteve, argumentando que precisa de mais informações sobre o que foi negociado.
Durante o debate, o presidente da AN, Jorge Rodríguez, defendeu o alcance das negociações. “Este acordo não tem nada de esotérico, não tem nada de extraterrestre e está principalmente baseado na reforma da Lei Orgânica de Hidrocarbonetos (…) que contempla uma forma de relacionamento econômico e produtivo, os Contratos de Participação Produtiva (CPP), que nada mais são do que a associação da PDVSA com companhias transnacionais estrangeiras para explorar petróleo, que é o que fazemos há 120 anos na Venezuela”, argumentou.
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