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Amyra El Khalili: Ofensiva sionista-estadunidense ameaça devastar todo o Oriente Médio

Sob um cenário internacional marcado por guerras, disputas geopolíticas e reorganização das forças populares, a III Reunião Nacional do Capítulo Brasil da Internacional Antifascista reuniu, nos dias 11 e 12 de abril de 2026, em São Paulo, movimentos, organizações e militantes comprometidos com a luta anti-imperialista. Realizado na sede da Intersindical, o encontro articulou diagnósticos e estratégias diante do avanço do militarismo global, tendo como um de seus momentos centrais a intervenção da economista e militante Amyra El Khalili, que situou o papel da América Latina no tabuleiro das resistências.

Em sua fala, Amyra apresentou uma leitura estrutural do sistema de guerra contemporâneo, afirmando que “o militarismo estadunidense é o uso sistemático da violência militar para promover os interesses do Estado e da sua classe dominante, suprimindo simultaneamente a resistência popular”. Ao longo da intervenção, ela descreveu a capilaridade global desse aparato, destacando sua presença em múltiplos territórios e sua articulação com interesses econômicos e ideológicos. Em tom de denúncia, também afirmou que “as sanções constituem, essencialmente, outra forma de guerra que impõe punição coletiva a nações inteiras”, apontando seus efeitos devastadores sobre populações civis. Em outro momento, reforçou o caráter sistêmico dessa engrenagem, argumentando que o militarismo “é um produto do sistema político e econômico imperialista global moderno do qual se retroalimenta”.

A análise se aprofundou ao abordar o Oriente Médio e a Palestina, onde Amyra caracterizou o atual cenário como parte de uma ofensiva mais ampla, afirmando que “Esta é uma guerra de agressão sionista-estadunidense contra todo o Oriente Médio, que ameaça devastar catastroficamente toda a região”. Ao mesmo tempo, destacou a centralidade da resistência popular, observando que ela é frequentemente invisibilizada ou criminalizada nos discursos dominantes. Em tom convocatório, encerrou sua contribuição convidando organizações presentes a se somarem à articulação internacional antimilitarista, reforçando a necessidade de construção de alianças desde o Sul Global.

Ao final do encontro, foi divulgada a chamada Carta de São Paulo, documento que sintetiza as posições políticas debatidas e consolida um chamado à mobilização. O texto afirma que há um “avanço do fascismo, sionismo e nazismo, a serviço do imperialismo, com ataques aos povos”, apontando a intensificação das guerras e das estratégias de dominação global. Em outro trecho, denuncia que o imperialismo estadunidense atua “aplicando assédio e sabotagem jurídica (law fair), provocando golpes de novo tipo”, evidenciando o uso combinado de instrumentos militares, econômicos e informacionais. A carta também convoca à unidade das forças populares, conclamando setores organizados a se incorporarem na luta em defesa da soberania nacional e reforçando a necessidade de derrotar o fascismo em escala global.

Confira a declaração completa de Amyra El Khalili e, a seguir, a íntegra da carta emitida após o evento.

Contribuição de Amyra El Khalili

III Reunião Nacional do Capítulo Brasil – Internacional Antifascista na Sede da Intersindical
Dias 11 e 12 de abril de 2026 – São Paulo

Nós, do Movimento Mulheres pela Paz na Palestina e Aliança RECOs – Aliança de Redes de Cooperação Comunitária desde o Sul Global, nos juntamos à campanha “Coalização Global Agenda Antimilitarista”, iniciativa do “Movimento de resistência à guerra liderada pelos EUA”, em uma troca de articulações e estratégias para o fortalecimento de nossas frentes na América Latino-Caribenha.

A Agenda Antimilitarista é uma “Chamada à Ação” que reúne forças antimilitaristas, anti-imperialistas e antifascistas para identificar as prioridades das populações diante das guerras e outras agressões, coordenando a luta conjunta contra a guerra liderada pelos EUA, com o objetivo de fortalecer e gerar solidariedade com os povos oprimidos que reivindicam seus direitos democráticos, a autodeterminação, a libertação e a soberania.

Para melhor compreensão de como opera esse sistema opressor, o “Movimento de resistência à guerra liderada pelos EUA” elaborou um relatório fundamentado, identificou os caminhos traçados pela máquina de guerra estadunidense sionista nos mais distantes rincões do planeta, consultando as bases nas Filipinas, Coreia, Japão, Chipre, Austrália, Porto Rico, Togo, Quênia, Sudão do Sul, Guam, Ilhas Marianas, Ilhas Marshall, Havaí e Palestina.

O militarismo estadunidense é o uso sistemático da violência militar para promover os interesses do Estado e da sua classe dominante, suprimindo simultaneamente a resistência popular. É o resultado da manipulação política e ideológica que apresenta a guerra como inevitável. O militarismo é um produto do sistema político e econômico imperialista global moderno do qual se retroalimenta.

O fascismo de Estado é concebido, armado e dirigido por potências belicistas como uma forma de intervenção estrangeira. Governos imperialistas usam seus estados fantoches para travar guerras em seu nome, como tem sido o caso da guerra entre o governo ucraniano e o povo da região de Donbas desde 2014, muito antes da guerra contra a Rússia.

O brutal genocídio estadunidense-sionista na Palestina expôs a violência implacável da entidade sionista apoiada pelo imperialismo estadunidense, que é incansavelmente confrontado pela resistência militante do povo palestino. Portanto, as guerras de agressão e o fascismo estão intimamente interligados e devem ser combatidos simultaneamente.

As três “frentes de guerra lideradas pelos EUA” com o objetivo de preservar sua hegemonia no mundo são: a aliança entre os Estados Unidos e o Ocidente, incluindo a OTAN, no Leste Europeu contra a Rússia; a aliança entre os Estados Unidos, Israel, os Estados do Golfo e a Turquia contra o Irã; e uma robusta rede de alianças no Pacífico, incluindo Austrália, Reino Unido e Estados Unidos (AUKUS), Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos (JAKUS), Japão, Filipinas e Estados Unidos (JAPHUS) e Japão, Austrália, Índia e Estados Unidos (Quad) contra a China e a Coreia do Norte.

Ao mesmo tempo, a guerra e a agressão lideradas pelos EUA também se espalham pela África, América Latina e Caribe.

Os Estados Unidos mantêm oficialmente mais de 800 bases militares fora de seu território, em mais de 80 países, mas, ao contabilizar as “instalações militares” no exterior, o número se aproxima de 14.000.  Os Estados Unidos utilizam suas bases, em particular, para monitorar países que rejeitam suas políticas imperialistas, como Cuba e Venezuela, por meio de seus postos avançados em Porto Rico ocupado. As bases desempenham um papel essencial na preparação para as guerras de agressão e intervenção dos EUA, da Ásia, Oriente Médio e África à América do Sul.

A presença militar contínua dos EUA na Organização dos Estados Americanos (OEA) mina a soberania e a autonomia das nações latino-americanas e caribenhas, com 76 bases militares e Locais de Cooperação de Segurança (LCS) dos EUA, incluindo no Panamá, Porto Rico, Colômbia, El Salvador e Aruba (Curaçao). Os Estados Unidos usam essas bases como plataformas para intervenções regionais, ameaçando países independentes como Venezuela e Cuba, ou mesmo ameaçando uma invasão militar do Panamá.

Os Estados Unidos forneceram bilhões de dólares em financiamento para “segurança e combate ao narcotráfico” ao México, El Salvador e Colômbia, o que equivale a uma guerra de contrainsurgência contra os pobres, disfarçada de guerra contra as drogas e as gangues. Os Estados Unidos usaram Porto Rico como campo de treinamento para militares ucranianos. Esse legado colonial e presença militar, impulsionados por interesses imperialistas, violam os princípios da autodeterminação e da paz. Em resposta, os povos da região exigem a retirada completa das forças militares estrangeiras, defendendo um futuro em que as nações latino-americanas e caribenhas possam trilhar seu próprio caminho, livres de interferência externa.

Os envios de armas dos EUA para regimes repressivos na América Central, particularmente na Guatemala e em El Salvador, aumentaram devido à diminuição da influência americana após as eleições na América Central e do Sul, que resultaram na eleição de governos pró-populistas, alguns dos quais alinhados com a China. As chamadas “guerras contra gangues”, travadas por governos fantoches apoiados pelos EUA, mataram milhares de defensores da terra e pequenos agricultores para liberar terras para a mineração. Agora que o governo Trump designou algumas dessas gangues como organizações terroristas estrangeiras, chefes de Estado abertamente fascistas, como Bukele em El Salvador e Milei na Argentina, sentem-se encorajados a cometer mais violações dos direitos humanos contra opositores em nome do combate às gangues e ao terrorismo.

Enquanto isso, os esforços dos EUA para desestabilizar países como Nicarágua e Cuba continuam, buscando minar sua soberania e seu apoio à solidariedade regional. As campanhas de desestabilização em curso visam enfraquecer a resistência dessas nações às pressões imperialistas e romper suas alianças, particularmente com governos de esquerda e com a China.

Os “locais secretos” da CIA são lugares onde prisioneiros são desaparecidos sem julgamento para serem submetidos a tortura e interrogatório em locais como Tailândia, Lituânia, Marrocos, Polônia e Romênia, entre outros, que nunca foram oficialmente divulgados pelos Estados Unidos ou pelos governos anfitriões. A Baía de Guantánamo é o mais infame e extenso desses locais secretos. Ali, em território cubano ocupado, os Estados Unidos passaram o último século monitorando seus vizinhos no hemisfério, planejando golpes de Estado no exterior e torturando centenas de suspeitos na “Guerra ao Terror”, e agora a utilizam como prisão para migrantes deportados.

Desde a sua criação, o campo de detenção de Guantánamo acumulou inúmeros relatos documentados de violações de direitos humanos em suas instalações, incluindo confinamento solitário prolongado, assistência médica inadequada e tortura. Além disso, muitas pessoas presas ali foram mantidas indefinidamente sem julgamento. O custo do centro de detenção da Baía de Guantánamo chega a quinhentos milhões de dólares americanos por ano, dinheiro que poderia ter sido usado para gerar a receita tão necessária para serviços de assistência social à população.

Os Estados Unidos impuseram unilateralmente sanções econômicas, financeiras, comerciais e de outras naturezas a indivíduos, organizações e mais de 40 países para forçar a conformidade com as políticas americanas, incluindo sanções extremas contra rivais e países que defendem sua soberania nacional, como Venezuela, Coreia do Norte, Cuba, Irã, Zimbábue, Eritreia, Rússia e China.

Sob o pretexto de adotar uma abordagem mais “humana” em relação às ameaças percebidas aos interesses americanos, essas sanções constituem, essencialmente, outra forma de guerra que impõe punição coletiva a nações inteiras, prejudicando gravemente a população civil, especialmente aqueles que já vivem em situação de pobreza. As sanções impedem que os países acessem bens essenciais, como alimentos, vacinas, medicamentos, suprimentos médicos e recursos necessários para fornecer água potável, saneamento básico e assistência médica, fazendo com que as pessoas sofram e morram de desnutrição, fome e doenças evitáveis. Essas condições econômicas precárias geram caos social, que os Estados Unidos exploram para demonizar ainda mais os líderes desses países e justificar intervenções estrangeiras.

Durante 65 anos após a vitória na guerra de libertação, Cuba sofre o bloqueio econômico mais longo do mundo. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, o bloqueio tem como objetivo expresso provocar “insatisfação e dificuldades econômicas”, “fome”, “desespero” e “a derrubada do governo”. Estima-se que Cuba tenha sofrido perdas econômicas de US$ 1,39 trilhão (ajustadas pela inflação), além da escassez de alimentos, combustível, suprimentos, equipamentos e matérias-primas para a fabricação de medicamentos. Apesar do bloqueio americano que dura décadas, o povo cubano demonstra grande resiliência por meio da criação de movimentos populares, iniciativas de agricultura urbana, como a organopônica, para garantir a soberania alimentar, internacionalismo médico com o envio de médicos ao exterior em desafio ao controle econômico dos EUA, e esforços comunitários para desenvolver economias alternativas baseadas na solidariedade e na autossuficiência.

A presença militar contínua dos EUA na Organização dos Estados Americanos (OEA) mina a soberania e a autonomia das nações latino-americanas e caribenhas, com 76 bases militares e Locais de Cooperação de Segurança (LCS) dos EUA, incluindo no Panamá, Porto Rico, Colômbia, El Salvador e Aruba (Curaçao). Os Estados Unidos usam essas bases como plataformas para intervenções regionais, ameaçando países independentes como Venezuela e Cuba, ou mesmo ameaçando uma invasão militar do Panamá. Os Estados Unidos forneceram bilhões de dólares em financiamento para “segurança e combate ao narcotráfico” ao México, El Salvador e Colômbia, o que equivale a uma guerra de contrainsurgência contra os pobres, disfarçada de guerra contra as drogas e as gangues. Os Estados Unidos usaram Porto Rico como campo de treinamento para militares ucranianos. Esse legado colonial e presença militar, impulsionados por interesses imperialistas, violam os princípios da autodeterminação e da paz. Em resposta, os povos da região exigem a retirada completa das forças militares estrangeiras, defendendo um futuro em que as nações latino-americanas e caribenhas possam trilhar seu próprio caminho, livres de interferência externa.

A entidade sionista, com suas tendências fascistas, foi exposta como o projeto expansionista mais implacável do mundo, totalmente armado e protegido pelos Estados Unidos. Essa força genocida se formou a partir da tomada dos territórios palestinos no início do século XX e seu estabelecimento como o “Estado de Israel” em 1948. Em resposta à heroica operação de libertação nacional da resistência palestina, Al-Aqsa, a entidade sionista lançou sua “campanha final” de extermínio, assassinando centenas de milhares de pessoas em questão de meses, enquanto deslocava e matava de fome sistematicamente toda a população de Gaza e sitiava a Cisjordânia com colonos armados. Os sionistas usaram sua guerra de extermínio para justificar bombardeios, assassinatos e a ocupação do Líbano, da Síria e do Iémen, com o objetivo de uma guerra final contra o Irã em sua busca expansionista para estabelecer o “Grande Israel”.

Esta é uma guerra de agressão sionista-estadunidense contra todo o Oriente Médio, que ameaça devastar catastroficamente toda a região se não for interrompida. Em resposta, as forças de libertação do Eixo da Resistência travam uma luta implacável em defesa da vida e da autodeterminação de seus povos, atuando como um movimento unido contra a guerra liderada pelos EUA na região.

Aqueles que promovem a guerra simplificam deliberadamente os discursos sobre o conflito atual, reduzindo-os à dicotomia “bem versus mal”, “democracia versus autoritarismo” e “pacificadores versus terroristas”, a fim de ocultar seus verdadeiros interesses e desmobilizar e isolar intencionalmente os movimentos que buscam independência, paz e soberania.

As raízes históricas desses conflitos e os interesses opostos dos países imperialistas, que utilizam o militarismo e a guerra para garantir o controle sobre territórios, recursos naturais e mercados em um mundo multipolar, são omitidos do discurso. A mídia e os porta-vozes imperialistas ocultam e minimizam a resistência popular, considerando-a insignificante, ou a demonizam, rotulando-a de terrorismo.

O militarismo estadunidense também gera e prospera em perspectivas e hierarquias sociais opressivas. O patriarcado apresenta a masculinidade como alinhada ao militarismo, à dominação e à força, e a feminilidade como pacificada, fraca e necessitada de proteção, resultando em opressão de gênero que pode ser instrumentalizada para promover o militarismo e empregar os corpos das mulheres como meio de controle social e militar, recorrendo ao estupro como arma de guerra. Tanto o patriarcado quanto o militarismo estadunidense veem as mulheres como danos colaterais e facilmente exploráveis, em vez de como parte fundamental da sociedade e de seu funcionamento.

A supremacia branca e a opressão racial criam um sistema de poder e preconceito que justifica a guerra, a ocupação e a militarização como ferramentas de opressão nacional. Essas e outras ideologias discriminatórias levam à violência generalizada no cotidiano das pessoas, desempoderando quase todos, exceto uma minoria, criando assim terreno fértil para o militarismo operar em benefício dos imperialistas e dos aproveitadores da guerra.

Diante de todos os novos e importantes movimentos do regime de Trump contra países soberanos e os povos da América Latina e do Caribe nos últimos meses, o Movimento Resistência à Guerra Liderada pelos EUA está desenvolvendo um adendo à Agenda Antimilitarista com base em novas consultas com membros e na análise do Escudo das Américas, da Operação Esfera Sul, da Operação Extermínio Total, entre outras incursões e ameaças ianques à região. Essas ofensivas militares brutais inevitavelmente terão grandes impactos sobre os povos e provocarão mais resistência, e campanhas urgentes contra esta agressão se fazem necessárias.

Isto posto, nesta oportunidade, convidamos os participantes e organizações da III reunião nacional do Capítulo Brasil da Internacional Antifascista a se juntar à campanha “Coalização Agenda Antiimperialista”, coordenada pelo “Movimento de Resistência à Guerra liderada pelos EUA”, e a contribuir para agregar apoio e alianças para construir mais um capítulo dessa longa história.

Com esperança e perseverança, agradecemos a escuta ativa.

InshAllah, venceremos!

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