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Acusação de Noboa contra Petro joga pá de cal sobre diplomacia Colômbia-Equador

Petro já anunciou que vai processar Noboa por calúnia; além de acusar o presidente colombiano sem provas, o mandatário equatoriano recentemente elevou a 100% a tarifa sobre as importações do país vizinho

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou em 19 de abril que denunciará penalmente seu homólogo do Equador, Daniel Noboa, por “calúnia”.

Sem revelar os detalhes da denúncia, o mandatário colombiano informou na rede social X: “Decidi demandar penalmente o presidente Noboa por sua calúnia.”

Daniel Noboa afirmou, em uma entrevista à revista Semana, sem apresentar provas, que o chefe de Estado colombiano teria vínculos com narcotraficantes de seu país.

“(Petro) quando veio à minha posse (24 de maio de 2025), foi para Manta e entrou em uma casa por três dias, supostamente, para escrever um livro. Casas e esconderijos. Os donos desses locais estão relacionados direta e indiretamente com o narcotráfico”, afirmou o presidente equatoriano após evitar responder a uma pergunta sobre o ex-presidente de direita colombiano Álvaro Uribe, a quem Bogotá aponta como influente na decisão do país vizinho de impor 100% de tarifas às exportações provenientes da Colômbia.

Após a publicação da entrevista em 18 de abril, o presidente Petro reagiu a partir de Barcelona, na Espanha, onde participava da cúpula em Defesa da Democracia, e disse em sua conta no X: “Com Noboa acontece o mesmo que aconteceu com (o presidente dos Estados Unidos, Donald) Trump, deixam encher de mentiras a cabeça da nossa extrema-direita colombiana, que é assassina e narcotraficante.”

O episódio da visita do presidente Petro a Manta, cidade costeira no oceano Pacífico equatoriano, ocorreu depois de ele ter participado da posse de Noboa.

“O próprio Noboa deu a ordem, como deve ser, para que o Exército equatoriano me protegesse em todos os momentos, dia e noite, em Manta. Não só o Exército equatoriano me acompanhou em Manta, como também minha escolta da força pública colombiana, que pode declarar sob juramento e, além deles, há outras testemunhas do local onde fiquei terminando de escrever o livro”, reagiu Petro.

As relações diplomáticas entre Colômbia e Equador, ao que parece, chegaram no dia 19 de abril a um ponto de não retorno. Os últimos encontros entre funcionários das chancelarias de ambos os países foram um fracasso, consolidado recentemente com a decisão equatoriana de aumentar de 50% para 100% as tarifas sobre os produtos colombianos.

Colômbia e Equador sempre mantiveram uma sólida relação comercial, com uma balança favorável a Bogotá estimada em 1,2 bilhão de dólares, segundo dados de 31 de dezembro de 2025.

Os dois países compartilham uma fronteira de 600 km, considerada porosa por especialistas na região devido à presença, do lado colombiano, de organizações criminosas dedicadas ao cultivo ilícito da folha de coca, insumo básico para a produção de cloridrato de cocaína, que acaba nos portos do Equador para ser levada clandestinamente à Europa.

Para Noboa, “a falta de cooperação da Colômbia em assuntos de segurança na fronteira” obrigou seu governo a elevar exponencialmente as tarifas.

Já Petro denuncia a existência de uma aliança da extrema-direita latino-americana orquestrada para desestabilizar o país, incluindo as eleições presidenciais que se aproximam e cujas pesquisas são lideradas pelo candidato de esquerda Iván Cepeda.

“Há uma ordem de um escritório estrangeiro no Equador e na Colômbia e da oposição de Uribe contra mim, tal como ocorreu com o lobby que fizeram no escritório de Marco Rubio (secretário de Estado dos Estados Unidos) e nos escritórios da extrema-direita na Flórida”, revelou o presidente colombiano, que, além disso, denunciou um plano para assassinar o candidato de esquerda: “E a CIA (Agência Central de Inteligência) sabe disso”, acrescentou.


* Imagens na capa:
– Gustavo Petro: Ovidio González – Presidência da Colômbia / Flickr
– Daniel Noboa: Isaac Castillo – Presidência do Equador / Flickr

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